#BadBlood - 16° Capítulo.


- Meredith, estou tentando ler. – Reclamei. – Pode parar de querer subir em cima de mim.

      Pela terceira vez empurrei minha gata para o outro lado da cama, ela não costuma ser melosa dessa maneira. Estava lendo O Enigma do Quatro, que é um livro fascinante e que exigia atenção, tal coisa que minha gata não estava permitindo ter. Peguei meu marcador e fechei o livro, colocando em cima do meu criado-mudo, encarei minha gata enrolando no meio dos lençóis para dormir, meu olhar desviou para a sacola dos testes de gravidez. Não era minha gata que tirava minha atenção, era aquele medo e curiosidade de saber a verdade, se eu tinha um filho dentro de mim ou não, se eu só passei mão ou não, em voltar para aquele campus e dizer que estava gravida, mas não saber se era de Jared, um cara que nunca me pediu em namoro e me namorava escondido por me achar nova ou de Theo, meu melhor amigo que transei poucas vezes e tinha um relacionamento de longa distância arruinado. Era tanta coisa envolvida, era um medo que jamais avia sentido na vida, pela primeira vez o destino conseguiu me derrubar e eu que pensei que poderia controlar minha vida e minhas emoções como um tempo de campeonato de natação, ultimamente eu nem sei o que faço. Só sai da piscina e desisti.
        Me levantei da cama, pegando a sacola que tinha largado no canto da escrivaninha e tirei os dois testes; abri a porta atravessando o corredor para o banheiro. Abri o primeiro e li rapidamente as instruções que já conhecia, já tinha feito isso antes por causa de Theo. Verifiquei o pequeno aparelho e me esforcei para fazer xixi; repeti o processo em ambos. Me limpei e larguei os testes em cima da pia, dando descarga e saindo do banheiro, deixei ali por um tempo. Olhei o relógio que ficava no centro do corredor, que apontava para 23:58 e o som do Ed tocando violão ao lado de fora da casa. Ed era como eu na água – no caso dele o violão. Começamos a fazer e nem percebemos a hora de acabar, isso era paixão. Desci as escadas seguindo aquele som gostoso de ouvir, abri a porta de vidro para a varanda e me sentei no degrau com ele, já estava escuro pela rua, mas as luzes da casa iluminavam ele, como um momento único. Ele parou as cordas com uma palmada, me deitei em seu ombro e ficamos quietos.

- Fez? – Ed perguntou.
- Agora, mas ainda não sei. Não está pronto e.... Nem eu estou. – Respondi.
- Não quis ser duro com você, Taylor. – Ed exclamou. – Você sabe que eu quero ser seu companheiro e te ajudar.
- Eu sei disso Ed e todas as vezes que você foi duro comigo eu só agradeci. Sou dura com as pessoas e isso ajuda elas, então, eu preciso que alguém que seja assim comigo, isso me faz acreditar que tenho um pouco de juízo. – Respirei fundo. – Toca para mim, por favor.

      Ed concordou com a cabeça e voltou a tocar acordes aleatórios, fiquei observando sua facilidade fascinante em dominar um violão. Eu reconhecia esse som, era minha música favorita dele. Eu cantava baixinho com ele, acompanhando atentamente. Aquela música mexia com Ed, era uma música tão pessoal, que jamais poderia opinar em mudar. Ela ficou perfeita desde que ele disse que havia finalizado.


      Logo que ele soltou o último acorde, fez um suspiro com as lembranças que provavelmente estava passando em sua cabeça. Ed poderia passar por tudo, mas nada além da música o fazia feliz e o consola bem. Um cara realmente admirável, um amigo que me sentia bem, natural ao seu lado. Eu poderia demonstrar para ele vulnerável, poderia chorar em seu lado e sorrir, ser a Taylor de sempre e não a Taylor dos outros, como costumo ser.

- Anda, quero ver o resultado. – Ed falou, dando uma animada naquele momento.
- Vamos ver. – Tentei sorrir.

     Ele se levantou primeiro dando sua mão de apoio para me levantar também. Arrumei o vestido que estava usando e subimos juntos a escada, entrei no banheiro sozinha. Ed quis ficar na porta esperando, porém não a fechei. De longe vi aqueles testes que pareciam assombrados, peguei um dele com as pernas bambas, virei ele para o lado do resultado e:

- Positivo. – Falei chorando.

      Puxei o outro teste, dessa vez virando rápido e positivo. Me virei para a porta dando de cara com Ed, dei na mão dele e comecei a chorar, me ajoelhando no chão. Senti sua mão em minha cabeça, ele me levantou e me abraçou fortemente. O choro saia livremente de mim, como se cada lagrima que tivesse segurado na vida, estaria saindo nesse momento.

- Calma Taylor, está tudo certo. – Ed disse em meu ouvido, tentando me acalmar.

