Running – 11° Capítulo.


- Prestem atenção no que eu vou dizer porque eu quero dizer isso apenas uma vez! – Demetria disse em voz alta. – Yoki Scammander é um presidiário em condicional, ele tem direitos aqui fora e nós temos que fazer com que não percamos a razão. Ao ser condenado, Yoki foi fichado apenas por cinco homicídios, mas informações dentro e fora do presidio apontaram para mais de trinta homicídios. Ou seja, Yoki deveria estar condenado a prisão perpetua e não andando pelas ruas como um homem livre. Além disso, Yoki é perigoso. Suas vítimas, apesar de serem apenas mulheres, não tem nenhuma conexão uma com a outra e ele mantem uma boa aparência de um russo qualquer vivendo na América. Não podemos deixar que isso nos engane, ele conseguiu fugir da polícia e de todas investigações por mais de trinta vez e ainda enterrou corpos em lugares que só ele tem conhecimento. Esse processo, essa investigação não se trata apenas dele e sim dar paz as famílias que tem esperança de saber onde estão seus entes queridos. Temos que dar essa paz para eles, temos que achar cada corpo e identificá-los. Hoje será um longo dia para nós, pessoal. Ficam atentos porque no momento em que mais de cinco corpos forem descobertos, a foto e nome de Yoki estará na televisão, em rádios, na internet e queremos acha-los, queremos que o público nos ajude a acha-lo. Vamos fazer isso! E direito!

***

- Chame a agente Lovato! Achamos o quarto corpo!

***

Demetria coloca um par de luvas e entra na área estrita apenas pelo FBI. Logo pela manhã todo o bairro industrial pouco longe do centro da capital foi tomado por caminhões do FBI e dentro do escritório Demetria supervisionava de longe e não teve erro. Os primeiros locais verificados estavam corretos e até meio dia, oito corpos tinham sido desovados e prontos para serem identificados.
Era hora de anunciar a prisão de Yoki Scammander que ainda estava sendo procurado por outros agentes, incluindo Wilmer que passou semanas desde que fugiu em busca dele. Alguns reportes já estavam apostos em frente à sede do FBI à espera da declaração de Demetria.
Após descer o elevador e ir no sentido saída do prédio, Demetria já sentiu os flashes em seu resto e foi até o único microfone que tinha no pódio improvisado.
- Boa tarde a todos. – Iniciou com um sorriso singelo. – Essa manhã iniciamos uma investigação sobre o serial killer Yoki Scammander, responsável por matar cerca de trinta mulheres no período de um ano. Yoki foi condenado apenas por cinco homicídios, mas até nesse momento já desovamos oito corpos e não iremos parar até encontrar todas suas vítimas, identifica-las e dar paz as suas famílias. Por hora, Yoki está foragido porque recebeu condicional de sua sentença, mas está sendo procurado por toda capital. Essa é a foto de Yoki, quem o viu nas últimas semanas ou vê-lo hoje, não o enfrente, ligue para a polícia porque ele é um homem perigoso para todos que tentar cruzar seu caminho e impedi-lo de sua liberdade.

***

- Já temos quantos corpos? – Thomas perguntou a Demetria.
- A última atualização foram treze corpos. – Responde como vitória.
- Não quero dizer antes do tempo, mas se você conseguir resolver esse caso e capturar Yoki vivo, você terá uma promoção. – Thomas sorri e dá dois tapas leves no ombro de Demi. – Torço para isso.
- Senhor, tenho uma dúvida. – Demi o alcança na porta. – Uma coisa que não consigo tirar da minha cabeça, como é que Yoki saiu da cadeia?
- Pensei que você pudesse me responder essa pergunta, você conseguiu tudo sobre ele.
- Sim, sim, eu sei de coisas, mas alguns arquivos. Pelo menos o arquivo da condicional dele é secreto e eu não consegui acessa-los.
- Está pedindo para que eu consiga esses arquivos, não é, Demetria? – Thomas ri. – Tentarei conversar com alguns amigos meus e verei o que consigo para você.

Demi dá um sinal de agradecimento com a cabeça e volta a se sentar na cadeira. Era como se uma onda de sorte pousasse sobre ela, mas não poderia confiar em o que Anne ou Wilmer disse a ela. Terei que saber por si só cada peça desse tabuleiro.

***

Já era tarde da noite quando Demetria chegou em casa tirando seus sapatos e suas roupas. Ela chamou por Joe, mas ele não a respondeu fazendo-a concluir que não estava em casa. Demi olhou para foto de Alexa em sua cabeceira e abriu um sorriso – fazia menos de 48h que não via a filha e já apertava o peito de saudades.

- Voltará para mim em breve, Lex. – Demi disse encarando a foto.

Deixou a foto perto do abajur e deitou na cama encarando a filha até adormecer.

***

Seus olhos despertaram novamente, Wilmer dormia no sofá de braços cruzados e com uma pequena manta por cima. A casa que tinha tomado para si era velha e emadeirada com uma pequena sala e cozinha como mesmo cômodo, dois quartos e um banheiro no fim do corredor – o primeiro quarto era onde Alexa dormia e o segundo para Anne deixando Wilmer mais atento dormindo em um sofá rasgado perto da porta e da mesa onde todos suas pesquisas eram feitas.
A maçaneta da porta começou a se mexer pelo lado de fora que mostrava uma sombra, Wilmer levantou-se rapidamente em silencio e correu para o quarto de Alexa, tentando não acordar sua filha, o homem colocou a mão na boca da garota e transportou ela no colo para o segundo quarto onde Anne dormia mais tranquilamente. Wilmer a cutucou e fez sinal de silencio, Anne com seus olhos mais arregalados do que de costuma assentiu permanecendo em silencio e pegou Alexa no colo.

