07 julho 2018

Ruin The Friendship | Capítulo Único



Primeira sessão
Demetria Lovato?

A moça de cabelos negros e cumpridos baixo dos seios levantou a cabeça num pulo, pega de surpresa, pois mexia atentamente no seu celular: respondia mais de vinte mensagens, no seu dia tão pouco dia tempo para isso e era necessário uma hora só para responde-las. Eram de muitas pessoas, principalmente de clientes. Demetria vivia numa época de ouro, valiosa e tinha de aproveitar. Era uma corretora de imóveis da principal incorporadora imobiliária do país, gerente da sede de Miami – seu dia nunca terminava.
Em passos médios, seus saltos ecoavam pela sala e corredor de esperava a cada passo que estendia até a sala da terapeuta indicada. Das raras vezes de toda sua vida, Demetria sentiu um frio na barriga. Estava nervosa, escondia as mãos tremulas e estava ainda mais pálido do que o comum. Na sala um tanto aconchegante, sentou-se no sofá acinzentado e olhou em volta – quatro janelas grandes, bem iluminada, duas mesas e uma poltrona cuja terapeuta sentou. Não poderia controlar nos detalhes, lidava com decoração todos os dias só para vender imóveis, até era uma paixão daquelas que todo casal novo sente ao comprar uma casa, “a nossa casa” como dizem. Não é para menos, aquilo era uma distração para o verdadeiro problema que o levou Demetria a procurar ajuda.

— Sinta-se à vontade. Meu nome é Christina Aguilera, pelo telefone contou que Selena Gomez me indicou.
— Sim, ela é uma grande amiga. — Respirou fundo. — Disse que era discreta.
— É claro, faz parte da minha profissão ser discreta aos meus pacientes. — Houve um silêncio. — Tudo bem dizer o que te trouxe até aqui, uma motivação para iniciar um tratamento terapêutico?
— Pesquisei na internet.... Vocês podem ajudar a recuperar a memória... E eu....

Empacou nas próprias palavras, era como se abrisse a boca, mas nenhuma palavra mais saia. Os olhos azuis da terapeuta penetraram dentro dos de Demetria, deixou-a ainda mais ansiosa por toda a situação. Desviou o olhar para a última janela da sala e encarou as árvores balançarem. Não tinha mais o que dizer, ficou muda.

— Certo. Não somos pessoas que recuperam memorias do paciente, mas eu posso dizer que existe fatos que nos acontece, às vezes, vergonhoso, assustador ou que nos causa medo que preferimos esquecer, colocar numa pequena caixa e guardar no nosso inconsciente. Isso é um processo que acontece com muita frequência e a terapia pode ajudar a abrir essa caixa e relevar o que escondemos. Talvez fosse essa a sua pesquisa.
— Foi exatamente o que li. — Sorriu.
— E o que quer recuperar?

A moça arregalou seus olhos, era como se tivesse ouvido algo assustador. E era. Nem ela sabia o que tanto queria saber, ela tinha que saber o que tinha acontecido, mas seu medo era maior do que sua obrigação de descobrir a verdade, já tinha tentado de tudo até parar ali, em frente a uma desconhecida prestes a contar toda a sua vida e seu maior segredo.

— Tudo bem.... — Christina diz após um longo silêncio. — Vamos começar com uma apresentação. Conte um pouco sobre você, como é sua vida, do que trabalha...
— Bom, meu nome é Demetria Lovato. — Sorriu, era automático a simpatia. — Sou corretora de imóveis, estou no ramo alguns anos e tenho vinte e nove anos, sou casada e está tudo bem com minha vida. Por enquanto... — Disse a si mesma.
— Oh, gosta do que faz?
— É claro, com muito amor. A chave para o sucesso é gostar do que faz, certo?
— Concordo. — Christina sorriu. — E é casada? Como é seu marido?
— Ótimo... — Suspirou com um sorriso. — Wilmer é uma ótima pessoa, somos casados há dois anos e namoramos desde que nos conhecemos na faculdade. Ele é advogado e um marido incrível. Atencioso, carinhoso, justo...
— Parece ser uma boa pessoa. Você está me dizendo que tem uma ótima vida, não vejo problemas ainda. O que quer desse processo, Demetria?
— Estou grávida!

Fechou os olhos, mal poderia acreditar que tinha dito aquilo em voz alta. Fazia duas semanas que escondia aquele segredo, incapaz de contar para ninguém. Tinha dito, após dizer foi capaz de compreender que era verdade: Estava grávida.

— E isso é um problema para você? Não deseja ser mãe, quer pensar em decisões?
— Não, não... Sempre quis ser mãe, mas.... Não posso.

Uma lágrima escapou dos olhos de Demetria, aconchegou-se no sofá com a cabeça baixa.

— O que foi que descobriu?
— Há duas semanas. — Respondeu direta. — Minha melhor amiga vai se casar nesse próximo final de semana e estávamos fazendo a prova de roupa, estava tudo certo até o vestido não fechar. — Demetria riu. — Não que tenha descoberto lá, mas meu corpo já tinha começado a mudar e passei mal algumas vezes no trabalho. Tonturas, ânsias, enjoos no almoço, passei a ficar irritada. Wilmer indicou ir ao médico, não estava bem e quando fui.... Descobri que estava grávida de três semanas. Três semanas.
— Contou ao Wilmer?
— Não posso! — Fechou os olhos segurando as lágrimas. — Wilmer é estéril, descobrimos isso um ano após nos casarmos porque tentamos, tentamos e não podemos ter filho.
— Demetria... — Christina sentou na ponta de sua poltrona. — Sabe quem é o pai?
— É por isso que estou aqui. — Encarou Christina. — Digo sério quando falei que amo meu marido, sou incapaz de trai-lo e se eu estou grávida é porque aconteceu. Não me lembro como!
— E quer lembrar....
— Preciso lembrar. Não posso esconder isso por muito tempo e eu não quero... abortar sem saber da verdade. O que eu fiz, como foi e porque não me lembro de nada. — Agitou-se no sofá. — Isso é besteira. Preciso ir.
— Calma, Demetria. Vamos conversar, trabalhar nisso.
— Não, não, é besteira ter vindo aqui. — Respirou fundo e saiu pela porta.

