Aquele dia começou antes mesmo do
anterior terminar, pois Taylor passara a noite em claro, o corpo deitado, mas a
mente presa na tela do celular, revivendo cada mensagem trocada horas antes
como se pudesse encontrar, entre uma linha e outra, algum detalhe que lhe
tivesse escapado.
A resposta de Emily havia chegado
poucos minutos depois de desligar a ligação com Travis, quando sua mente ainda
tentava decidir qual daqueles dois acontecimentos era mais perigoso.
“Quem é você?”
Taylor demorou quase cinco minutos
para responder. Escrevia uma frase, apagava. Começava outra. Sabia que qualquer
palavra errada faria Emily desaparecer antes mesmo que a conversa começasse.
Por fim, respirou fundo e digitou.
"Meu nome é Taylor. Acredito que
não nos conhecemos pessoalmente. Encontrei seu nome por acaso enquanto
pesquisava antigas apresentações de balé."
A mensagem foi entregue imediatamente,
mas a resposta demorou pouco.
"Como encontrou meu perfil?"
Taylor sentiu que Emily não parecia
agressiva, mas cautelosa.
"Foi através de uma fotografia
antiga. Você aparecia em uma apresentação."
Alguns segundos.
"Entendi."
Nada mais.
Taylor releu a conversa algumas vezes.
Era pouco. Muito pouco. Mas Emily continuava ali, então, tentou aproveitar a
brecha.
"Desculpe insistir, mas preciso
fazer uma pergunta."
Dessa vez a resposta levou quase um
minuto.
"Qual?"
Taylor respirou fundo antes de
escrever.
"Você conheceu John Mayer quando
fazia balé?"
A mensagem foi entregue.
Os segundos seguintes pareceram longos
demais.
O indicador de digitação apareceu. Desapareceu.
Voltou. Sumiu novamente.
Taylor sentiu o coração acelerar. Então
veio apenas uma resposta.
"Por quê?"
Não havia curiosidade, mas receio e Taylor
percebeu isso imediatamente.
"Porque também o conheço."
Outra pausa. Muito maior.
Ela imaginou Emily olhando para a
tela, talvez pensando em bloquear aquele número, talvez tentando decidir se
responder seria um erro.
Taylor resolveu arriscar um pouco
mais.
"Você abandonou o balé por causa
dele?"
A mensagem foi enviada. Entregue. Lida.
E nada.
Taylor esperou um minuto. Dois. Cinco.
Abriu novamente a conversa e nenhuma resposta. Esperou mais alguns minutos e
digitou com esperança:
"Não quero te prejudicar. Só
preciso entender algumas coisas."
A mensagem permaneceu entregue. Sem
leitura. Sem resposta.
Taylor fechou os olhos lentamente porque
já não precisava de uma confirmação. O silêncio de Emily dizia mais do que
qualquer explicação poderia dizer, pois se mencionar o nome de John era
suficiente para fazê-la desaparecer daquela forma, então havia algo ali. E algo
grande.
Taylor deixou o celular sobre o
colchão, encarando o teto escuro do quarto. Pela primeira vez desde que entrara
na casa dos Mayer, sentiu que havia encontrado um fio verdadeiro para puxar.
Não era uma prova. Ainda não.
Mas era a primeira reação que não
podia ser explicada por coincidência e isso bastava para mantê-la acordada até
o amanhecer.
Quando o despertador finalmente tocou,
Taylor teve a sensação de que jamais chegara a dormir de verdade. A noite
inteira fora consumida pela mesma conversa interrompida, pelas mesmas poucas
mensagens relidas inúmeras vezes, pela última pergunta que permanecia sem
resposta e, sobretudo, pelo silêncio de Emily, que agora lhe parecia mais
eloquente do que qualquer confissão.
Ela não precisava mais convencer a si
mesma de que havia encontrado uma direção. Emily não desaparecera por acaso. Desaparecera
quando John deixou de ser apenas um nome.
Enquanto preparava o café, pegou o
celular outra vez, quase por impulso. A conversa continuava exatamente como a
deixara horas antes.
"Você abandonou o balé por causa
dele?"
Abaixo, apenas o horário da leitura.
Nenhuma resposta.
Taylor pensou em escrever novamente,
mas desistiu. Insistir poderia significar perder qualquer chance futura. Se
Emily realmente carregava algum medo, pressioná-la apenas faria com que
erguesse um muro ainda maior.
