Running – 10° Capítulo.

Maratona de Running 3/3


Demetria tinha longos cabelos pretos quase na sua cintura e apesar de ama-los, sempre incomodavam no calor, por conta disso, sempre vivia com ele em um rabo-de-cavalo. O suor do seu pescoço indicava uma casa que mal tinha ventilação e o nervosismo sobre a investigação ajudava no fervor daquela casa.
Passará cerca de duas semanas desde que os encontros de Wilmer e Demi tornaram-se recorrentes sempre com a presença de Alexa cujo pensamento era que seus pais, finalmente, estavam juntos de novo. E as coisas encaminhavam na cronologia que Wilmer tinha criado, até mesmo o fato de Yoki ter fugido de sua vista, mas ainda estar na cidade. Esse era o menor de seus problemas, pelo menos, era o que Wilmer acreditava.
As reuniões começavam tarde da noite e ia pouco antes do amanhecer, uma coisa que entregava o retorno ao café e olheiras fortes que Demetria aparecia durante a tarde no escritório. Além do que, o fato de estar todos os dias ao lado de Alexa e verificar o bem-estar da filha, Demi passou a ficar mais tranquila quanto o investiga mento de Thomas e Joseph. E Joseph desconfiava no motivo que Demetria poderia ter abaixado a guarda.

- Aqui está o mandato de busca que pediu. – Thomas entrou sem pedir licença na sala de Demetria e colocou um papel em cima da mesa, Demetria verificou a assinatura do juiz e abriu um sorriso.
- Obrigada Tom. – Agradeceu gentilmente. – Unirei uma equipe e no final da tarde iremos a esses lugares.
- Por que não agora?
- Porque Yoki sumiu da vista dos meus informantes. – Demi explica. – E no final da tarde ele possa abaixar a guarda. Eu quero cinco equipes dentro de cada perímetro, ele deve estar em alguns desses lugares.
- Sua investigação, sua decisão. – Thomas afirma com meio sorriso. – Wilmer também sumiu de vista, não sabemos como onde recomeçamos. Você não.... Esconde nada, certo?
- Claro que não. – Demi suspira com uma falsa preocupação em seus olhos. Ela sabia de muita coisa e escondia o dobro disso, mas não poderia estragar as coisas nessas alturas. – Apenas tragam minha filha de volta, estou confiando em você mais do que nunca!
- Iremos trazer Alexa novamente. Colocamos agentes em todas as saídas de Washington. Wilmer não sairá da capital sem passar por nós.
- Fale quando terem alguma novidade. – Demi se levanta. – Irei para casa tomar um banho e volto mais tarde para a busca. – Puxa sua jaqueta.
- Não é seguro ficar até tarde trabalhando. Melhor ir e descansar por hoje.
- Thomas, quando foi que deixei meu sono atrapalhar? Nunca. – Afirma confiante.

Ele apenas riu e concordou, nunca acontecerá com Demi qualquer erro em uma investigação. Demi calçou seus sapatos e aguardou o elevador.

- Indo para casa?

Demi se assusta com as mãos que envolveram seu corpo e sorriu ao reconhecer a voz e a barba que passou pelo seu pescoço.

- Sim, não tomei banho hoje.
- Estou sentindo falta de dormir com você. – Joseph sussurrou no pé de seu ouvido.
- Também, mas isso vai acabar logo. E poderemos tirar todo esse atraso. – Disse beijando-o rapidamente e entrou no elevador. – Até mais, Joe. – Demi sorriu.

As portas do elevador se fecharam e Thomas parou no lado de Joseph que encarava as portas fechadas.

- Ainda nada?
- Não há mais nada nos corpos, Thomas. Tenho que liberar para a família, as autopsias já foram conclusas e não temos nada. – Joe disse emburrado. – Ele está muito quieto e está tudo tão…. – Joseph respira fundo. – Tem algo estranho que não estou conseguindo ver.
- O que acha que é?
- Nada, nada. Acredito que estou encurralado por Wilmer e eu odeio sentir que ele está um passo em nossa frente novamente. – Joe sabia controlar sua raiva, mas suas bochechas ficavam avermelhadas quando nervoso.

***

Ligou o chuveiro e relaxou seu corpo, Demetria não fazia aquilo já fazia um bom tempo. Sentia-se no controle das coisas dessa vez, ela sabia mais que todos, era capaz de mudar o jogo quando fosse preciso. Estava bem.
Secou seu corpo com rapidez e deitou nua na cama adormecendo por alguns minutos.
Ou algumas horas.
Acordou com Joseph beijando sua testa e tirando sua roupa pelo quarto. Ela sorriu ao observa-lo distraído – ele não tinha percebido que a despertou.

- Que horas são? – Ela pergunta e Joseph se vira em um pulo.
- Já são 21h. – Joe responde olhando no seu relógio de pulso e Demi levanta.
- Oh, era hoje que faria a busca de Yoki. Perdi a hora.... Tenho que falar com.... – Demi coloca a mão na cabeça. – Thomas sobre isso, ele deveria estar esperando.
- Thomas saiu primeiro que eu do escritório, Demi. Hoje não acontecerá mais nada.
- Ainda assim. – Demi olha para Joe que demostra certa decepção. – Hoje será rápido, tenho informantes nesse caso que precisam de atualizações minhas. Irei voltar em breve.