Algumas semanas atrás....

— Wilmer, está pronto. Já estamos atrasados.
— Há muito tempo, meu amor. – Saiu do closet com um sorriso. — Pode arrumar minha gravata?
— Não acredito que ainda não sabe dar um nó na gravata. Você é um advogado, deveria saber.
— E qual seria minha desculpa para ficar tão próximo de você? — Ele abriu um sorriso malicioso e roubou um beijo da amada. — Não deveria graça. — Passou a mão por sua cintura.
— Agora não. — Responde rindo. — Sou a madrinha de Miley, se chegar atrasada no seu próprio chá de panelas, ela vai me matar. E já estamos atrasados.
— Já compramos o presente dela. Poderíamos curtir o nosso casamento agora.
— Não é sobre presentes. — Demetria riu ao explicar o que já sabia.

Olhou pela última vez no espelho e suspirou.

— Acha que estou bem?
— O que quer dizer? — Wilmer perguntou a olhando, enquanto vestia seu paletó.
— Eu engordei, não?
— Oh, Demetria. — Wilmer riu. — Você está maravilhosa, vejo, sinto, desejo esse corpo toda noite.

Beijou o rosto da amada e saiu do quarto, mas Demetria permaneceu passando a mão em sua barriga. Engoliu a saliva a seco e apagou a luz do quarto.

— Ótimo. — Disse a si mesma.

Alguns meses atrás....

— Miley terá quatro eventos antes do casamento. — Selena disse agitada. — E todos vocês terão a obrigação de comparecer em cada um deles, não quero ouvir desculpas. Miley preparou o casamento da Demi, deu emprego a você Joseph e é uma ótima amiga, acima de tudo.
— É claro, mas eu preciso saber os dias para deixar livre. Se eu tiver uma reunião e nã...
— Joseph, dará um jeito!
— Não disse que não vou, disse que preciso me antecipar.
— Miley é sua chefe, ela dará seu dia.
— Não é chefe, é parceira. Abrimos um negócio juntos. — Joseph sorriu orgulhoso.
— Faremos o planejamento, somente madrinhas. Ou seja, eu e Demi iremos com a Miley preparar todo o casamento, aceitamos sugestões. O segundo evento é uma festa, como uma despedida de solteira, mas somente entre amigos. Miley e Liam não curtem a ideia de.... Traição ou algo assim. Terceira é uma viagem juntos, Miley quer sua casa em Los Angeles, Demi. E por último, porém o mais importante, chá de cozinha.
— É todo dela. — Demi riu. — Fiquei de planejar o quarto e cozinha da Miley, um presente meu e do Wilmer. Nada demais. — Causou risadas. — É tudo e é demais, um grande presente.
— Sophie e eu iremos casar em breve, espero isso também Demi.
— Já pediu ela ou ainda está enrolando? — Selena cutuca ele. — Está na hora.
— E você com Nicholas? Quando?
— Não vamos casar, isso é óbvio. Nem somos um casal. — Selena revirou os olhos. — Vocês que estão complexados, querem casar antes dos trintas e.... aaah. Um saco.
— Joseph está louco para ter uma cunhada. — Demetria riu. — E vocês terão algo, talvez uma sala de estar decorada. Podemos ver isso, sabe que eu tenho muito desconto quando vendo um imóvel e fecho design de interiores junto.
— Quando eu fechar meu mestrado, poderia ganhar. — Selena deu de ombros. — Para que casar?
— Gosto de casamentos, Selena. Você terá de casar.

Selena encarou Demi e não resistiu as gargalhadas.

— Não podem faltar! — Disse seria. — Irei marcar as datas.

Segunda sessão

— Fico feliz que tenha voltado.
— Acho que entrei em choque semana passada. — Demi suspirou. — Pensei bem no que está acontecendo e eu não posso fugir. Nunca menti a Wilmer, jamais e não será dessa vez.
— Demetria, acha que ele aceitará o que tenha de dizer? A sua verdade?
— É a verdade.
— Tudo bem, mas acha que será a verdade dele?
— Me esforço muito, desde que descobri...
— Como descobriu, o que passou pela sua mente.
— Não tenho tempo para sair, Christina. Minha vida é cheia demais, até mesmo para me divertir tenho que planejar com antecedência. — Respirou fundo pensativa. — Pensei que o médico estava errado, disse sobre a questão de Wilmer... estou grávida. Muito grávida.
— Diga como é seu relacionamento com o Wilmer, como tudo começou, como vocês se relacionam...
— É ótimo, sinceramente. Tudo que sempre quis: um homem batalhador, que tenha sonhos como eu, que queira construir uma família, um futuro como sempre quis. Ele é essa pessoa e faz de tudo por mim, sempre fez. Lutou por mim quando achamos que não tínhamos jeito na faculdade, era... — Demetria riu. — Eu sempre fui gananciosa sobre meu futuro e atropelei o Wilmer uma vez com isso, mas crescemos juntos. Ele é um bom homem, é justo e atencioso.
— Entendo, entendo. Ele é ganancioso como você?
— Sim, quer dizer, queremos ter uma boa vida, um bom futuro...
— Futuro, filhos.... Como foi para vocês liderem com a frustação de não poderem ter?
— Foi difícil, principalmente para Wilmer. Ele se sentiu incompleto, como se algo o faltasse, tivesse defeito, mas eu compreendi melhor. Isso não é um problema para mim, nunca foi. E começamos a planejar uma possível adoção, daqui um ano.
— Para Demetria, qual a diferença entre ser mãe com adoção ou gestação?