Guardou o aparelho no bolso da bolsa e
saiu de casa.
O céu londrino permanecia cinzento,
embora o calor daquele verão insistisse em atravessar as nuvens. Durante o
caminho até a mansão Mayer, percebeu algo que há semanas não sentia: leveza. Era estranha, quase inadequada diante
de tudo o que acontecia, mas existia.
Pela primeira vez desde que entrara
naquela casa, sua investigação havia encontrado alguém do lado de fora dos
muros da família Mayer. Até então, tudo eram hipóteses, lembranças
fragmentadas, olhares, fotografias, suspeitas. Agora havia uma pessoa de carne
e osso que, ao ouvir o nome de John, simplesmente desaparecera.
Aquilo significava alguma coisa. Para
Taylor, precisava significar.
Ao chegar à mansão, Rachel foi a
primeira a correr em sua direção.
— Você chegou!
A menina a abraçou com naturalidade,
como se o incidente da piscina tivesse sido finalmente colocado em um lugar
distante da memória.
— Achei que hoje você demoraria.
Taylor sorriu.
— Eu também achei.
Rachel segurou sua mão e começou a
contar, sem respirar entre uma frase e outra, sobre uma atividade da escola,
uma redação elogiada pela professora e uma colega que insistia em dizer que
pisaria nos palcos do Royal Ballet um dia.
— Eu também queria dançar... —
comentou de repente.
Taylor olhou para ela.
— Balé?
Rachel assentiu.
— Acho bonito.
Quando entraram na casa, Katheryn
apenas levantou os olhos da agenda eletrônica sobre a mesa de jantar.
Não sorriu, mas também não fez
qualquer comentário. Já era um progresso.
Rachel sentou-se à mesa, onde Katheryn
já folheava a agenda do dia enquanto uma xícara de café esfriava lentamente ao
seu lado. A mesa estava posta com a mesma elegância de sempre, frutas
cuidadosamente cortadas, pães ainda quentes e o jornal aberto ao lado do prato,
embora fosse evidente que a atenção de Katheryn permanecia dividida entre o
café da manhã e as inúmeras notificações que surgiam na tela do tablet.
Ao ouvir a filha, levantou os olhos.
— Dormiu bem?
Rachel fez que sim com a cabeça antes
de se servir. Taylor permaneceu alguns passos atrás, esperando caso fosse
necessária, como aprendera a fazer desde que começara a trabalhar ali.
Foi Rachel quem quebrou o silêncio.
— Mamãe...
Katheryn continuou passando os olhos
pela agenda.
— Hum?
— Você acha que eu conseguiria fazer
balé?
A pergunta fez Katheryn erguer
completamente o rosto.
Durante alguns segundos, apenas
observou a filha, como se tentasse entender de onde aquele assunto surgira tão
de repente.
— Balé? — repetiu.
Rachel assentiu, animada.
— A Emma disse que vai começar este
semestre. Ela falou que talvez dance num teatro de verdade na peça de outono.
Katheryn apoiou os talheres sobre o
prato.
— E foi isso que te deu vontade?
Rachel balançou a cabeça
negativamente.
— Não.
Olhou rapidamente para Taylor antes de
voltar a encarar a mãe.
— Eu queria dançar com o papai.
O silêncio que se instalou foi breve,
mas suficiente para que Taylor percebesse a expressão de Katheryn mudar
discretamente.
Havia surpresa – talvez até um pouco
de culpa porque aquela era uma ideia simples demais para jamais ter sido
considerada antes.
Katheryn sorriu com delicadeza, embora
parecesse escolher cuidadosamente as palavras.
— Seu pai ficaria muito feliz em saber
que você tem interesse pelo balé.
Rachel sorriu imediatamente.
— Você acha?
— Tenho certeza.
A menina abriu um sorriso ainda maior.
— Então eu posso participar do
espetáculo dele?
Katheryn respirou devagar.
Era uma pergunta inocente, mas resposta,
porém, não era.
— Ainda não, querida.
Falou com carinho, procurando não a
decepcionar.
— A produção em que seu pai está
trabalhando agora é muito importante. Existem bailarinos que ensaiam durante
meses, às vezes durante anos, para estarem naquele palco. Não é algo em que
alguém simplesmente entra para participar.
Rachel abaixou um pouco os olhos.
