Running – 14° Capítulo.

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- O FBI afirma vinte e sete corpos confirmados, apenas mulheres assassinadas por Yoki Scammander, russo foragido da polícia. Se você o vê-lo, não o enfrente, ligue para a polícia. – A primeira repórter diz.
- Esse caso me lembra de Wilmer Valderrama, que assassinou cerca de dez mulheres e hoje está foragido da polícia também. – A segunda diz. – Ambos dividiram celas juntos, segundo uma informação que recebemos. Ambos são perigosos, ainda mais para mulheres.

Anne desligou a televisão ao ver o rosto de Wilmer sendo comparado com de Yoki. Era a última coisa que ele esperava ver nos últimos dias, acariciando as costas de Alexa que adormeceu em seu ombro. Wilmer colocou a filha com cuidado no sofá para que continuasse a dormir. Anne sentou em uma cadeira e observou Wilmer andar de um lado para o outro pensativo. Ele tinha marcado um encontro com Demetria para o início de madrugada e estava ansioso, ele sempre aparentava ansiedade ao saber que iria ver Demi novamente.
Era tanta coisa que gostaria de dizer a ela, fazer insinuações, tentar persuadi-la a coisas. Em contrapartida, Anne não gostava de vê-lo assim, por parte, Anne tinha ciúmes de toda a situação. Durante esse tempo, ela criou um carinho não correspondido por Wilmer. O queria de tanto que ele a prometeu proteger como protegeu, mas ele não tinha nem olhos e nem atenção para a moça que tanto fez por onde. Era apenas o profissional, pelo menos, ele achava assim.

- Wilmer, o que espera ouvir de Demetria? – Anne quebra o silêncio.
- Não sei, se ela estava com raiva, é provável que a ira dela continue. Sempre foi nervosa demais com as situações que não tivessem seu controle.
- Acha que ela vai honrar algum acordo que pediu?
- Não sei, mas você terá que fazer uma última coisa para mim antes de viver sua vida.
- Quais são suas intenções. Digo que ainda podemos partir, todos procuram Yoki.        
- Anne, um dia vai entender que o melhor para você é buscar ser livre. E sozinha.
- Quem disse que quero ser sozinha? – Retruca o encarando.
- Eu digo. – Wilmer sorri e pega em sua mão. – Aprecio o que nos trouxe até aqui, mas depois de hoje cada um deverá seguir seu caminho e você não deve ficar presa ao meu.
- Wilmer.... – Anne toma coragem. – Não entendo o porquê você fez o que fez. Você me parece tão.... Completo e se você me disse a verdade, não vejo razão para matar.
- Estava doente esperando que Demetria me amasse por igual, mas eu já odiava ela por um tempo. Apenas não sabia como machuca-la e nem tinha coragem. – Wilmer olha para Alexa. – Ela é o fruto mais belo entre nós, do amor que tínhamos.
- Apenas por não ter coragem de machucar quem ama?
- Não é “apenas”, amor e ódio envolve mais coisa. – Wilmer responde. – E você, o que viu em mim?
- Um homem maravilhoso que não esteve com a pessoa certa e tomou más decisões. Se você tivesse ao lado de quem te ama e valoriza, sua vida teria sido ótima. Teria sido um ótimo profissional e pai, como é, mas não precisaria fugir.
- Você se engana em achar que é apenas o que Demi se tornou. Você não deve odiá-la. – Wilmer alerta Anne. – Demetria é a única que pode te ajudar.
- Sei que não vai mudar de ideia. – Anne dá de ombros. – Mas deveria pensar mais.
- Aclamo por hoje já faz anos, Anne. Não trocaria meu encontro com Demetria essa noite por nada porque eu a conheço e também conheço Joseph Jonas. Sei que os dois colocaram as caras um para o outro, era isso que queria.
- E se não colocaram?
- Hoje servirá para ela ver isso também. – Ele abre um sorriso. – Ganharei no mesmo jeito.
- Você sabe demais dela, não é?
- Costumava ser terapeuta de luto, mas acima de tudo sabia ler as pessoas. – Wilmer relembra. – Foi assim que vi que o coração de Joseph não batia por Demetria apenas como colega, ele provavelmente a implorava toda noite, se tocava imaginando ela enquanto estava comigo.... – Riu sozinho. – Essa batalha eu perdi, mas a guerra….

***

- Identificamos Yoki Scammander! Repito! Identificamos Yoki Scammander!
Ouve uma celebração rápida na central de comando. Demetria com o sorriso no rosto, pega o rádio e ordena:
- Comece o protocolo de captura. O quero vivo! Repito! Vivo!

