MELODRAMA
Palavras podem quebrar uma pessoa em milhões de pedaços, mas elas também podem juntá-los novamente. Eu espero que vocês usem suas palavras para o bem, porque as únicas palavras que você vai se arrepender mais do que as que você não falou, são aquelas que você usou para machucar alguém intencionalmente. Há um tempo para silêncio. Há um tempo para esperar a sua vez. Eu não acho que você deve esperar, você deveria falar agora.

Running – 7° Capítulo.


- Quanto tempo passou planejando isso? – Demetria pergunta com curiosa ao passar os olhos pelas anotações de Wilmer.
- Quando se passa muito tempo na solitária você cria um hobbie.
- Mas aqui tem informações mais sigilosas....
- Esse homem matou um guarda e machucou uma visitante. Ele tinha inimigos.
- Então você não fugiu da cadeia sem ajuda de ninguém. – Demi concluiu.
- Não. – Wilmer sorriu. – Vai me ajudar a prendê-lo?
- Tenho alternativa?
- Não tem.
- Amanhã entregarei isso ao meu chefe para aprovar as investigações com a condição de ver minha filha pessoalmente. Nunca fiquei tão longe dela apesar de você me culpar.
- Como posso confiar em você? – Wilmer pergunta.
- No mesmo jeito que estou confiando em você agora.
- Amanhã à noite irei te ligar para mais instruções.
Wilmer começou a dar passos lentos para trás observando Demi parada.
- Não pegue sua arma agora. – Avisa.

Demetria observou Wilmer pegar o elevador e desaparecer do terraço. Ela correu para pegar sua arma e observou pela última vez Yoki na lanchonete – sua intenção era gravar a fisionomia do homem.
Guardou sua arma na cintura e desceu o elevador mais aliviada. Andando pela calçada, Demi percebeu que ainda tinha pessoas a seguindo – provavelmente capangas que buscam qualquer tipo de promoção do Thomas. Sem ter muito o que esconder, continuou a andar mais tranquila. Seu coração apertava no peito em sentir que estaria mais perto de ver Alexa.

***

Abriu seus olhos e sua visão estava embaçada, relaxou seu corpo na cama e voltou a abrir os olhos novamente. Dessa vez enxergava melhor o ambiente em sua volta, o som da televisão no lado de fora do quarto chamou atenção de Demetria que levantou com calma e andou com quase que rastejando para sala onde voltou a deitar no colo de Joseph – que sorriu ao ver Demi de bom humor desde que a viagem de ambos fora interrompida.

- Como está hoje? – Perguntou acariciando os cabelos de Demi.
- Para ser sincera, estou bem. – Sorriu aliviada.
- Fico feliz. Estava pensando em fazer algo hoje para aliviar toda essa pressão.
- Por mim, ficaria em casa com você. Dessa porta para fora só temos problemas.
- Como está em relação a Alexa, Demi?
- Ruim, é claro. Tenho medo do que minha filha está presenciando ao lado de Wilmer e no que ele é capaz de fazer. Sinto falta dela, mas existe uma parte de mim que acredita que ele não é capaz de machuca-la.
- Ele tentou matar você. – Joseph a lembrou deixando-a estremecida.
- Eu lembro disso.
- Você não sabe o que ele é capaz de fazer Demi
- Joseph! – Demi levantou-se e gritou. – Por favor, não.... Estrague as coisas! – Tentou se acalmar sozinha. – Me dói e me corrompe saber que Alexa está com ele, mas eu não sei o que fazer agora sobre isso. Tudo que eu quero é ela ao meu lado novamente, mas o que eu irei fazer se não acreditar que ela está bem. Quer dizer, ela está bem. Você viu aquele celular, os vídeos, as fotos.... Lexa brincando, sorrindo e.... é tudo que eu tenho agora.
- Não quero magoa-la, apenas...
- O que?
- Nada. – Joe tentou abraça-la. – Apenas não acredite nele. Wilmer não presta.

Os lábios dos dois se tocaram pela primeira vez a muito tempo e o beijo era sempre caloroso, mas durou poucos segundos quando Demi interrompeu para verificar seu celular que acabará de vibrar em sua perna. Abriu a notificação e era um e-mail de Thomas autorizando a sua nova investigação com Wilmer.
Ela sorriu ao ler a autorização, Alexa estava mais perto de voltar aos seus braços.