— Ah...
Katheryn inclinou-se na direção da
filha e acariciou seus cabelos.
— Mas isso não significa que você não
possa aprender.
Rachel voltou a olhá-la.
— Mesmo?
— Claro.
Um sorriso sincero apareceu no rosto
de Katheryn.
— Acho, inclusive, que seu pai ficaria
muito orgulhoso de saber que você quer seguir um caminho parecido com o dele.
A menina pareceu recuperar o
entusiasmo imediatamente.
— Posso contar para ele hoje?
Katheryn consultou rapidamente a
agenda aberta sobre a mesa.
— Ele vai passar o dia inteiro no
estúdio.
Fez uma pequena pausa antes de
continuar.
— Mas depois do almoço podemos ir
visitá-lo. Tenho uma reunião rápida por lá e você pode mostrar esse interesse
pessoalmente.
Rachel praticamente bateu palmas.
— Sério?
— Sério.
A animação da menina contagiou até o
ambiente, fazendo Katheryn sorrir de maneira espontânea, algo que Taylor
percebia acontecer cada vez menos.
Foi então que Rachel virou-se para
ela.
— Você vai também, Taylor?
A pergunta a pegou desprevenida. Antes
que pudesse responder, Katheryn respondeu por ela.
— Claro. Você acompanhará Rachel
enquanto trabalho com John.
Taylor apenas assentiu, mas, por
dentro, algo havia mudado.
O estúdio.
A palavra bastou para que uma
lembrança antiga atravessasse sua memória com a força de um reflexo.
Corredores compridos revestidos de
madeira clara. O cheiro constante de resina misturado ao verniz do palco. O som
distante de um piano marcando exercícios. Espelhos enormes refletindo dezenas
de meninas tentando alcançar uma perfeição que parecia sempre um passo além.
Ela conhecia aquele lugar.
Fazia anos desde a última vez que
cruzara aquelas portas, mas bastara ouvir Katheryn mencionar o estúdio para que
imagens esquecidas voltassem com uma nitidez desconfortável.
A conversa à mesa terminou pouco
depois junto com o café da manhã, mas a ideia de voltar ao estúdio permanecia
girando na cabeça de Taylor de um jeito incômodo. Assim que Rachel subiu para
escovar os dentes antes das atividades da manhã e Katheryn voltou a mergulhar
na agenda eletrônica, ela sentiu que precisava respirar. Pediu licença
discretamente e atravessou a cozinha até a porta de vidro que dava acesso aos
jardins dos fundos.
O ar quente daquele fim de manhã a
envolveu imediatamente. Diferente do interior climatizado da mansão, ali o
cheiro de grama recém-aparada, terra úmida e lavandas plantadas ao longo do
caminho trazia uma sensação estranha de normalidade. Caminhou sem destino entre
os canteiros, deixando que o vento bagunçasse alguns fios soltos do cabelo
enquanto tentava organizar os próprios pensamentos.
O estúdio.
A lembrança insistia em voltar.
Ela conseguia quase ouvir o rangido do
piso de madeira sob as sapatilhas, o som do piano preenchendo as salas de
ensaio, as vozes das meninas repetindo a contagem dos movimentos. Não eram
apenas lembranças felizes. Eram fragmentos de uma vida que havia terminado cedo
demais.
— Taylor?
Ela virou-se devagar.
Jason vinha pelo caminho de pedras
carregando uma pequena caixa de ferramentas. Assim que a viu, diminuiu o passo
e franziu discretamente a testa.
— Você está bem?
Taylor forçou um sorriso.
— Estou.
Jason arqueou uma sobrancelha.
— Não parece.
Ela passou uma das mãos pelo próprio
braço, como se sentisse frio apesar do calor do verão.
— Só precisava respirar um pouco.
Ele parou ao seu lado, olhando para o
jardim antes de voltar a observá-la.
— Você está pálida.
Taylor deu de ombros.
— Acho que dormi pouco.
Jason permaneceu alguns segundos em
silêncio, como se avaliasse até onde podia ir naquela conversa.
— Desde... aquele dia da piscina... —
começou com cuidado — nós praticamente não conversamos.
Taylor abaixou os olhos – a culpa
voltou inteira.
— Eu sei.
O silêncio entre os dois durou alguns
instantes.
— Obrigada... — disse ela por fim, a
voz baixa. — Por ter salvado a Rachel.
