18 de mar de 2017

#CriminalCase - 3° Parte.

      Abri a porta do escritório com pressa, todos se levantaram e pegaram suas cadernetas. Connor trouxe com pressa sua lousa com todos os esquemas com fotos e informações das vítimas e do caso.

- Já temos um perfil. – Falei com um tom de voz elevado. – Procuramos um homem na faixa dos 35 a 40 anos, ele caça suas vítimas no aplicativo de relacionamentos e mantem atenção naquelas que demostram poder. Ele observa elas por um tempo, segue seus passos dias antes do ato final. Quando ele vai matá-la, ele as deixa sofrerem, entre a vida e a morte. Após isso, ele as limpam e coloca em uma posição artística. Acreditamos que o contorno em volta do corpo da vítima é feito antes da morte e depois ele as encaixam e para fazer isso, também acredito que ele guarde lembranças. Fotos delas na posição final antes de deixar sua cena do crime, os amigos próximos afirmam que peças intimas foram roubadas. Ele leva as que elas estavam vestidas.

      Abri espaço para Connor, ele organizou seus papeis.

- Conversamos com amigos próximos e mapeamos todos os locais que as vítimas estavam na última semana de vida. Elas frequentavam os pontos turísticos da cidade, olhamos a hora e pedimos para verificarem com rigidez as câmeras de segurança porque é possível, é muito provável que o assassino seguiu elas nesses lugares. Temos que achar uma coincidência.
- A vítima que sobreviveu, Anne Hendrix, está no hospital em estado grave. Vamos torcer para que ela tenha uma boa e rápida recuperação para colaborar conosco.
- Seu último ataque falhou, ele sabe. – Joe entrou na sala dizendo. – Ele tentou atacá-la, mas a vítima estava com um acompanhante que morreu no local do crime tentando defendê-la. Não foi planejado porque ele está com pressa.
- Não entendemos, tinha mais uma pessoa na casa da sobrevivente? – Um policial perguntou.
- Isso mesmo! – Joe concordou. – Charlie Hendrix, irmão da vítima. – Connor colocou uma foto no esquema. – Estava na casa na hora da tentativa. Pela bagunça deixada na casa, ele não esperava a visita e não viu quando chegou. – Joe deu um passo à frente e respirou fundo. – Eu mapeei a casa de Anne e irei explicar: acredito o assassino estava esperando em seu quarto, quando Anne entrou, ele atacou e não esperava uma segunda pessoa na casa. Ele teve o tempo suficiente para sufocar Anne, mas houve uma briga nesse meio tempo do quarto para sala onde o irmão acabou morto por uma faca de cozinha. Conseguimos um rastro de DNA em um dedo de Charlie, tentaremos torná-lo útil e se possível, saber se é do assassino.
- Charlie não foi divulgado na mídia para preservar Anne e sua família. – Expliquei. – O assassino deve ser furioso com o que aconteceu e também machucado já que houve uma luta entre os dois. Ele dará um tempo e não podemos deixar ele desaparecer.

***
1 mês depois.

- “A polícia continua em busca do serial killer da Capital, já passou um mês desde que os ataques começaram. Ao todo, foram cinco vítimas mortas e uma sobrevivente que continua em coma. Eu acho que a polícia está dando voltas no mesmo local, eles não têm nada. A capital continua com medo, as mulheres continuam com medo porque ele está foragido. Até quando? ”

      Joe entrou na sala e desligou a televisão, amassei meu pacote de bolacha e arrumei minha postura na mesa.