Sempre que a fizessem uma pergunta, Demetria já puxava o folego para responder. Nunca teve o problema de ficar sem respostas, até agora... nunca tinha pensado na diferença, ela sempre quis passar pelo processo de gestação. Era tão obvio que nunca pensou no contrário.

— Acha que traiu o Wilmer?
— O que eu acho não importa. — Christina sorriu.
— Mas eu quero saber, pensa que estou mentindo? — Demetria pergunta seca, sentiu-se encurralada.
— Não, não acho que mente. Não tenho o porquê de você vir até uma desconhecida, contar sua versão de uma história que pode ser mentira. Não teria tempo para isso, certo!?

Concordou com a cabeça e passou a língua entre os lábios.

— Você quer se tornar uma mãe, não?

Demetria, que estava distraída, lança o olhar para Christina. Ainda não fala, mas afirma lentamente com a cabeça e desvia o olhar novamente. Foi pega, uma verdade transcendeu. O celular de Demetria tocou, aviso de um encontro com clientes.

— Preciso ir. — Disse lendo as notificações no celular.
— Irei te ver semana que vem? — Christina acompanhou Demetria até a porta.
— Não sei, sinceramente.... — Demetria riu.

***

— O juiz disse que o julgamento estava tomando um rumo que não deveria, mas é um processo penal... não temos precedentes... — Wilmer reclamava enquanto tomava um gole de vinho. — Era obvio, tínhamos uma nova evidencia e ele deveria aceitar.

Demetria concordou com a cabeça, não prestava muita atenção no que Wilmer falava. Não era uma surpresa, Wilmer usava todos seus jargões jurídicos e reclamava de todo juiz que lhe aparecia nos processos, a não ser aqueles que demostravam estar no seu lado. Eram raros, Wilmer era advogado da área de direito penal, defendia bandidos como Selena gostava de falar quando provocava Demi. Casou-se com uma, Demetria pensou arqueando a sobrancelha. Wilmer serviu mais vinho na taça de Demetria, era sua segunda. Ela passou a mão na barriga sentindo um embrulho.

— Pode beber. — Demetria sorriu e empurrou a taça. — Estou com uma dor forte nas costas e comecei a tomar remédios.
— Quer uma massagem? — Ele riu malicioso. — Também estou com uma dor aqui...
— Claro que está! — Levantou-se. — Wilmer, eu estive pensando em... filhos.
— Filhos?
— Filhos. — Afirmou com certa dificuldade. — Já pensou em tratamentos para... podermos...
— Adotar era uma ideia.
— Eu sei, mas andei pensando e eu queria engravidar, na verdade. — Demi dizia sem jeito, Wilmer levantou e a encarou. — Sinto que adotar não me dará o que quero.
— Mas eu não posso ter filhos, Demi. — Wilmer balançou a cabeça. — Incapaz disso.
— Não é incomum, Wilmer. Isso não é um problema, hoje existe muitas maneiras de engrav...
— Todas que envolvem médicos, tratamentos, agulhas. Seu sonho é esse?
— O sonho era passar por papeladas, juiz de paz para adotar?

Wilmer suspirou e concordou com a cabeça. Terminou de beber todo o vinho na taça de Demi e colocou na pia, apoiou os braços e abaixou a cabeça. Demetria o observou com certa distância, tentou se aproximar.

— Não quero brigar, apenas.... Existe opções que poderíamos pensar.
— Porque agora?
— Wilmer, estou me abrindo para você. Sendo sincera, pela primeira vez. Eu quero ser mãe, poder passar por meses de angustia e felicidade. — Demi sorriu ao imaginar. — Essa é a verdade e eu não vou fazer uma coisa sem você...
— O filho seria meu? — Wilmer a encarou com meio sorriso.
— Sim, claro que seria. Temos que ir ao médico, eu pesquisei e existe maneiras eficazes.
— Seremos pais?

Poucos meses atrás...

— Calma, calma, um passo de cada vez. — Selena dizia ansiosa enquanto guiava Miley.
— O que vocês aprontaram. Espero que não tenha homens pelados.
— Quando se tornou puritana dessa maneira? — Demi riu ao perguntar.
— Não sendo puritana como pensa, apenas bem com o que tenho.
— Liam parece ser um homem grande e completo. — Selena guiava Miley.
— Grande. — Demi afirma.
— Você não pode brincar disso também, Demi. Se amarrou ao Wilmer desde que se conheceram, vocês são traíras. Aquele velho discurso de que seriamos só nós três ficou para trás, todas vocês se casando, tendo filhos.
— Filhos? — Demi riu.
— Já está na hora de você engravidar não? E a Miley também. — Selena fez pouco caso.

