22.9.17

#Yes- 5° Capítulo


Segurei a mão de Joe e a beijei. Alisei seu braço e encarei seu rosto que parecia sereno.  Já fazia duas semanas que Joe estava em coma e eu jamais irei perder a esperança de que ele acorde, sentia que ele poderia acordar a qualquer momento e eu teria que estar aqui.
Olhei para a televisão no centro do quarto e imagens do Dirk chamou minha atenção. Fui até a televisão e aumentei o volume voltando para o lado de Joe, segurando forte sua mão.
Após duras semanas, Dirk seria condenado por declarar-se culpado e Wilmer tinha sido demitido pelo próprio Dirk após não fazer acontecer no recontro. Por parte, não foi culpa de Wilmer, ele me levou até Dirk, mas minha entrada não foi permitida por ter envolvimento com uma das vítimas e uma das vítimas que Dirk dizia não ter baleado. Mas Joe está aqui no hospital, em coma e ninguém sabe se um dia voltará a vida. De fato, Dirk é culpado e merece pegar perpetua.
O jornalista citava os nomes das vítimas, menos de Joe. Ele não estava morto e eu não permiti que falassem dele da maneira que falam dos outros. Então, pela primeira vez agradeci por Joe não ter visibilidade que ele deveria ter.
Tentei na barriga de Joe e fiquei ali observando a televisão sem dar atenção, mas apreciando a companhia de Joe.
Meu telefone começou a tocar e estiquei o braço para tirar dentro de minha bolsa que deixei nos meus pés. Era um número desconhecido, ainda sim atendi.

- Demetria Lovato.
- Olá.... Eu sou Helen, não sei se lembra de mim, mas você deixou seu cartão comigo. Nos conhecemos no memorial dos alunos.
- Ah sim, Helen. Claro que me lembro. – Dei uma leve risada.
- Gostaria de saber se podemos ter uma consulta. Ainda hoje.
- Claro. – Respondi rapidamente. – Tenho horário ás 16h, tudo bem?
- Está ótimo. – Respondeu contente. – Muito obrigada, doutora.

Desliguei o telefone e olhei para Joe. Fui até ele e dei um rápido beijo.

- Eu volto logo. – Acariciei seus cabelos.
...

- Como você está, Helen? – Perguntei sendo em minha poltrona.
- Não tão bem. – Respondeu com os olhos fixados no chão. – Achei que com a condenação de Dirk, ficaria tudo bem, mas não ficou.
- Pode ser mais específica sobre a situação?
- Ele deu cinco tiros na minha irmã, Helena. Cinco tiros. – Helen encarou-me. – Mesmo o primeiro sendo no peito, ele deu mais quatros e tirou a vida da minha irmã.
- Existia algum motivo para isso? – Perguntei com cautela. – Quero dizer, eles se conheciam?
- Minha irmã dizia que foi um mal-entendido com um trote e desde daquele dia Dirk começou a persegui-la. Ele era louco e todos sabiam disso. – Ela respirou fundo e fechou os olhos. – Todos vão ser enterrados essa semana e mesmo assim meus pais não irão vir. Não tem dinheiro para passagens e terei que enterrar minha irmã sozinha.
- Posso acompanha-la, se não tiver problema. – Ofereci-me. – Nesse momento é importante não ficar sozinha. Não se fechar para o mundo.
- Todos vão ser enterrados juntos, eram amigos. Não tem problema. – Deu um breve sorriso.  – Os familiares dos outros estarão lá também. O namorado da minha irmã morreu junto com ela.
- Sinto muito por isso, Helen. – Fiquei na ponta da cadeira. – A justiça vai agir.
- Mas não é o suficiente. Ele matou inocentes. Minha irmã!
...

Olhei pela janela Helen ir embora do prédio e virei as costas sentando na mesa. Ouvi algumas vozes pelo escritório e sai procurando de onde vinha o barulho.

- O que aconteceu? – Perguntei para Isaac.
- Dirk acabou de se declarar culpado e recebeu prisão perpetua. – Ele apontou para televisão com a cabeça. – Pelo menos a justiça agiu.
Aproximei-me da televisão e assisti Dirk repetindo diversas e diversas vezes “me declaro culpado!”.
- Não é o suficiente. – Falei comigo mesma pensando em Joe.

Sai andando pelo escritório e voltei para minha sala. Trancando a porta. Minha respiração tinha ficado ofegante e a vontade de chorar voltou a tomar conta do meu corpo. Uma dor na minha barriga forte e comecei a sentir tontura.
Antes que pudesse voltar para abrir a porta, cai no chão e senti a pressão da minha cabeça ao encontrar-se fortemente com o chão.
...

- Onde estou? – Perguntei.
- Hospital. – Isaac respondeu rindo. – Você passou mal e trancou a porta. O que está pensando?
- Tentei abrir antes de cair...
- O médico está vindo conversar com você.

Um médico de estrutura media veio na direção no nosso quarto e antes de falar conosco escrevia muitas coisas em uma prancheta.

- É seu marido? – Perguntou apontando para Isaac.
- Não. – Respondi rapidamente. – Meu marido está no decimo andar em coma.
- Sinto muito. – O médico ficou surpreso. – Quanto tempo ele está lá?
- Três semanas. – Respondi. – É relevante?
- Sim. – Ele respondeu aproximando-me. – Se não é marido ou familiar, sai por um instante. – Pediu para Isaac e assim o fez, deixando-nos sozinhos. – Demetria, perguntei sobre seu marido porque você está gravida. Tem quatro semanas e hoje você teve um sangramento que quase fez sofrer um aborto. – Ele explicou rapidamente.
- Gravida? – Perguntei confusa.
- Sim. – Ele respondeu. – Pelo fato do seu marido estar em coma e de sua surpresa, é minha obrigação como profissional oferecer outras alternativ...
- Não. – Respondi antes que terminasse. Estava oferecendo alternativa de aborto ou adoção pós nascimento. – Quero ter essa criança.
- Tudo bem. Fico feliz por isso. – O médico sorriu. – Você ficará de observação por algumas horas e será liberada.

Ele saiu da sala e Isaac voltou preocupado.

- Ele queria explicar o que aconteceu. – Sorri. – Perguntou qual era minha alimentação e eu contei que nas últimas semanas não venho fiscalizando minha saúde. – Menti para Isaac.

Passei a mão na minha barriga e encarei por alguns minutos a janela que mostrava um belo pôr-do-sol. Isaac dizia algumas coisas que ignorava e assim saiu do quarto deixando-me finalmente sozinha.


- O que vamos fazer, Joe? – Alisei minha barriga.   
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