22 de mai de 2015

#BadBlood - 17° Capítulo.


      Encachei a chave na porta e estiquei o braço para a caixa do correio, hoje tinha cartas. Uma era da energia e outra era judicial, obviamente o mandato de Johnny. Abri logo na porta, quando li o horário de comparecimento a Swarthmore College, vi que faltava menos de 40 minutos. Entrei em casa tirando minha roupa para tomar um banho rápido, coloquei uma roupa simples e voltei para o carro, já faltava menos de 20 minutos e minha sorte é que S. College ficava perto de casa. Estacionei às pressas na ala de visitantes e andei rápido pelo campus até chegar no prédio principal, uma novidade é que avia muitos policias e faixas amarelas por todo lugar. Logo que ganhei permissão para subir, dei de cara com Katheryn, que sorriu e falou:

- Bom te ver. Posso ver sua autorização?

      Levantei a mão mostrando, não demostrei o mesmo sorriso, mas tentei ser gentil. Já que sua voz soava com autoridade, relevei vendo que estava em seu local de trabalho.

- Se quiser posso pedir para interrogar você, já nos conhecemos bem. – Katheryn disse arrumando minha jaqueta.
- Nos conhecemos bem? – Repeti sua pergunta de um jeito confuso.
- Não? – Ela retrucou rindo.
- Na verdade não. – Respondi guardando minha autorização.
- Aquele dia significou o que? Aquelas coisas que você me disse? – Katheryn mudou de humor.
- Katheryn só foi sexo, por favor. Você pediu quando foi atrás de mim... Sozinha. – Falei tentando passar. – E eu não disse nada, foi você quem disse. – Dei uma risada.
- Explica isso direito. – Ela fechou minha passagem.
- Explicar o que? Você sabe que tenho namorada, eu gosto da Taylor, a garota que você está procurando e aquilo foi divertido. Fiquei feliz não vou negar, desde que a Taylor sumiu você foi ótima. – Tentei sorrir. – Não se ofenda, pra mim só significou isso.

      Katheryn me olhou, deu um leve sorriso e tirou sua mão na parede, passei sem olhar para trás. O corredor dava caminho para que, provavelmente, seria o andar privado do diretor, estava vazio, então, me sentei em um dos bancos e fiquei quieto. Para uma simples provocação, estiquei as pernas abrindo, peguei uma revista de fofoca e fiz uma cara de debochado – a cara que Johnny mais odeia.

- Eu não sou segunda opção sua, muito menos dessa garota que se diz sua namorada. – Katheryn falou se aproximando de mim. – Você é um ridículo, aquela garota é uma criança e eu espero que você não tenha nenhuma culpa, porque se tiver eu vou adorar de foder. Do jeito que você gosta de fazer com os outros. – Ela apontou o dedo em minha cara e derrubou a revista no chão.
- Você se decepcionou por algo que correu atrás para ter? – Perguntei pegando a revista do chão. – Se não fosse você lá no meu quarto, eu nunca teria reparado em você. Sinto muito.
- Jared, você é um crápula, mal caráter e um filho da pu...
- Ontem teve uma festa aqui, vamos procurar na câmera de segurança para ver se tem algo para ser visto. – A voz de Johnny veio de longe.

      Katheryn se interrompeu ouvindo a voz de Johnny, ela cerrou os olhos contra mim e arrumou sua postura.

- Da puta? – Terminei sua frase num tom irônico, quando Johnny virou o corredor com John.
- Puta? – Johnny chegou rindo.
- Ela que disse. – Apontei para Katheryn tentando não rir.

       Todos olharam para Katheryn que ficou envergonhada, tentando entender alguma coisa daquele momento, do momento que coloquei ela em constrangimento.

- Já que ninguém vai explicar, vamos Jared. Vai ser rápido. – Johnny tentou ser simpático.
- Antes eu quero você e o John para um abraço de irmãos, sinto que todo esse clima que estou passando com minha namorada e vocês com o trabalho tenha afetado e transformando isso em um ambiente triste. – Falei, abrindo os braços. – Vamos, não me deixem com os braços plantados assim.
- Você nunca muda. – Johnny disse rindo.

      Ele me abraçou, logo veio John e me abraçou também. Ficamos abraçamos, algo que não fazemos desde pequeno – eu acredito – e soltamos uma risada conjunta.

- Isso foi muito sentimental. – John disse.
- Da puta mesmo. – Katheryn falou me encarando enquanto tomava água.

      Todos ignoraram seu comentário, mas eu pude escutar. Sorri para todos que viram a cena de irmãos e entrei na sala com Johnny. Posso dizer que isso não foi falsidade, mas eu pensei mesmo no assunto e também pensei nesse pequeno momento que: uma inimiga que mal conheço e já transei é melhor que três inimigos, sendo dois seus irmãos e que te conhecem bem.

***
Duas semanas depois.

       Virei minha câmera e rodei o zoom para regular, testei ela e parecia fosca. Virei novamente e testei, ela ia melhorando. Com o zoom, ela ficava fosca e com a imagem normal – sem zoom – ela ficava perfeita. Isso deve ter sido no dia em que invadi a irmandade da Cher, mexi tanto naquele dia que devo ter quebrado ao algo do tipo.

- Calma Happy, vou conseguiu tirar uma foto sua. – Falei com meu cachorro.
- Você está em um ângulo perfeito, posso tentar?

       Tentei ignorar a pergunta, mas vi pelos pés da pessoa que ela não estava disposta ir embora. Então, dei um puxão rápido na regulação da câmera e olhei para cima.