Demetria forçou uma risada e um sorriso, abaixou a cabeça e ficou quieta. Não, não tinha a hora para engravidar, não como gostaria. Nunca tinha contado sobre isso a suas amigas, mesmo que confiasse fielmente nela, Demetria sempre manteve a conversa mais positiva. Evita compartilhar problemas, Selena a cutucou e afastou os pensamentos. Antes de chegarem tinha mandado sua equipe de design arrumar a casa como Miley queria – colocaram alguns balões coloridos e de formatos sexualmente claros. As bebidas e petiscos também ficaram por sua conta, a casa era de frente ao mar. Uma bela vista do fim de tarde.
Ao passarem pela sala, Selena tirou a venda dos olhos de Miley. Sentados em silêncio apenas ouvindo a conversação das meninas estavam os irmãos Joseph e Nicholas, que completavam o que eles apelidavam o clube dos cinco, sim, em homenagem ao filme favorito de Selena.... O clube dos cinco. Eles estouraram um champanhe que jorrou pelo sofá e foram correndo para a varanda beber.

— Devo confessar que isso é melhor que uma boate. — Joseph disse rindo.
— Até porque nós iriamos para despedida de Liam. — Nick lembrou. — Somente mulheres elas iam atestar, ficaríamos de fora. — Todos riram ao ver Nick revirar os olhos.
— É a ressaca será melhor que de uma boate. — Selena disse abrindo uma cerveja. — Demetria vai bancar toda a noite. — Levantou a garrafa e todos gritaram. — Parabéns Miley, conseguiu reunir todos em uma noite!

Selena virou toda a garrafa deixando escorrer algumas gotas pelo canto da boca, todos assistiram impressionados com a animação da garota que logo inspirou o grupo. Joseph levantou e trouxe nas mãos quatro garrafas – vodka, uísque e mais cerveja, lembrou Demi de fazer sua ótima caipirinha, sua especialidade nos tempos de faculdades.
Selena e Nick sentaram no sofá, Joseph em uma poltrona e Miley com Demi no tapete, as conversas estavam paralelas e cada um falava mais alto que o outro, com muita risada. Nas raras vezes que ficavam todos em silêncio era possível ouvir o som do mar e os grilos que ocupavam mais da metade dos gramados.

— Então.... — Selena colocou o copo em cima da mesinha de centro. — Vamos jogar!
— Oh, não.... Selena.... — Demetria fugiu. — Seus jogos nunca são bons.
— Na última vez que jogamos tínhamos vinte anos. — Defendeu-se rindo. — Muita coisa aconteceu porque se passaram seis, sete anos.
— Não faz mal a ninguém. — Joseph riu. — Não tenho nada a esconder.
— Todos sabemos da sua vida, Joseph. Isso não é um ponto positivo. — Miley argumentou e todos riram. — Pelo contrário, tem fatos que eu preferia não saber.
— Diferente do Joe, pouco sabemos sobre Nick. — Selena arqueou as sobrancelhas.
— O que querem saber? — Disse tranquilo, mas era possível ver certo grau de desespero em seus olhos escuros.
— Então vamos jogar. Todos! — Selena levantou dando gargalhadas. — Lembram das regras?
— Escrever com letras de forma, assinar com o nome é opcional e não revelar nada sobre outras pessoas. — Demi revirou os olhos dizendo. — E mais uma: apenas escrever.
— Lembra de tudo. — Joseph disse orgulhoso. — E ela nem queria jogar.
— Minha pergunta é: alguém aqui já teve um relacionamento, qualquer tipo de relacionamento... — Enfatizou Selena. — Com outro membro do grupo?

Todos olharem entre si rindo, parte por estar bêbados e por parte pela resposta que dariam. Cada um com o bloco ficaram mudos e começaram a escrever, dobraram o papel, colocaram em um pequeno isqueiro e Selena remexeu para os papéis misturarem entre si.
Pegou o primeiro papel e leu em voz alta:

— Nick. — Todos riram ao olha-lo, ele sorriu quase que orgulhoso. Selena pegou outro papel e leu. — Oh, Nick, novamente! — Joseph duvidou e leu, concordou olhando para o irmão que não dizia nada. — Ninguém, menos mal, já iria ficar preocupada. — Selena dizia deixando os papeis lidos de lado. Pegou o quarto papel e leu. — Já! Esse não deu detalhes, isso é contra as regras. — Por fim, pegou o último. — Nick, também!
— Isso é uma piada? — Joseph olhou para Nick. — Todas?
— Não sabe se foram todas. — Nick riu sem graça. — Não foram assinados.
— Três falaram sim, acha que seria eu a beijar meu irmão? — Joseph balançou a cabeça rindo.
— Parece que Nicholas sabe guardar segredos muito bem. — Demetria terminou seu copo de uísque. — E vocês também. — Apontou para as meninas.

Terceira sessão

— E vocês tiveram relações quantas vezes?
— Duas. — Afirmou sem muito orgulho. — Nunca pensei que ele poderia ter dito com minhas melhores amigas e que esse segredo duraria tantos anos.
— Foi alguma coisa?
— Para mim? Não agora, na época.... Acho que seria interessante existir algo entre um de nós, isso aconteceu no clube dos cinco. — Demetria riu. — Mas foram vezes que não tinha ninguém, não tínhamos nada para fazer e aconteceu. Nunca significou grande coisa.
— Isso vale para os seus quatro melhores amigos?
— Sim, nós conhecemos quando éramos crianças, meros adolescentes e mantivemos uma amizade desde então. Nick foi uma exceção a regra. — Ela riu pensativa. — A regra de todos, pelo que vimos.
— E acha que ele não sente nada por você?
— Onde quer chegar? — Demetria disse desconfiada.
— Quero saber quais são seus relacionamentos antes de Wilmer. Existiram?
— Ah, deveria ter perguntado antes! Nick não foi um relacionamento, como disse, fugiu à regra. Tive outros que foram curtos, alguns duraram mais de cinco meses. — Ela riu. — Nunca tive um relacionamento que durasse mais de cinco meses, até Wilmer.
— E você tem contato com alguns deles?
— Não, todos ficaram para trás.
— Outros interesses amorosos?
— Nenhum. — Demetria balançava a cabeça ao responder.
— Existe uma possibilidade de ser do Wilmer? Existe casos que...
— Já fui atrás disso. Foi minha primeira opção. — Demetria riu inconformada.
— Demetria, se você não lembrar do passado. Pense no futuro. — Christina bebericou um copo de água e respirou. — O que vai fazer quando sua barriga começar a aparecer, os sintomas...