- É sobre o que esse caso?
- Venho trabalhando nele algum tempo. – Responde vagamente. – Sobre um russo que matou cerca de trinta mulheres e ganhou condicional. Nem todos os corpos foram achados e eu reuni informações que ajuda a pega-lo.
- Russo?
- Seu nome é Yoki Scammender. – Diz deitando no ombro de Joe que estremeceu ao ouvir aquele nome.
- E você sabe o que mais sobre ele? Precisa de ajuda nesse caso?
- Sabe que trabalhamos melhor separados. – Demetria responde voltando a beijar Joe.

Joseph abriu um falso sorriso tentando transmitir confiança, mas sua cabeça começou a doer – era aquelas dores de cabeça repentinas quando se leva um choque. Apenas de ouvir o nome de Yoki Scammender o deixou infeliz, mas ao lado de Demi ele jamais queria permitir que ela o visse assim. Ela era a luz de sua vida e moveria o mundo por ela.
Demi levantou a blusa de Joseph para tira-la voltando a beija-lo com mais intensidade. Era a primeira vez que ela se sentia vida desde que a escuridão voltou a domina-la, sentir a pele de Joe sobre a sua era uma das coisas mais favoritas de sua vida. E mais uma vez, ela tinha certeza que o amava e todo o calor que carregava dentro de si.
Ela se levantou e despiu seu pijama onde já estava completamente nua por baixo, passou a mão pelo seu próprio corpo e agarrou as palmas da mão de Joseph manuseando por todo seu corpo. Nessas alturas Joseph já estava excitado em provar o corpo de Demi novamente ao seu, seus dedos desciam com lentidão pelas pernas da Demi onde começou a beija-la com carinho, mas Demi tinha pressa e sentou no colo de Joseph sentiu seu pênis ereto entre suas pernas.

- Senti sua falta, Demi. – Diz como um sussurro em seus ouvidos voltando a beija-la.

Com ajuda de Demi, Joe levou sua calça até o chão da sala e a penetrou com força fazendo a soltar o primeiro gemido da noite. Seus olhos reviravam-se de tesão e seu pescoço já começará a suar com o calor do ambiente. Beijando todo seu corpo, Joseph agarrou a bunda de Demi para penetrar cada vez mais forte dentro de si. Como era bom sentir isso, foram as únicas horas que Demi conseguiu desligar-se dos seus problemas e sentiu que sua vida estava bem novamente.
O sexo se tornará ainda mais forte e a cada vez que voltavam a se tocar, o tesão dobrava entre eles. Do sofá para cama, da cama para o chuveiro. Não era uma surpresa, mas ainda tinha uma paixão grande entre eles e uma sintonia perfeita entre seus corpos.
Demi deixava a agua cair pelo corpo de Joe e beijava todo seu peitoral enquanto massageava o pênis de seu amado, os dois se banhavam juntos enquanto trocavam caricias. O celular de Demetria começara a tocar onde ela o deixou longe sem ligar, mas as ligações insistiam e como nada bom dura para sempre. Era como se a agua fria caísse sobre a consciência de Demi naquele momento.

- Espere um minuto! – Demi diz saindo do box.
Ela enrolou-se em sua toalha e saiu do banheiro deixando pegadas molhadas pelo caminho, seu celular ainda estava em cima do celular e o número desconhecido na tela a chamou atenção. Olhou para trás para verificar o que Joseph fazia, ele ainda estava tranquilo tomando banho.

- Pensei que não atenderia! – Wilmer ainda continua risonho.
- O que quer?
- Quero saber sobre a autorização, podemos começar a trabalhar?
- Sim, eu consegui! Já é 22h, deixamos isso para amanhã.
- Agora!

Demi bufou e olhou rapidamente para o banheiro Joseph tomando banho.

- O que é de tão importante fazer hoje?
- É sua decisão, Demi. Hoje ou faça isso sozinha!
- Onde devo te encontrar?
- Eu irei te encontrar hoje. Te ligarei daqui a uma hora para você ir ao estacionamento de onde costumávamos levar Alexa quando estava triste.
- Oh, você não ousaria.
- Cabe a você tomar a decisão. Eu irei espera-la.

Wilmer desliga o telefone e Demi olha para trás levando um susto ao ver Joe enrolado em uma toalha a olhando.

- Aconteceu alguma coisa?
- Sim.... Ah.... Preciso sair agora. É sobre meu novo caso. – Demi estava perdida com suas informações. – Agora.
- Agora? Hoje é sábado, já são dez horas da noite.
- Sim, sim. Eu sei disso, mas eu preciso ir resolver isso logo porque tenho um informante que precisa de mim.
- Acharam Yoki? – Joseph pareceu interessado.
- Não sei exatamente. Escute, tentarei voltar em breve, tudo bem!? – Demi abriu um sorriso. – Quando tudo isso acabar.... Hoje será a nossa realidade de todos os dias, Joseph.