***

     Deitei na cama com o meu notebook, liguei e entrei no meu facebook. Olhei para algumas atualizações e desde os recentes acontecimentos só tinham coisas sobre Lily e Taylor, visitei o perfil de Vanessa, talvez só por curiosidade e reparei que a única foto que ela tinha postado comigo, avia apagado. Se não tivesse visto o suficiente, procurei seus eventos e hoje ela iria na festa de pré-inaugurarão da peça de Alice: No país das maravilhosas. Fechei meu notebook e me levantei rapidamente, procurando meu celular para ver as horas. Ainda era cedo, já que a maioria das festas aqui duravam até o dia amanhecer.
      Nem me arrumei, só vesti minha jaqueta de couro e sai da republica vazia, que provavelmente foi para a festa também. Assim que sai de longe dava para escutar a música e a luzes vindo do ginásio de festas. Entrei na festa que tinha detalhes dos personagens da peça, avistei Emma e corri até ela.

- Emma, você sabe onde Vanessa está?
- Ashley. Oi. – Emma olhou ao redor. – Ela foi embora, foi embora com o Zac...

        Emma mordeu os lábios ao falar, apenas sorri e agradeci. Dando alguns passos de costas e me virando, para sair dali o mais rápido possível. Parei em frente a porta e fiquei pensando no que fazer e só pude pensar em ir para a república de Vanessa, que ficava duas ruas da minha. Caminhando com as mãos nos bolsos pensando no porquê da Vanessa complicar a nossa situação, eu pressionei ela, mas era para ela me escolher.
       Olhei para a república dela, sem muito no que reparar e subi os degraus. Peguei na maçaneta e girei lentamente, estava aberta e sem fazer barulho, entrei. Estava tudo escuro, segui para o andar de cima e fui passando os dedos na parede para me guiar na escuridão, ouvi um barulho vindo do seu quarto, fiquei parada por um tempo em frente a porta, logo empurrei um pouco para olhar. Ali estava Vanessa: transando facilmente com Zac. Meus olhos encheram de lagrimas, coloquei a mão na boca para evitar qualquer barulho e fui dando alguns passos para trás, encostando na parede e escorregando na parede com apoio das costas. Ainda dava para ver a cena, meus olhos cheio de lagrima desfocaram aquela cena. Eu não queria limpar nenhuma lagrima, ela apenas acumulava em meu rosto. Escutei um barulho no andar de baixo, me arrastei para o fim do corredor, me levantando e olhando para onde iria.

- Zac, você deixou a porta aberta. – Vanessa disse entre gemidos.

        Me encolhi no canto do corredor e fiquei parada no escuro, ficou mais escuro quando Zac fechou e trancou a porta do quarto, pensei em sair correndo, mas alguém tinha chegado e eu não sabia quem é. As luzes do andar de baixo foram acessas e uma sombra veio seguindo para o andar de cima, acendendo a luz do corredor. Corri para a frente e coloquei a mão na minha boca em forma de silencio.

- Benson? – Miley sussurrou ao me ver. – Você não mora aqui, o que faz aqui?
- Shh! Por favor. – Limpei minhas lagrimas. – Eu já estou indo embora.

         Passei pela Miley e segui escada abaixo, Miley veio por atrás e me parou.

- O que você está fazendo aqui? Você também não mora aqui! – Falei, empurrando ela.
- Aqui mora a irmã da Demi, a Cher... Eu queria verificar um negócio, achei que não tinha ninguém aqui. – Miley respondeu. – Tem alguém aqui?
- Tem, tem a Vanessa transando com Zac. – Respondi. – Não quero saber o que vai fazer, qualquer coisa finjo que não te vi aqui.
- Vanessa... Hudgens. Ela não é sua namoradinha? – Miley perguntou de um modo irônico.
- Era.
- Ah, saquei qual é a da Vanessa. Tem muitas são assim por aqui. Essas lésbicas enrustida, medo de ser julgada, mal vista ou que só curte um pouco. – Miley falou rindo e tirando uma luva. – Sabe, Ashey, tenho um defeito enorme. Eu sou vingativa demais e pensando no seu caso, você chorando assim. Isso deve te magoar, você ter vindo parar aqui também e eu ofereço minha ajuda.
- Não quero vingança com Vanessa, eu gosto dela. – Encarei Miley.

       Miley me olhou e deu uma risada debochada, ela apagou as luzes da casa e me puxou pela mão.

- Fiz isso com meu primeiro namorado no ensino médio, ele mereceu. Mesma história. – Miley me guiou até o sofá. – Sou fotógrafa quase profissional, só não tenho diploma. Mas tiro fotos muito bem.
- Miley certo? Não te conheço e nem quero saber o que veio fazer aqui ou quer fazer. Me deixe fora disso.

       Passei as mãos nos moveis e sai andando abrindo a porta lentamente.

- Você ia me agradecer. – Miley falou dessa vez em um tom alto. – Ops, desculpa. – Ela colocou uma mão na boca.

- Idiota!

2 comentários:

  1. To com sono, não dá para fazer um comentário decente. Mas ameio o capítulo, continua logo.
    Cara <3

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    Respostas
    1. Pode deixar, vou postar sim!
      xoxo, Bonnie.

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