Passou a mão na barriga, Demetria deu meio sorriso. Não estava totalmente infeliz, optou por não responder, pois nem ela sabia o que faria.

***
— Achei que já estava em casa.

Demetria assustou ao fechar a porta da casa, ela segurou na maçaneta com o coração acelerado pela surpresa. Trancou a porta e caminhou por trás da sala onde Wilmer estava sentado. Ele esticou o pescoço e chamou ela para perto, Demetria deu um beijo em sua testa seguida de selinho longo.

— Ei, sente aqui comigo. — Bateu no estofado ao lado.

A moça largou a bolsa e tirou os sapatos que a incomodavam, jogou no sofá e deitou no colo do amado. Respirou fundo com a mão na barriga, como se tentasse disfarçar alguma coisa.

— Estou tão cansada. — Demetria diz com os olhos fechados e um breve suspiro.
— Dia cheio?
— Sim, apresentei algumas casas na correria. Nenhuma venda. Aí tive que ver as coisas sobre o casamento, parece que o bufê que Selena contratou deu para trás, mas isso é problema para você resolver. — Wilmer acariciou a mão de Demetria e riu.

Ela continuou com os olhos fechados e a respiração estava mais lenta, mas sua mente ainda muito turbulenta. Ouviu Wilmer ligar a televisão e fazer cafuné em seu cabelo, estava relaxada, mas sentia uma grande dor no coração, talvez uma dor metáfora. A consciência estava pesada demais para continuar fazendo aquilo com a pessoa com quem mais ama.
Levantou-se em um impulso rápido e prendeu seu cabelo em um rabo de cavalo, eram longos cabelos lisos e escuros que brilhavam contra a luz.

— Vou tomar banho e ir deitar. — Ela sorriu.
— Tinha uma novidade que queria te contar. — Wilmer sorriu. — Procurei o Dr. Saltto, agendei uma consulta para sexta-feira para... você sabe. — Ficou sem jeito ao dizer. — Estive pensando também, gostaria de ter a experiência primeiro.
— O que quer dizer com primeiro? — Demi riu e sentou no sofá novamente pegando em sua mão.
— Você sabe... não precisamos ter apenas um filho. — Beijou-a. — A ideia de adotar não pode ser jogada fora assim... atoa. Podemos ter três, quatro.
— Até termos um, se conseguimos criar um... — Eles riram. — Talvez a ideia de quatro seja...
— É verdade, mas esperamos tempo demais. Ainda mais você, segurou toda essa sua vontade por minha causa, não queria que tivesse sido assim. — Wilmer voltou a sua expressão séria. — Me sinto culpado por isso.
— Wilmer.... Você não tem culpa. Eu não queria antes, essa ideia apenas... apareceu, acho que foi vendo amigas tendo filhos. Não sou uma pessoa sozinha, não somos uma dupla. Em tudo.
— Em tudo! — Ele repetiu e beijou-a novamente. — Em tudo. — Repetiram juntos.

Poucos meses atrás...

A risada de Miley era a coisa mais irritante que poderia se ouvir numa manhã, era quase que insuportável de tão grave. Demetria já tinha tido diversas vezes, brincando ou não, que mudaria a risada da sua melhor amiga se pudesse. Abafou o som no andar de baixo com um travesseiro no rosto, tirava algumas vezes só para pegar ar fresco. O dia estava ameno dentro da casa, mas era possível ver o sol no lado de fora raiando.
Deslizou as pernas nos lençóis e passou a mão no seu corpo nu, sentia-se completamente amassada pela cama. Tinha dormido como pedra, colocou seus cabelos para trás que atrapalhavam sua visão. Sentou na cama e olhou os lençóis brancos, quase tudo era branco no quarto. Era sua cor favorita. Demetria suspirou com meio sorriso nos lábios e caçou suas roupas pelo quarto. Colocou seu sutiã e a mesma blusa da noite anterior, mas trocou a calcinha e a calça que vestia por um short jeans. Olhou as notificações do celular, mas poupe-se do estresse de responder.
Abriu a porta do quarto e desceu as escadas, estavam todos em volta da mesa conversando e rindo, Demetria tentou melhorar sua feição, mas era visível a ressaca que sentia e o mau-humor de toda manhã. Pegou um pedaço do pão de Selena e sentou ao seu lado, deitando a cabeça na mesa.

