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MELODRAMA
Criado em meados de 2014, MELODRAMA tem como único objetivo entreter os leitores e armazenar os clichês e epifanias de uma escritora amadora e tanto banal.
AUTORA
Sofre de insônia e epifanias que não permitem que durma até desenvolve-las, um tanto confusa com o futuro e um forte apego ao passado, nem sempre lembra como é seu presente. Um tanto misantropa e desagradável, busca desvendar mistérios da literatura e do mundo.
CRÉDITOS
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Chess — 3° Capítulo.



– Quem é ela? – Jacob pergunta ao atravessar por Demetria em olhá-la por completo.
– Atena!

Jacob, um homem alto e musculoso, parou no meio da sala e voltou sua atenção a Demetria – analisando-a de cima abaixo com os olhos bem duros e críticos, deixou escapar uma risada e voltou a andar pelo grande espaço retirando sua gravata e desabotoando sua blusa.

– Só existe uma Atena. – Responde duramente.
– Que seja, Jacob. Ela é quem eu estava procurando. O que achou?
– Ela é bonita, só posso dizer isso por ora. – Suspira. – Tinha que ser hoje?
– Que diferença faz a nós? Morta ou não, Alikson não é uma de nós.
– E porque querer recrutar outra pessoa para o mais alto escalão? Já temos gente o suficiente no nosso nível, Alastor é uma, por exemplo, experiente, dura.... Porque outra Atena?

Urano coçou sua barba e respirou fundo fechando seus olhos, quantas vezes os dois já não tinham debatido o mesmo assunto. Já era praxe entrar nesse assunto, Urano era o líder, ele decidia o que faria. Ele quer outra Atena, ele terá outra.

– A não ser que não acredite que Alikson morreu. – Jacob continua.
– Não acredito! – Urano ri. – Sabe que não, e não vamos debater mais isso.

Trocando sua roupa social por uma regata, Jacob passa mais uma vez por Demetria e Joseph e serve um copo d’agua para si, olha Demetria mais uma vez com um sorriso e senta em um confortável sofá.

– O que está achando da sua estadia aqui?
– Um buraco com goteiras e ratos, quer dizer? – Demetria ataca.
– Sim. – Jacob responde sorridente. – Esse mesmo, o que acha?
– Quem são vocês, o que querem comigo?
– Minha querida, melhor se sentar. – Urano aponta para uma poltrona. – Leia esse jornal americano que deixei aí.

Demetria desconfiada olha para a poltrona e vê um jornal, reconheceu o logo do jornal que lia todas as manhãs desde seus dezenove anos. Sentou–se na ponta da poltrona e abriu o jornal, a data era de um dia atrás, foleou lentamente as folhas e leu o título da capa em voz alta.

– Vazamento de gás deixa vítimas em delegacia local no Texas. Sem sobreviventes.

Assustada com o que acabará de ler, suas memorias foram invadidas pelo o que aconteceu antes de acordar em um buraco. Olhou para todos na sala, seu coração acelerou e não conseguia pronunciar nenhuma palavra, estava estagnada. Ela estava morta.

– Também temos isso a você! – Urano diz ao entregar um envelope.

Ela abriu rapidamente e tinha muitas fotos reveladas de sua família em um cemitério, Demetria começou a se sentir sem ar, como se sua pressão tinha descido rapidamente.

– O que vocês.... – Ela disse lentamente, mas não completou a frase.
– Essa é a sua família enterrando seu corpo carbonizado, você se tornou uma heroína americana, irá ganhar uma estrela de bronze em breve. – Urano sorriu. – De contrapartida, você tem a oportunidade de iniciar uma nova vida conosco.
– Nova vida?
– Sim, nunca pensou ser uma nova pessoa em Paris? – Urano diz.
– Paris? – Cada nova informação deixava Demetria ainda mais assustada.
– Sim, Paris. – Urano apontou para janela e Joseph abriu as cortinas.

Demetria levantou–se ao ver a torre eiffel de tão perto. Nunca tinha saído do Texas em toda sua vida e ela já tinha seus vinte e seis anos. Os brilhos em seus olhos eram visíveis a todos em sua volta, mas não durou por muito tempo, logo voltou a si.

– O que vocês são?
– Aqui você terá duas saídas. – Jacob se levanta. – Como uma de nós ou morta.
Aquelas palavras a deixaram arrepiadas, o medo já tinha a tomado por completo.
– Nós somos uma instituição internacional, uma firma se for melhor para entender. Uma agenda governamental, mas não governamental. – Todos riram. – É complicado de entender no início, mas você aprenderá nossa história também. Somos uma unidade de contraespionagem e recrutamento particular.
– Mercenários. – Demetria diz com certo desdém.
– Não sou chamado assim desde os anos oitenta. – Urano brinca pela primeira vez.
– Não somos mercenários. Somos uma firma solida e secreta.
– Você não disse nada! – Demetria passa a mão pelo seu rosto. – O que eu estou fazendo aqui?
– No final da II Guerra todos os líderes do primeiro mundo assinaram um tratado para criar uma subdivisão dos programas contraespionagem governamentais que estabelecesse a paz fazendo o que estivesse para ser feito, mas teria que ser um órgão secreto. Ao passar dos anos, nós nos separamos dos nossos criadores e somos ainda uma divisão secreta, mas que não responde a nenhuma autoridade.
– CIA? – Demetria.
– Para nós, a CIA é uma piada. – Joseph riu.
– E CIA ainda responde ao governo americano. Nós não.
– Vocês são russos.... Alikson é um nome russo.
– De fato, mas saímos da Rússia já faz mais de década. – Urano rebate.
– O fato é que o mundo é muito maior e obscuro que muitos imaginam. Que você imagina, posso afirmar que estamos no controle de guerras, eleições, tratados por todo o mundo. Antes fazíamos por interesse dos americanos, agora fazemos o melhor a sobrevivência da nossa firma. – Jacob completa. – E você é uma de nós agora. Se você quiser ser, é claro.
– Tenho alguma escolha? – Demetria ri debochada, não era burra.
– Claro que tem. – Urano suspira arqueando as sobrancelhas. – Se dizer que sim, você será parte da nossa família, receberá treinamento em tempo integral, em breve sairá daqui e até conhecerá Paris e o mundo, mas se você não quiser viver conosco, não ter paciência ou tentar nos enganar... O caixão que sua família chora hoje terá o seu corpo de verdade.
– Ameaças, é claro. – Continuou a rir.
– Não é uma ameaça, querida. – Urano aproximou–se de Demetria. – Ou você achou mesmo que depois de me ver ou ver Jacob, ouvir o que lhe contamos poderá sair daqui viva e ilesa?
– Porque eu? – Demetria fecha os olhos com os nervos aflorados.
– Isso apenas Joseph poderá lhe responder. – Jacob balança sua bebida. – Precisamos de uma resposta. Agora.

Demetria olhou todos em sua volta, incluindo Joseph que se manteve em pé o tempo inteiro perto da parede. Todos pareciam tranquilos diante a decisão que ela poderia tomar, é claro, já tinham falado toda verdade. Até mesmo a parte que lhe doía.
Ela não queria morrer, isso era mais que obvio para todos ali. Ainda era jovem, finalmente tinha conseguido arrumar e estabelecer sua vida no Texas, realizar o sonho de servir seu país – nem que fosse no mais baixo escalão. E agora se tornará refém de mercenários?

***

– Qual é sua posição?
– Faltam apenas 6% das instalações de vigilância. – Respondeu.
– Deixe isso para outra oportunidade. O alvo está subindo o elevador. Dois minutos.
– Mas....
– Um minuto, saia o mais rápido.
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