- Eles têm razão, temos um perfil vazio. – Concordei com a jornalista.
- Anne Hendrix acordou do coma. – Joe falou. – Por ordens medicas, não podemos falar com ela no momento, mas já colocamos uma patrulha no hospital por segurança.
- O Wilmer é especialista em luto, ela perdeu o irmão. – Comentei. – Posso pedir para ele tentar conversar com ela, se abrir e colaborar conosco. O tempo está faltando, ele pode voltar a atacar novamente e estamos perdendo tempo.
- Podemos tentar. – Joe sentou ao meu lado. – Falarei para Connor conseguir uma autorização ao seu marido e quando ter tempo, desça no meu laboratório que eu quero te mostrar uma coisa que achei.
- O que é? – Perguntei curiosa.
- Estamos analisando o papel que ele usou para fazer as duas cartas. Achamos uma coisa na rua e temos um novo palpite, mas antes convença seu marido. – Joe respondeu calmo.

***
- Anne? – Perguntei ao entrar em seu quarto. – Sou Wilmer Valderrama, especialista em vítimas de luto, fui chamado para conversar com você. Podemos?
- Tudo bem. – Anne respondeu com uma voz fraca. – Me avisaram, eu acredito que posso falar com a polícia.
- Direi isso quando terminamos, pode ser? – Perguntei. – Vamos começar com como se sente?
- Mal, com vergonha. – Ela olhou para o chão. – Sinto que fui culpa minha tudo isso que aconteceu.
- Não é culpa sua ter um predador sexual a solta. – Tentei acalma-la. – Você é uma vítima e sobrevivente, nada disso pode ser sua culpa.
- Meus pais dizem para tomar cuidado, mas eu ignorei, não tinha medo. Eu tinha aplicativos, entrava em sites de encontros... eu dizia que eu gostava de sexo forte, violento. Me encontrava com desconhecidos só para transar.
- Você lembra do rosto dele? De ter saído com ele? – Perguntei.
- Eu não consigo lembrar dele com clareza, eu não lembro daquela noite. – Ela respondeu com um tom triste. – Eu lembro da dor, mas eu não vejo a cena em minha cabeça. Realmente não consigo lembrar. – Ela se abraçou e apertou suas unhas em seus braços. – Não consigo, não consigo.
- Anne, fique calma. – Tentei chegar perto. – Fique calma, não tente força sua mente.

     Anne começou a chorar e alguns enfermeiros entraram no quarto para acalma-la. Ela desmaiou.

- Senhor, saia agora! – Um enfermeiro ordenou.

     Sai da sala e olhei para trás, o mesmo fechou a porta. Virei o corredor é Demi estava esperando com outro rapaz.

- Wilmer, esse é meu parceiro, Joseph. – Ela nos apresentou sorrindo. – Como foi?
- Acredito que ela não venha ser útil agora, ela diz que não se lembra de nada daquela noite e se culpa por isso. Precisarei de mais tempo com ela para poder ajuda-la.
- Veremos o que podemos fazer. – Joseph falou. – Preciso mostrar outra coisa para você, Demi. Quando possível, vá ao meu laboratório.

     Joseph deu dois tapas nas minhas costas e saiu andando. Esperei uma boa distância dele e olhei para Demi.

- Demi? Ele te chama pelo seu apelido? – Perguntei curioso.
- Sim, é convivência. – Ela respondeu olhando para o quarto de Anne. – Eu irei encontrar com Joe e depois conversamos melhor. Obrigada por ter vindo. – Demi me beijou.
- Joe... Demi... eu não sei, não parece profissional. – Comentei.
- Wil, por favor, não crie paranoias. – Ela riu. – Obrigada mesmo.
- Irei pegar Alexa e nos encontramos em casa. – Avisei. – Hoje tenho plantão, não chegue tarde.

***
- O que é, Joe? – Entrei em seu laboratório.
- Na sua carta, achamos uma coisa. – Joe pegou um par de luvas e pegou o papel. – Está vendo a sombra, é um desenho. Significa o papel usado foi marcado por outro papel, tentamos imprimir o máximo do papel que deve ter vindo por cima e saiu esse desenho. – Joe me entregou.

     O desenho era um casal e um sol, provável de um desenho feito por criança pela falta de coordenação motora.