— Não estou mais acostumada com isso! — Resmungou.
— Diga por você, meu anjo. — Selena beijou a cabeleiras da amiga rindo. — Estou ótima.
— Você faz isso toda noite, Selena, seu estomago está acostumado. — Joseph disse.
— O que está dizendo, acha que não vejo as fotos de Sophie!? — Selena se defendeu.
— Ela vai sozinha, raramente saio para baladas com ela. — Joseph responde sem se importar muito. — Aliás, nunca dou o recado, mas ela sempre pede para chamá-la.
— Esquece ou não quer que Sophie descubra quem é o Joseph. — Nick provoca.
— Isso não acontece conosco, não somos dedos-duros. — Miley tenta apaziguar. — Ao contrário...
— Liam não casaria com você. — Demi brinca ainda deitada.
— Nem Wilmer com você.
— Nem Sophie com você.
— Nem... Justin... Abel.... Ninguém casaria com você.
— Ou Olivia. — Selena diz por último revirando os olhos.
— Quem é Olivia? — Joseph pergunta.
— Ninguém. — Nick diz e se levanta. — Irei para a praia, mas alguém?
— Se eu levantar daqui eu morro. É sério. — Demetria diz.
— Quando se tornou tão fraca, Demetria. — Joseph brinca. — Você era aquela que levava todos para casa menos bêbada, mas também não tão sóbria.
— Viu? Eu morri!
Agora

Colocou seus brincos e arrumou a aliança em sua mão, brilhava.

— Vocês não entram por aqui! — Demetria disse em voz alta. — O bufê entra pelos fundos.

Demetria revirou os olhos e puxou a porta, antes que pudesse fechar um funcionário derrubou uma bandeja com ponche em todo seu vestido preto. Ela abriu a boca para reclamar, mas apenas o fitou com os olhos raivosos.
— Saia daqui! Agora! Todos vocês! — Mandou afastando o vestido do seu corpo, já grudava.
— Desculpe. — Ele disse.
— Meu Deus, o que aconteceu? — Joe apareceu rindo.
— Cala a boca! — Demetria disse andando pelo corredor. — Venha comigo!

Que droga disse a si mesma entrando dentro da casa, subiu as escadas sendo seguida por Joseph. Ela reclama e entregou o seu celular para Joseph.

— Mande mensagem para Selena, diga que aconteceu um imprevisto. Tranquilize Wilmer também, logo ele irá chegar e eu terei que tomar banho novamente. — Dizia rapidamente quase que engolindo palavras. — Merda!
— Calma. — Joseph sorriu tranquilo. — Isso aconteceu, você não é a noiva dessa vez.
— Já chamou o carro? — Demetria perguntou. — Pois bem, eu estou na correria para sair tudo...
— Perfeito! — Ele revirou os olhos, já escutou aquilo duzentas vezes de Demi e Selena.

Demetria tentou alcançar o zíper do vestido, mas Joseph abriu para ela. Ele virou de costas e mandava os torpedos que tinha ordenado.

— Devo dizer o que aconteceu? — Ele perguntou.
— Diga, ela vai querer saber do mesmo jeito. — Respondeu. — Sorte que tenho outro guardado, já foi usado outras vezes, mas ainda cai bem. Procure no que armário, ele é preto de saberá de qual estou falando. É um macacão, aberto na frente, quer dizer, ele é transparente, tem flores.... Ah, procura! Me ajude!
— Ok. — Joseph não se cansava de rir e foi até o armário.

Demetria tirou o vestido deixando no caminho e entrou no banheiro, prendeu seu cabelo no alto para não molhar e esfregou seu corpo com suas mãos tirando o grude meloso que deixou o ponche em seu corpo. Ela pegou o sabonete e ensaboou o corpo, fechou os olhos sentindo a agua quente penetrar seu corpo.

— Isso é errado Demi, se o Wilmer souber. — Joseph disse.

Ela abriu os olhos em choque, fechou novamente e fitou os azulejos do banheiro. Ao fechar os olhos novamente, Demetria sentiu seus seios serem massageados enquanto suas mãos apoiavam-se na parede.

— Demi, não podemos... — Disse no seu ouvido como um sussurro. — Se Wilmer souber...
— Shhh...
Demetria virou e o beijou ainda mais, um beijo quente e deslizou a mão pelo seu corpo, puxando a cueca para longe, colocando sua mão em volta do seu pênis. Joseph suspirou e beijou o pescoço de Demetria distribuindo pequenos chupões em volta. Ela a jogou contra a parede deixando toda agua cair pelos seus corpos, Demetria abaixou sua cueca e virou seu corpo contra parede, apoiou enquanto Joseph massageava seus seios e penetra em si. Ela suspirou com um pequeno gemido e continuava rebolando lentamente, as mãos de Joseph descia ainda mais para sua vagina onde colocou seus dedos que deixava Demetria ainda mais excitada. Colocou sua mão para trás passando pelo pescoço do rapaz.

Ela abriu os olhos com o coração disparado. Tinha lembrado, lembrado de tudo!
Seus pés estremeceram e ela sentou no chão do banheiro com a agua caindo no seu corpo. Ouvia Joseph falando algo, mas era incapaz de prestar atenção, estava em choque. Não conseguia se mover.

Quarta sessão

— Tudo está claro. — Ela riu. — Estava bem na minha frente.
— Você queria essa relação? — Christina perguntou.
— Sim, com todo meu corpo.
— Demetria, ás vezes, a bebida... ela desinibe as pessoas, até mesmo os desejos que consideramos mais sujos, criamos coragem. Foi isso que aconteceu, essa coragem se transformou em culpa, por isso esqueceu.
Ela riu de modo irônico, não tinha muito o que dizer, apenas revirou os olhos com a risada sarcástica.
— É.... — Disse. — Minha vida desabou por inteiro por causa de um... desejo? Isso nunca existiu para mim, não era a primeira vez que tinha ficado bêbada em minha vida.
— Certas coisas não controlamos.
— Não, eu controlo tudo em minha vida. Tudo. Eu fiz minha vida, planejei ela e tudo deu certo, mas eu nunca consegui segurar minha mão. Eu o vejo quase todos os dias, nunca tivemos esse...
— Interesse? — Christina completou. — Tem certeza?