Jason desviou o olhar para a fonte.
— Eu só estava perto.
— Não importa. Você foi.
Ela respirou fundo.
— Eu não consegui.
Jason não respondeu imediatamente.
Passou a mão na nuca, claramente desconfortável.
— Às vezes a gente trava.
Taylor sorriu sem humor.
— Nem todo mundo trava.
— Não. — Ele balançou a cabeça. — Mas
acontece.
Ela percebeu que ele tentava poupá-la,
embora também tivesse visto exatamente o que acontecera.
— Rachel podia ter morrido.
— Mas não morreu.
— Porque você estava lá.
Jason soltou um longo suspiro.
— Escuta... eu não sei exatamente o
que aconteceu com você naquele momento e não vou perguntar. Não é da minha
conta.
Taylor apenas assentiu.
Ele olhou rapidamente para a casa
antes de continuar abaixando um pouco a voz.
— Só toma cuidado.
Ela ergueu os olhos.
— Com o quê?
Jason hesitou. Era um homem acostumado
a medir palavras.
— Com o senhor Mayer.
Taylor permaneceu imóvel.
— Ele é um bom patrão — continuou
Jason, escolhendo cada sílaba. — Sempre foi correto comigo. Nunca tive motivos
para reclamar.
Fez uma pequena pausa.
— Mas isso não significa que eu ache
que ele seja... previsível.
Taylor sentiu o estômago apertar.
— Faz muitos anos que trabalho aqui.
Aprendi uma coisa.
Ela esperou.
— Quando o senhor Mayer coloca alguma
coisa na cabeça... ele dificilmente desiste.
Taylor permaneceu em silêncio.
— E ultimamente... — ele respirou
fundo — tenho a impressão de que ele presta atenção em você mais do que um
patrão costuma prestar numa funcionária.
A frase foi dita sem julgamento, quase
como um conselho.
Taylor tentou manter a expressão
neutra.
— Talvez seja impressão sua.
Jason deu um sorriso discreto.
— Espero sinceramente que seja.
O silêncio voltou a se instalar entre
eles.
Depois de alguns segundos, ele tornou
a falar.
— Só... não confunda educação com
interesse e, se perceber que ele está confundindo profissionalismo com outra
coisa... mantenha distância.
Taylor observou-o por um instante. Havia
honestidade naquele aviso. Parecia apenas alguém que conhecia o patrão havia
tempo suficiente para reconhecer certos padrões.
— Obrigada.
Jason fez um pequeno gesto de cabeça.
— Não estou dizendo que vai acontecer
alguma coisa.
— Eu sei.
— Só acho que você merece estar
preparada.
Taylor respirou lentamente.
— Vou me lembrar disso.
Ele sorriu de maneira discreta,
satisfeito por ela não ter levado a conversa para outro lado.
— Bom... acho que já falei demais.
Virou-se para seguir em direção ao
galpão de ferramentas, mas parou depois de dois passos.
Olhou novamente para Taylor.
— E, por favor...
Ela ergueu os olhos.
— Não carregue aquele dia sozinha. A
Rachel continua correndo atrás de você pela casa inteira. Isso diz alguma
coisa.
Taylor sorriu pela primeira vez
naquele dia.
Um sorriso pequeno, cansado, mas
verdadeiro.
— Obrigada, Jason.
Ele respondeu apenas com um aceno.
Quando passou por ela, diminuiu
naturalmente o ritmo e, antes de seguir pelo caminho de pedras, tocou de leve a
mão de Taylor, um gesto rápido, quase fraterno, de quem queria transmitir apoio
sem chamar atenção de ninguém.
Taylor permaneceu parada por alguns
instantes depois que Jason desapareceu entre as árvores do jardim. Ainda sentia
o calor discreto do toque dele sobre sua mão, um gesto tão simples que quase a
fez esquecer, por um instante, do peso que carregava havia semanas. Soltou o ar
lentamente, preparando-se para voltar à rotina, quando ouviu passos suaves
atrás de si.
— Então era aqui que você estava.
Taylor virou-se.
Sabrina vinha da varanda com um
pequeno cesto de roupas dobradas nos braços. Tinha um sorriso contido, daqueles
que denunciavam que já havia observado mais do que deveria.
— Estava te procurando.
— Precisava de um pouco de ar. —
respondeu Taylor.