- Você acha? – Perguntei.
- Posso tentar?
- Sabe o que é Nick... Ela estava quebrada. – Falei dando um falso sorriso triste.
- Como você é difícil, posso tentar. Eu sei mexer em câmeras profissionais. – Nick.

       Encolhi o olhar com o “como você é difícil” e entreguei a câmera em sua mão. Ele po sua vez não olhou em minha cara e jogou a capinha em meu colo. Ele parecia entender e ficou mexendo ali, mexendo aqui e testando para frente.

- Você quer muito perto ou muito longe? – Nick perguntou sem desviar a atenção.
- Quero poder mexer no zoom quando puder sem me atrapalhar. – Respondi.
- Ah sim, o problema é que você deve ter batido ela. Então você tem que forçar aqui nos lados para ela ir com mais facilidade de antes. – Ele explicou me mostrando os pontos da câmera. – Mas ela pode quebrar a qualquer hora. – Ele riu. – Posso tentar agora?
- Pode ser.

      Peguei o Happy no colo, Nick se afastou um pouco e visualizou o espaço tirando as fotos, que vinham com pouco flash por conta do sol.

- Está uma paisagem bem legal atrás. – Nick disse me entregando. – Olha.
- Ficou mesmo. – Respondi revendo as fotos. – Vai você agora, está em um ótimo ângulo.
      Começamos a tirar fotos na pedra onde eu estava sentada sozinha, incluímos o Happy junto. Happy por sua vez, foi falso para ficar no colo de Nick.

- Fica ai vocês dois juntos. – Falei me levantando.

      Tirei algumas fotos do Nick na pedra, que ficaram realmente muito boas. Sentei ao seu lado mostrando as fotos.

- Você deve me passar todas, ficaram realmente muito boas. – Nick falou. – Você faz fotografia?
- Levando em conta que eu não soube regular o zoom da minha própria câmera, sim eu faço muita coisa referente a fotografia. – Respondi, dando risada. 
- Eu tirava bastante fotos quando era criança, mas era naquelas câmeras velhas que você tinha que pegar a fita, molhar e pendurar para ver sabe. – Ele explicava fazendo gestos, que me fazia rir. – Hoje existe ainda, mas ainda sim são modernas. Acho que é por isso que sei mexer nessas coisas.
- Eu gosto daquelas de cabine, aqui tem uma que colocam nas festas. Sempre que posso vivo tirando fotos lá, aquelas ficam boas. Tenho um álbum só daquele tipo, mas com várias pessoas e cachorros.
- Sei qual que é, eu também tiro. As minhas são bêbados, então, não conta.... – Nick.
- Legal, legal... – Falei em vão. – Foi divertido, eu dou um jeito que achar seu número ou seu e-mail e te passar.

      Peguei o Happy pela coleira, soltei ele no chão e guardei minha câmera na bolsa que carrega. Nick ficou sentando, dei um beijo em seu rosto e sai andando. Nick era irmão de Joseph, o que dava uma má imagem para ele, mas ele é o oposto de tudo. Descobri isso ano passado quando fizemos aula de interpretação juntos, foi engraçado porque fazíamos pelo fato de sermos tímidos – Na verdade eu era, perdi toda essa timidez. Já ele eu não sei

***
- Como foi o passeio? – Ed me pergunto assim que coloquei os pés em casa.
- Normal. – Coloquei a Meredith no chão. – Tinha que levar ela para passear, essa gata está muito gorda.
- Taylor, quis dizer do seu passeio com seu professor e não da obesidade da gata. – Ed falou rindo. – Gorda ela sempre foi.
- Por isso ela não gosta de você. – Retruquei rindo, dei um empurrão de leve em Meredith para ela ir deitar. – Sobre o Jake: Não é meu professor, ele só dá aula onde estudo e foi normal, ele disse que a polícia está sossegando.
- Você acha que vai ser normal sumir e aparecer do nada como se nada tivesse acontecido? – Ed perguntou, me servindo café.
- Não, não dessa maneira. Mas eu quero... Ainda não sei, eu quase morri. – Falei. – Eu não sei quem foi que tentou me matar sufocada em meu próprio dormitório e não vou apontar dedo para ninguém que não tenho certeza.
- E o Jake diz o que sobre isso? – Ed.
- Ele diz que os alunos que eu citei, que eu acharia que faria algo estão normais, agindo de maneira normal, nada culposo... Sabe, eu queria tentar entrar em contato com o Jared ou o Theo, mas eles devem estar bem envolvidos com a polícia.
- Sim, principalmente esse Jared. – Ed disse puxando o jornal. – Segundo o noticiário dessa manhã Johnny Christopher Depp, que lidera as investigações, está investigando o caso que seu irmão mais novo tinha com Taylor Swift e separa muito bem o profissional com o pessoal e não deixará nada passar despercebido, caso seja uma pista. – Disse Ed, narrando. – Vem cá, eles não se parecem nem um pouco?
- Eles não se parecem nem um pouco e isso é outro problema. Não sei se o Johnny me reconheceu, eu era muito nova, tinha corpo, cabelo diferente...
- Taylor, por favor! Você tem uma beleza única para ele esquecer ou não lembrar. Loiro e olhos azuis naturais, a sua voz nunca mudou e a diferença é que seu cabelo ficou liso e curto. Se ele te viu, ele lembrou. – Ed.
- Mas ele não falou nada...
- É claro, antiético seria ele parar o trabalho dele e dizer “Ei, você namora meu irmão, mas ficamos depois do show dos The Killers”. Seria vergonhoso para ele e para você.

- Seria, mas também seria bom ter respostas. Ele age normalmente, o Jared não deve saber ou se sabe age normalmente... Eu não conseguia, nem consigo segurar isso em mim. – Falei, tomando o ultimo gole de café.

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