Pela câmera que ficavam em cima dos capacetes dos militares, todos da central de comando poderiam ver o que eles viam, o protocolo de captura se iniciou e em menos de quinze minutos Yoki Scammander fora capturado em uma barraca abandonado perto do centro. Algemado, Demetria encarou Yoki pela primeira vez levando a sério tudo que lhe trouxe até ali. Nem tudo tinha ido por agua abaixo, ela capturou um assassino e identificou mais de trinta corpos por toda Washington e dado paz a centenas de famílias que pediam por respostas.

- Sem dúvida terá uma promoção. – Thomas garantiu. – Informações de cima.
- Fico grata por isso. – Demi sorri. – Mas tenho que resolver um assunto essa noite.
- É Joseph? Ele está bem?
- Não conversei com Joe, estamos brigados. – Demi lamenta. – Mas acredito que esteja bem, vou resolver outros assuntos pendentes. Preciso ir.
- Iremos achar Alexa, Demi. Se for esse o motivo da briga, não vale a pena, iremos encontrá-la. – Thomas diz.
- Sim, iremos. – Demi sorri. – Sei que iremos.

Ou melhor, ela irá ver a sua filha novamente.
Demi saiu daquela sala e prendeu seu cabelo em um coque baixo, passou as mãos pela sua nuca e rosto que suavam. Não sabia o que fazer gora, ainda faltava horas para seu encontro com Wilmer.
Sentou em sua sala e pegou seu celular, na foto do fundo de tela era ela com Joseph e Alexa, seu coração apertou por estar longe de quem ela mais amava, lembrou de tudo que acontecerá e das mentiras que acumulou durante esse tempo. Não tinha escapatória alguma, as brigas iam acontecer e cabia ela dar o fim nisso.

***

 Já era tarde da noite e Demetria estacionou seu carro em frente ao deposito que fora designada por Wilmer. Como os primeiros, esse também era abandonado e ela recebeu um sinal de luz no último andar daquele local. Desligou o carro e pegou algumas coisas do banco passageiro e fechou o automóvel.
Respirando fundo diversas vezes para se acalmar, Demi entrou no local e subiu as escadas até o último andar. Estava tudo completamente escuro e com a arma na mão, nesse momento não saberia por onde atirar.
Sentiu uma coisa em sua cabeça, sabia que Wilmer apontava seu revolver. Demi levantou as mãos e Wilmer tomou sua arma. Ela fechou os olhos sabendo que já era de se esperar.

- Está com outra arma aí? – Ele pergunta.
- Me reviste para ver. – Demi o provoca com pouca paciência que lhe resta.
- Cá estou eu, o que gostaria de me dizer? – Wilmer sorriu e andou pelo deposito.
- Cadê Alexa?
- Alexa está bem, caso queira saber. E segura. – Wilmer diz. – Estaria mais segura se seu marido não se intrometesse onde não lhe convém. Alias... – Wilmer sorri. – Como ele está?
- Preocupado com ele?
- Bom, eu teria feito por mim em base do que ele fez comigo na prisão, mas eu pensei em você e no que sentiria em perde-lo. Não fui capaz de machuca-lo. – Wilmer se aproxima e acaricia o rosto de Demi. – Mas com seu rosto e sabendo o que ele fez, era melhor tê-lo matado, não é? 
- Porque não gasta sua bala atirando em si mesmo e faz o bem para todos. – Demi empurra a mão de Wilmer e se afasta. – Vim aqui para ouvi-lo falar de Joseph?
- Veio aqui para eu parabeniza-la, Yoki foi preso. – Ele sorriu. – Conseguimos! Apesar de você ficar com todo o credito, nós conseguimos com muito trabalho e suor. Juntos!
- Quer que eu coloque seu nome no fim da página? – Demi diz irônica.
- Quero conversar com você. Esclarecer alguns pontos do passado. – Wilmer diz. – Como passou esses últimos dois anos? Não conversamos direito sobre esse tempo que passamos longe um do outro. O que aconteceu com nossos filhos?
- Do que está falando? – Demi arregala seus olhos.
- Acha que eu não soube que estava gravida e mais ainda, que eram nossos?
- Alexa é a única. – Demi se afasta olhando em volta. – A única coisa entre nós.
- Porque eles não nasceram. – Wilmer diz. – Joseph sabe que estava gravida?
- Sabia porque era dele os filhos que infelizmente perdi.
- Oh, não seja tola comigo! Antes de tudo acontecer vi os testes de gravidez que fez, todos positivos no banheiro e vem me dizer que eram de Joseph? A não ser que eu estivesse certo, você me traia com ele.
- Que diferença faz para você.
- A verdade, ela faz toda a diferença. – Wilmer insiste em se aproximar.
- Seriam do Joseph, seu sangue seria o mínimo dos detalhes, mas veja que.... – Demi faz pouco caso. – Não faz mais diferença agora.
- Ou seja, foi carregava meus dois filhos na barriga. O que lhe fez perder? O ódio?
- Nunca descontaria em inocentes o que sinto ou já senti por você. – Demi responde.
- Rancor?
- De você, Wilmer, apenas sinto nojo. Um nojo de já ter tocado em você.
- Não era nojo quando eu entrava em você e revirava os olhos de tesão cada vez que eu beijava seu corpo, tocava em seus seios, coloca minha língua por todo seu corpo.
- A cadeia deve ser um péssimo lugar para si viver e apenas sobreviver do passado.
- Como vai Joseph?
- Oh, meu Deus! Você é obcecado, doente por ele.
- Estão planejando o futuro juntos?
- É claro. Depois disso, nós teremos futuros.
- Sempre admirei o modo que vocês mentem mal. – Wilmer começa a rir. – Ambos.
Demi respira fundo e resiste a responder. Apenas observa com os olhos Wilmer andando de um lado e para outro pelo deposito.
- Quando Joseph veio me visitar na cadeia, ele tentou me vender a história de que vocês estavam vivendo o momento mais maravilhoso da vida de vocês, mas ele não sabe mentir e não durou muito. Ele estava farto de ficar ao seu lado, estava cansado de vê-la chorando e o desprezando. Assim como eu me sentia ao seu lado, o que me leva a pensar que a base de todos os nossos problemas e frustações é a mulher que amamos em comum. Você, Demi! Sabia que não duraria muito quando eu saísse daquele lugar, mas não esperava ser tão rápido assim.
- É tudo que você pensava não é. “Vou tentar acabar com Demetria novamente”!
- E não falhei, não é? – Wilmer sentou próximo a Demi. – Você é tão obcecada por mim, preferiu ficar ao meu lado, sujar sua carreira do que ter recorrido a Joseph. O fato é que não confia nele a vida de Alexa, quis resolver tudo sozinha, mas não foi capaz de lidar comigo. – Wilmer aproximou-se do pescoço de Demi. – Ou você acha que não percebi a tensão que existia entre nós toda vez que nos encontrávamos, o modo que você me olhava e se perguntava: “porque não foi diferente?” e olhava Alexa, você tenta, mas não consegue ter isso com Joseph.