Sabrina olhou na direção em que Jason
havia acabado de desaparecer.
— Percebi.
Taylor acompanhou seu olhar e entendeu
imediatamente o que ela estava pensando.
— Não é o que parece.
Sabrina riu baixinho.
— Engraçado... normalmente quem diz
essa frase é porque é exatamente o que parece.
Taylor balançou a cabeça, quase
sorrindo.
— Nós só estávamos conversando.
— Eu vi.
— Sobre Rachel.
— Sei.
Taylor cruzou os braços.
— Sabrina...
— Estou brincando.
Ela aproximou-se mais, apoiando o
cesto sobre um banco de madeira antes de encarar Taylor com uma expressão mais
leve.
— Jason é um bom homem.
— Eu sei.
— Discreto, trabalhador, educado...
Taylor sorriu.
— Mas não existe absolutamente nada
entre nós.
— Nem precisa justificar.
— Não estou justificando.
— Está um pouquinho.
As duas riram discretamente, quebrando
por alguns segundos a tensão que vinha dominando a casa desde o incidente da
piscina.
— Somos bons colegas. — explicou
Taylor. — Só isso. Ele veio saber se eu estava bem. Acabamos falando sobre
aquele dia... e eu agradeci por ele ter salvado a Rachel.
Sabrina assentiu.
— Faz sentido.
Depois inclinou ligeiramente a cabeça.
— Você leva tudo muito a sério, sabia?
Taylor arqueou uma sobrancelha.
— Talvez.
— Não, não talvez. Com certeza.
Pegou novamente o cesto e continuou
falando num tom tranquilo.
— Às vezes duas pessoas podem
simplesmente conversar sem transformar isso numa reunião de trabalho.
— Era praticamente uma conversa
profissional.
— Até no jardim?
Taylor deu uma pequena risada.
— Você está impossível hoje.
— Alguém precisa deixar essa casa um
pouco mais leve.
O sorriso de Taylor diminuiu quando
percebeu que Sabrina ainda a observava com atenção.
— Posso te dizer uma coisa?
— Claro.
Sabrina olhou discretamente para a
fachada da mansão antes de baixar um pouco a voz.
— Acho que a senhora Mayer dormiria
muito mais tranquila se soubesse que você estivesse com outra pessoa.
Taylor franziu o cenho.
— Como assim?
Sabrina demorou um instante para
responder.
— Você realmente nunca percebeu?! A
casa inteira percebeu.
Ela sentiu um leve aperto no peito.
— Percebeu o quê?
Sabrina respirou fundo, escolhendo
cuidadosamente as palavras.
— O senhor Mayer presta atenção demais
em você.
Taylor desviou os olhos
automaticamente.
— Não é impressão minha, Taylor. Nem
da senhora Mayer. Nem dos funcionários.
O jardim pareceu ficar mais
silencioso.
— Ele pergunta por você com
frequência. Observa demais nos lugares em que . Repara quando muda o cabelo,
quando falta, quando está cansada... são detalhes pequenos, mas constantes.
Taylor tentou responder, mas Sabrina
levantou delicadamente a mão.
— Não estou dizendo que exista alguma
coisa entre vocês.
— Porque não existe. — respondeu incisiva.
— Eu acredito em você.
A resposta veio imediata.
— Mas... — continuou Sabrina — também
acredito nos meus olhos.
Taylor permaneceu imóvel.
— E, sinceramente... se a senhora
Mayer soubesse que você está conhecendo alguém... um rapaz da sua idade, por
exemplo... talvez ela respirasse mais aliviada.
Taylor soltou uma pequena risada
incrédula.
— Você está sugerindo que eu arranje
um namorado para tranquilizar minha patroa?
Sabrina sorriu.
— Estou dizendo que uma mulher
comprometida costuma parecer um problema menor para um homem que insiste em
olhar para onde não deveria.
A frase ficou suspensa entre as duas.
— Não estou procurando ninguém. E não tenho
ninguém, se é o que quer saber...
— Mas isso é óbvio! — Sabrina riu. —
Desculpa, mas você só pensa em trabalho.
Taylor ficou quieta.
— Mas Jason também é solteiro. É
bonito também. Enfim, só... tome cuidado para não passar tanto tempo olhando
para o perigo que deixe de enxergar as boas oportunidades quando elas aparecem.
Só isso.
[CONTINUA]