Ela o beijou rapidamente e foi para o quarto trocar de roupa. Seria a mesma roupa que usou no dia anterior e prendeu seu cabelo em um coque alto deixando algumas gotas caírem quando mais se mexia. Demi acenou para Joseph ao fechar a porta da casa.

***
- Mamãe virá?
- Espero que venha. – Responde observando a filha no banco do passageiro brincando com uma boneca. – Prometi que ela viria e ela virá.

Wilmer arrumou o seu boné e olha distraidamente o estacionamento vazio. Ele estava no último andar no estacionamento do parque favorito de Alexa. No entanto, a filha sempre teve medo de altura e eles sempre estacionaram no segundo piso – onde Demi já tinha chegado e aguardava a ligação de Wilmer para mais instruções. Quando se passou uma hora, Wilmer ligou para Demetria para confirmar seu paradeiro, já estava no local.

- Escute, Lexa, sua mãe chegou e eu irei busca-la agora. Não iremos demorar, então, vá para o banco de trás, irei trancar você aqui dentro e fique deitada. Quando bater assim no vidro.... – Wilmer demostrou dando dois toques no vidro. – Você levantará, tudo bem?
- Sim, papai. – Alexa respondeu atenta as instruções.

Wilmer beijou a cabeça da filha e ajudou-a pular para o banco de trás onde viu a filha rir enquanto deitava com sua boneca no colo. Saiu do carro e tirou o revolver, descendo três rampas, ele já conseguia avistar Demetria.
Ambos apontaram a arma com sincronia um para o outro.

- Sua arma, por favor. – Wilmer pediu. – Entregue lentamente pelo cabo.

Demi começara a rir, era uma situação que a deixava ainda mais nervosa com a situação.

- Tudo bem. – Responde entregando seu revolver pelo cabo, Wilmer guardou na sua cintura. – Vamos subir a rampa.

Demi passou por ele – que continuava a apontar o revolver, mas logo o guardou. Em silencio, subiram as rampas e foram em direção ao único carro no estacionamento. Era um péssimo carro que terá concluiu que Wilmer roubou de um ferro-velho qualquer.

- O que faremos aqui? – Demi pergunta.

Sem responde-la, Wilmer passa por Demi e encosta no carro batendo duas vezes no vidro. Demi percebeu uma movimentação no carro, ele abriu a porta e Alexa pulou do carro correndo para encontrar os braços de sua mãe que chorou ao sentir o abraço de sua filha novamente.

- Como você está, Lex. Você está bem? Como está se comportando?
- Tô bem, mamãe. Nós estamos brincando muito. – Responde risonha. – Estava com saudades.
- Também estava com saudade. – Demi volta abraça-la de maneira quase sufocante.
- Seu pai está cuidando bem de você.... Está comendo bem, dormindo...?
- Uhum. – Alexa concorda com a cabeça. – E ganhei uma boneca nova. – Mostra uma boneca de pano para a mãe que ria de satisfação ao ver sua pequena.

Wilmer afastou-se das duas para dar privacidade. Ele abriu a porta do banco de trás e pegou uma pasta. Depois de alguns minutos de euforia, todos estavam mais calmos com a situação e, então, Wilmer entregou para Demi a pasta.

- Aí está tudo que tenho.
- O que é isso? – Perguntou abrindo a pasta.
- O mapa que fiz dos corpos. A margem de erro é de 1km para norte ou leste.

Demi observou com atenção e assentiu.

- Tudo bem. – Responde. – E depois?
- Apenas investigue isso primeiro. – Wilmer diz.
- Quanto Alexa?
- Ficará com o pai por um tempo. – Wilmer sorri. – Pouco tempo, se depender de você.

Demi concorda com a dor no coração em separar seus braços de sua filha novamente sem ter previsão de quando a verá. Alexa abraça a mãe pela cintura apoiando-se nas pontas dos pés, acena e entra no carro novamente de maneira tranquila. Para a criança, aquilo era como há dois anos trás quando seu pai a levaria para a escola e ela se despedia da mãe em casa ou no serviço. Wilmer fecha a porta e entrega a arma de Demi, ela olha pelo vidro a filha já distraída com sua boneca,

- Ela está bem comigo, não se preocupe com ela. – Wilmer garante perspicaz.
- Apenas quero acabar com isso logo.

Wilmer entra no carro e da partida passando por Demi e some pelo estacionamento deixando-a sozinha com uma pasta e revolver na mão.

2 comentários:

  1. mto bom eu estou adorando a fic

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    1. Fico feliz que tenha gostado. Irei fazer uma maratona em breve.

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