Demetria estremeceu ao ouvir aquilo. Infelizmente, Wilmer não mentia. Ela pensou naquilo sim, não era uma mulher de ferro capaz de lidar com sentimentos que sucumbiu dentro de si, não era capaz de lidar amigavelmente com um passado que não chegou a superar. Fazia dela um ser humano ruim? Ora, Demetria já se condenada autossuficiente.
Fechou os olhos e sentiu seu corpo arrepiar com a aproximação de Wilmer sobre seu corpo, tal intimidade nunca morreu dentro dela.

- E houve dias que eu toquei em você, você me tocou como os velhos tempos. O que eu quero é que você admita que seu coração bate mais forte quando me vê e não é de ódio, ou de nojo, como diz. Em sua mente você tenta me colocar em uma má reputação, mas não consegue.

Permaneceu calada, ela não sabia o que dizer. Até mesmo mentir seria difícil.

- Lembra da última vez que transamos? Você se sentia estressada por conta do trabalho e se jogou nos meus braços como se nada mais no mundo se importasse, você rebolou no meu colo e gritou pelo meu nome o resto da noite.

Demi tomou por si Wilmer tocando em seus ombros sem ao menos perceber. Ela se levantou do banco que sentou minutos atrás e afastou-se dele. Sentiu seu corpo repelir seus toques e novamente se condenou por isso. Porque isso acontecia com ela? Seu corpo estava tremulo por dentro, uma ânsia de vomito paralisou sua garganta que a impedia de falar ou responder qualquer coisa.

- Viu! Você nem percebe meus toques. Admita!
- Admitir o que?
- Que sente minha falta, que gostaria que tudo fosse diferente, que ainda me quer.

Demi balançou a cabeça, ela não faria aquilo mesmo que fosse verdade, mas Wilmer apontou sua própria arma contra Demetria.

- Admita! – Repete.
- Sim, é claro que eu gostaria que tudo fosse diferente! Você sabe disso! Temos uma filha juntos, eu te amava com todo meu coração, teríamos mais filhos juntos! É claro que eu gostaria que fosse diferente, que você não tivesse matado outras pessoas e ainda dizer que foi por mim, eu queria ter sido melhor para impedir. É claro que eu queria! E eu senti sim sua falta, te amei depois de tudo. – Demi admitiu chorando. – É isso que quer ouvir? Acha que eu não quero me matar todas as vezes que admito isso para mim mesma? Que eu menti para Joseph sobre os filhos que carregava? Que eu iria mentir o resto da vida para ele, para todos?