- Se escondam. Tem alguém aqui. – Wilmer sussurrou no pé de seu ouvido.
- Quem, Wilmer? – Anne disse preocupada.
- Não sei, apenas se esconda. – Wilmer repetiu.

Ele pegou sua arma guardada em sua cintura e se escondeu atrás da porta do primeiro quarto. Enfim, a porta se abriu em silêncio e Wilmer observou a entrada do intruso por uma pequena fresta, mas era difícil de identificar de longe. A casa estava escura.
Os primeiros sons vieram da sala e uma lanterna foi acessa lá deixando Wilmer ainda mais nervoso com a situação. Teria sido Demetria traído ele? Como ele ainda não sabe ver quem é que o achou? Muitas questões deixavam Wilmer com o teto no gatilho pronto para derrubar o primeiro necessário para não estragar todo seu plano.
A lanterna foi direcionada ao corredor e Wilmer ficou ainda mais nervoso com o que faria a seguir. Ele se escondeu um pouco melhor e pela fresta da porta, Wilmer balançou a cabeça negativamente identificando quem era.
Não, ele não poderia matar e nem mostrar seu rosto. Então, o que faria?
Passando pelo primeiro quarto onde Wilmer se esconderá, com passos silêncios Wilmer segurou pelo cano da arma e apunhalou o intruso pela cabeça fazendo o cair no chão. Balançando a cabeça negativamente, Wilmer chamou Anne que levou um susto ao ver quem estava desmaiado no meio daquela velha casa.

- Como ele soube que estávamos aqui? – Wilmer perguntou para Anne.
- Demetria? – Anne diz nervosa. – Alexa ainda está dormindo, o que faremos?
- Bom, não podemos mata-lo. Ele faz parte do meu plano, mas eu terei que achar outro lugar para ficar com Alexa porque aqui não é mais seguro.
- Espere, Wilmer! E eu? O que faço? – Anne segurou a mão de Wilmer.
- Ficará aqui e eu entrarei em contato com você até tudo ficar mais calmo. Algo aconteceu para ele ter descoberto onde estávamos e se não é seguro para mim, não poderia deixar as coisas segura para você.
- Ele estava com Yoki, se você ir embora.... – Anne começou a tremer de medo. – Yoki pode me achar, não pode?
- Não, Anne, não! Yoki não irá te achar. – Wilmer afirma. – Confie em mim, tenho um plano.

Anne assentiu com a cabeça e abraçou Wilmer de surpresa. Era a primeira vez que os dois se tocavam com algum afeto, mas Wilmer pareceu desconfortável e arrasto o corpo apagado para o fim do corredor.

- Preste atenção no que iremos fazer agora. – Wilmer diz para Anne. – É importante saber que as coisas mudaram e não sabemos se Demi nos traiu.

***

O telefone toca e Demetria abre os olhos com preguiça. Teria perdido a hora? Pensou ela e correu para atender o telefone. Ao olhar para a janela viu que ainda estava escuro e o relógio indicava quase três da madrugada.

- Demi? Desculpe te acordar. – Thomas diz. – Preciso que venha para o hospital.
- O que houve? – Demi pergunta preocupada. Muitas coisas passaram por sua cabeça.
- Não posso dizer no telefone, entre pelo ponto socorro. – Thomas finaliza a ligação.

Demi olha para o telefone e se preocupa ao ver que Joseph não estava deitado ao seu lado. Isso jamais acontecerá, não tinha nenhuma outra ligação em seu celular. O que tinha acontecido enquanto dormia?
Não excitou em levantar e colocou a primeira roupa de seu armário. Seria a primeira vez que Demetria aparecia desarrumada no campo de trabalho, ela sempre se preocupava com sua postura, mas a preocupação ocupou sua mente por total.
Estacionou o carro em frente ao hospital e entrou pelo ponto socorro indicado por Thomas, já na entrada Demetria reconheceu muitos policiais que fazem guarda e Thomas no fim do corredor. Ela deu uma rápida corrida para alcança-lo.

- O que aconteceu, Thomas? – Demi disse quase sem folego.
- Joseph.... – Thomas responde. – Não sei explicar o que aconteceu, estamos esperando ele acordar para perguntar o que aconteceu mas parece que ele invadiu uma casa e foi atacado.
- Joseph invadiu uma casa? – Demi repete sem acreditar. – Que casa?
- Casa da ex-mulher de Yoki Scammander, parece que ela estava escondida em uma casa e atacou Joseph pensando que era seu ex-marido. Ela quer falar com você, exige que soltemos ela por ser sua informante. O que sabe disso?
- Oh, Deus! – Demi coloca a mão no rosto. – Sim, ela é minha informante. Onde ela está? O que ela disse ou o que Joseph contou?
- Ele ainda não acordou. – Thomas responde. – Demi, precisamos de uma explicação porque ela atacou em um agente federal, estava escondida.... Precisamos entender.
- Calma, por favor, apenas preciso ver Joe. – Demi suspira. – Me dê até meio dia para esclarecer as coisas, por favor!
- Irei segurar a barra até meio dia. – Thomas responde. – Irei para casa voltar a dormir.

Demetria se despede de Thomas e é designada onde Joseph adormia com a cabeça enfaixada. Ela pega em sua mão e o beija, seu coração apertou ao ver Joe naquele estado – mesmo quando o médico a disse que ele não estava gravemente ferido ou sofrendo riscos de morte. Era triste vê-lo daquela maneira.

- Onde diabos foi se meter, Joe!? – Demi disse em voz alta, mas não obteve respostas, ele estava completamente sedado.

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