Era como se toda a memória de Demetria fosse editada. Ela tinha certeza? Não mais, talvez, de mais nada. Deslizou seu corpo no sofá e ficou quieta, Christina desviou seu olhar para deixa-la mais à vontade.

***

Abaixou sua blusa e recebeu a impressão do ultrassom.

— Estava tudo indo muito bem, Demetria. Tudo muito bem, está saudável.
— Já tem sexo? — Demetria perguntou com um sorriso no rosto.
— Sim. — A médica riu. — Já quer saber?
— É claro, preciso preparar as coisas...
— É um menino. — A médica disse. — Parabéns pelo rapaz, já pensa no nome?
— Não... São muitos. — Sorriu.

Demetria se despediu da médica e saiu do consultório, Wilmer estava no lado de fora esperando.

— Está tudo bem?
— Sim. — Ela suspirou. — Ainda posso dirigir, se quiser...
— Não... eu te levo para casa.
— Onde você está ficando? — Demetria perguntou. — Wilmer ainda não conversamos...
— Espere essa época de festas acabar. Casamento de Miley é amanhã, você tem que estar bem para acontecer e então conversamos.
— Não vai acontecer nada demais, apenas fale comigo... O que vamos fazer?
— Somos uma dupla agora?
— Sempre fomos! — Demetria parou no elevador. — Nunca deixamos de ser.
— Demetria, você está grávida! Grávida de Joseph! Em algum momento deixamos de ser uma dupla!

Ela abaixou a cabeça quieta. O elevador chegou até o estacionamento em silêncio.

— É um menino. — Demetria contou, estava feliz, de certa forma, mas Wilmer não respondeu.

Foram até o carro calados e deram partida para casa.

Uma semana atrás...

— Achei seu vestido, acho que é esse.
— Joseph... Demetria saiu do banheiro e pegou o vestido. — O que aconteceu na festa da Miley?

Demetria parou na frente do rapaz, ele respirou fundo e deu de ombros.

— Qual parte? — Ele pergunta.
— Você sabe!
Ela tirou a toalha do seu corpo ficando completamente nua, Joseph a olhou e suspirou. Afastou-se um pouco e tentava desviar a olhar.
— Não reconhece isso? — Demetria se aproximou. — De nada disso.
— Demi, por favor...

A moça limpou as lágrimas que escorriam pelo seu rosto e vestiu sua camisola dobrada em cima da cama. Ela o empurrou para longe com toda a força que tinha.

— Você mentiu para mim esse tempo inteiro. Não tinha esse direito.
— Você nunca disse nada, Demi, o que eu diria.
— A verdade! Se eu não me lembrava, diria a verdade.
— Qual é a verdade para você?
— Joseph... — Ela o olhou. — Você transou comigo e não me disse nada, no dia seguinte não disse nada, durante todo esse tempo não disse nada!
— O que eu diria? O quanto foi errado? Você não tocou no assunto, achei que não queria, depois percebi que não se lembrava e era melhor assim.
— Você é idiota? Você entrou no meu corpo, tocou em mim e achou que eu não tinha o direito de saber, de me lembrar, ao menos?
— Você queria, Demi, não diga que eu...
— Não estou dizendo isso, mas eu tinha o direito de saber. — Demetria chorava ainda mais. — Joseph.... Eu estou grávida! Grávida!

Ele ficou em silêncio sem entender. Ela limpou seu rosto com os polegares e respirou fundo.

— Wilmer não pode ter filhos, já sabíamos disso há muito tempo e eu fiquei grávida. Passei todas essas semanas aflita sobre como isso aconteceu, em que momento eu errei e você estava todos os dias na minha frente, aqui e não disse nada. — Ela colocou a mão no peito tentando respirar. — Eu tinha o direito de saber.
— É meu?
— É claro. — Ela respondeu chorando. — Meu Deus.... não acredito! Eu pensei em tanta coisa e você preferiu... Joseph...
— Achei que estava fazendo o melhor para nós.
— Você pensou apenas em você, foi mesquinho. No dia seguinte você agiu como se nada tivesse acontecido, isso durou até agora, aqui! Você mentiu para mim todo esse tempo, tirou proveito quando poderia ter sido sincero.
— O bufê terminou, estão esperando o pagamento.

Demetria arregalou os olhos, Wilmer entrou no quarto com sem expressão visível. Ela olhou para Joseph e voltou a olhar Wilmer, ambos congelaram.

— Você pode ir? — Perguntou ao Joseph.
— Sim. Eu... irei.

Esperou Joseph sair e fechou a porta do quarto, Wilmer encostou no armário e encarou Demi.

— Wilmer, você...
— Se ouvi? — Wilmer riu sozinho. — Sim, ouvi.

Demetria ficou quieta, evitou se mexer. Ela sentia-se fora de si.