Demetria foi até seu lado do guarda-roupa e vestiu uma roupa mais simples – conjunto de moletom preto e um tênis esportivo. Era a roupa que ela mais usava durante a noite porquê de longe eram as mais confortáveis. Beijou Joseph duas vezes e saiu de casa com o celular na mão. Ela discou o número de Anne Green, a única que tinha o telefone fixo entre os dois.

- Me encontre no lugar de sempre. – Anne disse e logo desligou o telefone.

Revirando os olhos, Demi guardou seu celular e começou a correr pelas ruas como se estivesse praticando corrida, nada mais que isso. O local de sempre era a praça que Wilmer costumava levar Alexa para passar as tardes, onde Demi encontrava os dois e iam para casa juntos novamente.
Naquela hora da noite, o parque estava vazio e Demi reconheceu a fisionomia de Anne Green de costas sentada em um banco em frente ao lago. Sentou ao seu lado e suspirou pensativa.

- Ele quer saber o que aconteceu? – Anne virou para Demi.
- Adormeci. – Diz junto com uma rápida risada. – De verdade, acabei dormindo.
- É isso que devo dizer a ele?
- Sim, é a verdade. – Demi continua. – Escute, Yoki sumiu e é pouco provável que ele esteja nos lugares que o Wilmer diz com precisão. Se acharmos os corpos, se eles realmente existem e estão enterrados onde acham que estão.... Yoki já era.
- Os corpos estão onde achamos que estão porque eu já vi um. – Anne assume e fecha os olhos arrependida. – Uma vez, encontrei um em minha casa. Pelo menos, eu não sei, estava plantando minhas rosas e achei uma mão. Não tive coragem de chamar a polícia ou outra pessoa, tive medo e foi quando nos mudamos. Yoki leva tudo para o lado pessoal e eu sei que Wilmer tem razão onde ele apontou estar os corpos da vítima.
- Você confia muito em Wilmer, não? – Demi encara Anne. – Uma vez que ele fez o mesmo que Yoki Scammander, Wilmer Vanderrama não é diferente.
- A diferença é como ele lida com isso. Ele quer vingança, eu também quero! Wilmer não machucou ninguém até agora.
- Tem certeza?
- Para vocês serem do FBI, as investigações de vocês são ruins. – Anne diz nervosa.
- Então esclareça os três primeiros corpos que achamos. Não eram vidas?
- Dolly Sanders era advogada de Yoki e quem o ajudou a sair da cadeia e me achar, ela basicamente exigiu que eu retomasse um relacionamento com Yoki fora do presidio porque ele precisa ter onde ficar. Tive que fugir e foi eu quem disse para Wilmer sobre ela. A segunda era a promotora que usaram para fazer Yoki sair após o acordo de espancar Wilmer.
- Sabe o nome de quem mandou?
- Jonas, algo assim. – Anne responde confusa. – E a terceira já estava morta, Wilmer só colocou o bilhete para você. Não foi ele.
- Então, Wilmer matou apenas duas mulheres que, segundo você, mereciam. – Demi começou a rir da cara de Anne. – Você percebe o quanto isso soa doente?
- Você está junto nisso, detetive.
- Porque eu tenho uma filha que está nas mãos deles, uma filha que eu não quero que cresça traumatizada e é porque isso que faço o que faço. – Demi se defende. – Já você, o que tem tanto a perder em apoiar Wilmer?
- Minha vida! Você não faz ideia do que é ser a outra mulher, não é? Você é a detetive que aparece na televisão dando declarações, entrando e saindo dos lugares e pessoas dizendo o quanto você é a melhor, o quanto você tem poder, um distintivo e uma arma. No outro lado, meu lado, tem mulheres que não tem uma arma ou poder de prender um homem, ninguém teme nenhuma de nós. Por isso, sobrevivemos, nos vingamos quando podemos.

Demi engoliu a saliva a seco e ficou em silencio por longos minutos.

- Apenas diga que amanhã farei a busca e tudo que combinamos. – Demi se levanta. – E Anne, mesmo eu sendo uma mulher com poder, com arma e distintivo. Isso não impediu Wilmer de fazer o que fez. Foram seis mulheres, uma delas ele a matou e voltou para cama comigo e transou como se nada estivesse errado e quando descobri... – Demi rindo debochada. – Ele tentou me matar da mesma maneira, no final, ele não parecia arrependido. Era minha culpa! Wilmer não mudou, essa parte dele está dentro dele e só não faz nada porque ele se sente no poder dessa vez.

Demetria começou a caminhar pelo parque enquanto Anne permaneceu sentada no mesmo lugar, cerca de cinco minutos depois, Anne levantou-se e andou pelo lado oposto de Demi – e ambas foram para respectivas casas cujo um homem, em cada uma, a esperavam.

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