- Ele pode ter uma criança, uma família? – Perguntei rindo.
- Provável que sim. Acredito que seria ele e esposa, algo relacionado na visão da filha. – Joe apontou para o desenho. – Só não posso dizer a etnia deles ou características, mas é algo que conseguimos com o que temos.
- Isso é um começo e demostra o desleixo dele. – Respirei fundo. – Preciso ir para casa dormir um pouco.

***
      Cheguei em casa e Wilmer sorriu com Alexa no colo, ele me entregou, beijou minha testa e saiu com pressa.

- Estou atrasado. – Ele disse saindo.
- Te amo. – Falei no vácuo. – O que iremos fazer? – Perguntei para Alexa sorrindo. – Para quem já tem quatro anos, não precisa ficar no colo o tempo inteiro. – Coloquei ela no chão.

      Comecei a tirar minha roupa e coloquei uma camisola, fui até a cozinha e comi uma fruta. Sentei no sofá e fiquei vendo Alexa brincando com seus lápis. Tentei relaxar e fechei meus olhos.

- Ficou bom? – Alexa perguntou.
- Lindo. – Respondi olhando rapidamente. – É para mamãe?
- Não, esse é para o papai. – Alexa riu. – É da foto dele, vou fazer um para você.
- Quero um bem bonito. – Disse.

      Olhei para o desenho e era uma mulher loira. Dei risada porque eu sou morena. Peguei o papel e fiquei observando por um tempo.

- Meu Deus. – Falei.

      Levantei e entrei no meu quarto, comecei a abrir as gavetas e tirar todas as roupas dela. Alexa entrou no quarto e me olhou assustada.

- Você lembra de onde seu pai guarda seus desenhos? – Perguntei sorrindo.
- Ali. – Alexa apontou para seu criado-mudo.
- Vai lá terminar de brincar que eu já vou. – Virei ela em sentido corredor.

      Esperei ela sair e tentei abrir a gaveta, estava trancada. Procurei a chave e não achei em nenhum lugar. Pensei em algumas alternativas radicais, tentei pensar melhor e parecia uma paranoia. Não era paranoia. Fui pelas portas dos fundos e tentei entrar na garagem, estava trancada.
      Entrei novamente dentro de casa e voltei para o quarto, olhei para a bagunça e coloquei as roupas novamente nas gavetas de maneira bagunçada. Fui até o chuveiro e olhei em volta, estava normal. Tudo estava normal e eu estou paranoica. Na cozinha, peguei uma faca e comecei a forçar a gaveta do criado mudo. Consegui abrir, tinha algumas pastas e pilhas de papeis. Comecei a folear, tinha alguns desenhos da Alexa e alguns do Wilmer, era assustador os desenhos e tinham poesias que desconhecia. Larguei na cama e comecei a olhar os desenhos de Alexa. Achei.

- É esse. – Olhei para o desenho. – É esse.

      Peguei meu telefone e limpei algumas lagrimas que caíram.

- Wilmer, eu quero falar com você. Venha para casa. – Desliguei antes dele responder.

      Encarei o telefone por alguns segundos e disquei o número de Joe. Dava na caixa postal as duas vezes que ligue, tentei mais uma vez.

- Joe, assim que ouvir essa mensagem tente entrar em contato comigo. Eu acho que sei quem é o nosso assassino. Não ignore essa mensagem!

      Joguei meu celular na cama e peguei Alexa no colo, levei até seu quarto e depois voltei para pegar seus brinquedos.

- Fique aqui, já vamos dormir. – Falei.

      Fechei a porta do seu quarto e voltei para a garagem, com uma pedra, bati no cadeado até abrir. A porta já era velha, com uma lanterna que encontrei na cozinha comecei a olhar. Amassei os desenhos com raiva, passei a mão na minha boca e voltei para dentro.