— Apenas me responda.... A ideia sobre querer engravidar, ela era real, foi antes de você descobrir que estava grávida do seu grande amigo Joseph Jonas ou foi apenas uma tentativa de manter a gravidez e o casamento?
— Eu ia te contar.
— Quanto tempo sabe?
— Menos de três semanas. — Responde.
— E nenhum dia teve uma oportunidade. Faz duas semanas que você começou a me querer como bode expiratório?
— Isso não ia acontecer, eu ia te contar, mas eu não conseguia sem a verdade. Eu tinha que ter a verdade inteira para contar a você o que aconteceu.
— Qual é a verdade? — Wilmer passou a mão no rosto. — Isso é baixo Demi, até para você!
— Wilmer, não faça isso. Por favor, apenas...
— Você não ia me contar, seu plano era me fazer de idiota. Eu ir ao médico, tentar engravidar você quando você já está grávida e você me dizer que esse filho é meu! Ia mentir para mim, mas até quando mentiria? Até onde iria? Você sabe o quanto ia soa cruel?
— Não faria isso, eu pensei, mas eu não faria. Você não merece.
— Escute, Demi... — Wilmer a olhou decepcionado. — Você vai a esse casamento e depois conversamos. — Disse olhando ao celular de Demetria que não parava de tocar. — Parece que isso é sua prioridade.
— Wilmer, eu descobri agora que eu e Joseph. Eu não sabia, eu queria te contar todos os dias, mas não conseguia sem a verdade.
— Não importa, Demetria. Lembrar ou não lembrar, você soube que estava grávida e não me contou, tentou me enganar. De qualquer maneira, você foi para cama com outra pessoa e continuou aqui, nessa casa, comigo, me enganando. — Wilmer gritou segurando as lágrimas. — Depois de tudo que sacrificamos, tudo que passamos.
— Eu sei disso, acha que não pensei nisso?
— Não, não pensou porque se tivesse pensado...

Duas semanas depois...

Demetria entrou pelos fundos da casa após dar banho no seu cachorro, ela retirou a camiseta molhada e deixou no canto da sozinha. Foi até o fogão e pegou o copo de agua que estava ao lado na bancada. Ela viu uma sombra pelo reflexo e olhou para trás.

— Deus, que susto! — Ela riu envergonhada. — Desculpe, não sabia que...
— Eu vim conversar. — Wilmer suspirou. — Podemos?
— É claro. — Ela sorriu.
— Pensei em algumas coisas, tinha que pensar, mas eu quero saber o que você quer de mim?
— O que eu quero? Você é claro, nunca deixei de te amar. — Demi sorriu.
— E eu queria que você não tivesse esse filho. — Wilmer retrucou. — Mas você terá e ele não é meu.

Demetria ficou em silêncio.

— E agora? — Wilmer a encarou. — Eu te amo, Demetria. E te amo muito, se soubesse o quanto eu tento odiá-la e não consigo.
— Já pensei em abortar, na época, mas eu não posso. Não consigo.
— E o filho não será meu. — Ele se levantou. — Demetria eu estou determinado a dar outra chance a nós, mas só posso fazer isso com a verdade. Seremos sinceros, esse filho não é meu e não será meu. E de Joseph, o que vai fazer quanto a isso?
— Ninguém sabe.
— Nem a esposa dele? Ela também foi traída!
— Wilmer, o que quer?
— A verdade, Demi. — Ele riu como se fosse obvio o que dizia. — Eu também não quero mentir para essa criança, não sabemos o dia de amanhã. Teremos de ser sincera com ela. Eu ainda quero ter um filho com você, quero construir uma família, mas eu não vou conseguir com mentiras.
— Entendo, mas eu não quero mais contato com Joseph ou dar direito a ele sobre essa criança.
— Demi, sou advogado. — Ele riu. — Sabe que ele tem, sempre terá.
— Wilmer, eu também pensei e pesquisei muito. Estou determinada a ter esse filho sozinha, não será um problema para mim, mesmo querendo estar ao seu lado, eu posso fazer isso sozinha.
— Mas não quer.
— Não quero, mas farei se isso for um problema amanhã ou depois. Pode dizer isso hoje, mas como será quando ele nascer, daqui um ano ou dois? Você manterá essa posição?
— Você realmente não me conhece, não? — Wilmer riu sozinho. — Eu quero isso e quero ser sincero sobre isso. Será um filho meu e terei responsabilidades, mas ele terá de saber toda a verdade sobre esse momento porque eu não quero continuar isso com mentiras que amanhã ele venha descobrir.

Última sessão

— Sinto que terminamos aqui Christina. Foi bom, mas estamos seguindo em frente e isso significa tirar tudo que me lembre ao que aconteceu.
— Compreendo.
— E você foi uma peça importante. — Demetria sorriu.
— Está feliz?
— Sim, estamos. — Alisou sua barriga já visível. — Estamos determinados a fazer dar certo e pela primeira vez estou deixando de estar no comando, não dá certo para sempre controlar tudo. E estamos felizes, Wilmer e eu queríamos uma família que não aconteceu como queríamos ou planejávamos, foi de um modo errado em que tentamos tirar o melhor dessa experiência dolorosa.
— Quanto a Joseph, posso perguntar?
— Vendemos a casa da praia, iremos para a capital e deixaremos tudo para trás. Joseph.... ele está feliz com Sophie, assim como gostaria que estivesse. O erro não pode ser desfeito e eu não quero a infelicidade dele. Sabe, eu sei que existiu algo entre nós no passado e ter ficado com o Nick foi uma escapada ao que sentia ao Joe, ele sempre foi ótimo para mim, até mesmo depois de tanto tempo. Infelizmente arruinamos uma longa amizade, mas.... O que eu posso dizer?




2 comentários:

  1. Oi! (Não entrei pela minha conta, mas está aí o meu nome)

    Gostei! Não imaginava que o que ela tinha esquecido fosse uma gravidez, ou melhor, de quem era o pai, se ela amava tanto o marido.
    Fiquei surpreendida com o final, mas depois aí li o título e entendi o porquê desse desfecho.

    Beijos!

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    Respostas
    1. Oi Silvia
      Sim, eu me inspirei na música ruin the friendship da Demi e depois vi que pode não ter ficado claro.
      Fico feliz que tenha gostado.
      Beijos,
      Mirela

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