Wilmer abaixou a arma e teve seus minutos de apreciação em ouvir em voz alta o que já sabia, ele também sabia que aquilo matava a alma de Demetria lentamente. Dizer a verdade era sua sentença de morte.
Demi pousou a mão em sua barriga e abaixou a cabeça chorando.

- Atire em mim, Wilmer! Acabe com isso logo! – Demi pede. – Eu não aguento mais viver dessa maneira. Atire.
- Wilmer se aproximou de Demetria que se ajoelhou no chão em lagrimas. Demi pegou nas mãos do Wilmer e mirou a arma em sua própria cabeça.
- Fiz o que pediu, agora atire em mim! Atire!
- Por que faria isso? – Wilmer pergunta com a arma em sua cabeça.
- Porque eu não aguento mais viver dessa maneira. Eu não quero viver dessa maneira.

Demetria já tinha desabado em lagrimas, ela passou a sentir dores em todo seu corpo. Não conseguia raciocinar com clareza, mas seu pedido era claro o suficiente. Era capaz de descrever o cano da arma marcando sua cabeça, a qualquer minuto toda sua dor acabaria. Ele só tinha que puxar o gatilho e deixa-la cair ali.
Ela já tinha certeza do que queria, algo que gostaria de ter feito a si mesmo há muito tempo. Até ali, ela tinha sobrevivido pelos outros e pelas mentiras que sustentou e foi destruída com quem a mais conhecia. Conhecia melhor do que si mesma.
Quando foi que Demetria perdeu o controle de sua vida?
Seu choro era alto e claro, de certa maneira, partiu o coração de Wilmer. Ela já foi mais forte do que isso, pensou ele ao vê-la desabando por clemencia por um fim, se não fosse ele, quem mais seria?
Wilmer empurrou as mãos de Demi que pousavam sobre a sua e retirou a arma de sua cabeça, ele passou a mão por sua barba e não sabia o que fazer no ponto que a quebrou. Ele a encarou no chão, estava esgotada. Ele a estranhou.

- Você.... – Wilmer balançou a cabeça.

Ele a olhou e viu sangue sujar a calça jeans clara que ela vestia, Demi chorava com as mãos apoiadas em sua barriga. Wilmer balançou a cabeça negativamente e dava voltas pelo deposito.

- Demi, você está gravida? – Wilmer pergunta de maneira estressada.

Ela não responde, continua a chorar. Wilmer acaba por puxar Demi pelo braço deitando-a no chão e ela geme de dor.

- Pare de chorar, você está perdendo! – Wilmer grita com a arma na mão. – Pare!

Demetria passou a mão na sua barriga e viu sua calça azul ser transformada aos poucos em um vermelho vivo. Estava acontecendo de novo com ela. Ela sentia algumas contrações fortes e enxugou seu rosto. Wilmer a puxou pelo colo e desceu as escadas com ela indo em direção onde Demi deixou seu carro. Ele a olhava chorar, não sabia se era de dor ou outra coisa.

- Você.... – Demi tentou dizer. – Pagará por isso, você irá pagar por isso!

Ao colocar Demi no banco passageiro, Wilmer entra no carro e da partida em rumo ao hospital mais próximo que encontrará. Demi sujou o carro e segura em todos os lugares que pudesse, a dor ficava mais forte dentro de si. Ela o olhava algumas vezes e fechava os olhos como se desmaiasse por alguns segundos.
As luzes da cidade tomaram conta, eles estavam longe da cidade onde era um completo breu. Demetria reconheceu as luzes do hospital e Wilmer parou quase em frente ao ponto socorro.

- Desça do carro e vá procurar ajuda. – Wilmer grita, mas Demi não se move.

Quando Wilmer pula por cima de Demi para abrir sua porta, Demetria o algema junto a ela. Ele tentou puxar seu braço, mas a algema já se fechou com seu pulso entre ela. Wilmer olha Demi fuzilando-a com os olhos, mas ela apenas ri.

- Me leve para dentro. – Demi diz.
- Cadê a chave das algemas, Demetria, você vai morrer aqui!
- Morreria do mesmo jeito dessa noite. – Demi dizia com a voz fraca. – Você vem comigo!
- As chaves. – Wilmer grita.

Demi respira fundo e sorri negando com a cabeça. Wilmer bate no banco que Demetria sentada nervoso, ele estava quase por cima dela e o cheiro de sangue começará a tomar conta do carro.

- Você acha que acabou? – Wilmer pergunta para Demi rindo.
- Dessa noite não passa. – Demi responde. – Fui sincera com você, mas não menti quando disse que sentia nojo e que eu gostaria de morrer. A decisão é sua, já perdi essa batalha.
- Se eu for preso, nunca mais verá Alexa.
- Sua decisão, Wilmer. – Demi responde. – Deixará ela sem mãe e sem pai?

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