- Demi? – Wilmer falou quando entrei em casa. – O que houve? – Ele olhou para minha mão.
- O que você fez? – Perguntei pescando lentamente. – Wilmer, quem é você?
- Demi, eu não estou entendendo o que você está falando. – Ele riu. – O que houve?
      Joguei os papeis amassados no peito dele e dei alguns passos para trás. Ele abriu e olhou sem mudar sua feição.
- Desenhos da Alexa. – Ele respondeu.
- Eu sei que foi você, eu liguei os pontos na minha cabeça. – Comecei a rir e chorar. – É você o tempo inteiro? A gaveta trancada, na minha cara ali.
- Eu o que? – Wilmer ficou mais sério.
- Você é o cara que andei procurando nos últimos dois meses. – Respondi. – O predador machista e fraco, o tempo inteiro no meu lado. – Empurrei ele na parede. – Olha nos meus olhos e nega isso. NEGA!
- Demi, onde você quer chegar? – Wilmer segurou minhas mãos. – O que você está falando?
- Na noite que recebi a ligação de Anne Hendrix, você estava tomando banho e disse que tinha acabado de chegar, você estava com dor. – Empurrei ele contra a parede. – Você deve pensar o quanto sou estupida porque não desconfiei de você quando montei o perfil: fraco, invejoso, sempre achando ruim porque eu estou acima. Porque sou boa e você sempre tão reprimido, atrás de mim.

      Wilmer apagou a luz e senti meu corpo voar no chão, seu peso estava em cima de mim. Tentei me debater enquanto ele tentava segurar minhas duas mãos. Dei alguns tapas em sua cara e tentei me rastejar para trás, seu peso me forçava no chão. Ele me deu um soco no lado esquerdo, senti ele ficar adormecido pela dor. Mal sentia, meu sangue estava quente. Ele colocou minhas mãos grudadas na minha barriga e sentou em cima, tentei me mover e ele puxou meu cabelo. Pegou no meu pescoço e começou a pressionar sua força.

- Fraco. – Tentei falar.
- Você estragou tudo. – Ele gritou. – Eu te amo, mas você está me obrigando a fazer isso. – Pressionou ainda mais seus dedos no meu pescoço.


      Comecei a ficar zonza, apenas ouvia Alexa chorando e batendo na porta do quarto. Foquei meu olhar com Wilmer, ele mexia seus dedos em volta do meu pescoço, mas não soltava. Tentava manter meus olhos abertos, mas eles ficavam cada vez mais pesados.

3 comentários:

  1. MENINA!
    eu estou completamente apaixonada por essa fanfic.
    eu amo tudo o que envolve coisas criminais, adoro criar teorias loucas na minha cabeça e essa fanfic já ganhou um espaço especial no meu coração.
    parabéns pela criatividade, pelo jeito que escreve, deixa a gente cada vez mais envolvida na história.
    enfim, eu estou amando essa história.
    poste assim que der, ok?
    bjs*

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  2. MIRELA! ME PERDOA!
    Estávamos conversando quando meu carregador explodiu e a bateria do celular queimou. Pedi pra Aila te avisar, espero que você me perdoe. O vácuo não foi intencional, quero muito dar continuidade a nossa conversa, mas ainda estou sem celular por enquanto.
    Quero me desculpar também por não ter me ligado que era você postando!! Eu via no feed, mas só me toquei que era você quando entrei no blog. Um pouco desatenta. Desculpaaa.
    No mais, eu quero dizer que desconfiei de Wilmer na primeira parte e achei que estava doida KKKKKKKKKKKK porque eu adoro quando o assassino está entre os personagens, então desconfiei tanto dele quanto do joe. Estou amando essa curta, amo tudo que tu escreve ♥
    Beijos, morrendo de saudades e de vergonha pelo vácuo e pela minha lerdeza. Mas o amor é o mesmo.

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  3. AAAAAAA EU SABIA QUE ERA O WILMER MEU DEUSSSS
    EU NÃO ACREDITO QUE EU TAVA CERTA BIXO TRACEI O PERFIL DELE CERTINHO
    MALU A MAIOR INVESTIGADORA CRIMINAL QUE VOCÊ RESPEITA

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