19 agosto 2018

Chess — 1° Capítulo.




Era madrugada, cerca das três da manhã e a mata fria engolia todos que ousavam andar por ela naquela hora. Fácil era se perder por ela e difícil seria sair ileso quando a mata era coberta de armadilhas para capturar inimigos.
Os sons dos galhos se quebrando ao serem pisados com força era o que concentrava a pequena Alikson Brigdes em sair daquela mata o mais rápido sozinho, uma garota com cerca de catorze anos, cabelos negros e a pele mais pálida do que a neve que ousaria cair ao amanhecer e seus olhos azuis como agua cristalina mantinham–se bem abertos conforme suas correrias cansavam suas pernas, mas fazia o que poderia em hesitar em olhar para trás.
Dentre galhos pontudos e poças da agua, ela caia algumas vezes por conta da escuridão e rasgava ainda mais sua roupa completamente preta com um grande treze que estampava suas costas – era seu número de identificação.

– Jake. – Encostou em uma arvore para respirar com mais calma. – Jake...

Seu coração pulsava tão forte que sentia seu peito estufar, era capaz de sentir seu corpo gelado e tremulo. Ela já tinha aprendido o que fazer quando ficava dessa maneira, mas não era capaz de praticar sua respiração.
Ela tirou um pequeno mapa guardado dentro de sua calça e o olhou com dificuldade, a única luz que iluminava aquela floresta era a lua, mas até a nebulosidade poderia dificultar isso, com o mapa amaçado em mãos, Alikson não foi capaz de determinar sua localização quando a única coisa que via em sua volta eram arvores.
Depois de alguns minutos sentada e com a respiração mais controlada, voltou a correr no mesmo sentido que corria, uma longa correria até avistar luzes e sons de motores – o que a fez correr ainda mais nesse sentido. Confiante que tinha achado o caminho certo, Alikson voltou a correr ainda mais rápido e parou frente a estrada começando a acenar para os carros em sinal de desespero.
Um carro simples preto de duas portas parou no acostamento pouco depois de Alikson acenar, ela uma mulher de quase terceira idade. A menina sorriu com um alivio no peito e correu para entrar no carro, mas sentiu uma picada fina perto do seu ombro.
Imóvel, ela tentou olhar para seu ombro e caiu no chão observando o carro que a ajudaria dar partida em alta velocidade.

***

– Você pode me ouvir? Se sim, aperte minha mão.

Alikson abriu seus olhos e os fechou em seguida. Ao abrir novamente com lentidão, Alikson observou um homem de estatura alta, negro vestido com um jaleco bem perto do seu corpo. A princípio, ela se assustou porque não conseguia olhar em volta, mas tentou demostrar alto controle. Apertou a mão do homem e fechou os olhos novamente.

– Jovem.... – Ele volta a dizer. – Qual é seu nome?

Ela manteve–se quieta.

– Preciso saber seu nome para ajudar. Você está em um hospital e meu nome é Saint Petterkson, sou seu médico. – Diz e Alikson abre os olhos novamente. – Pode dizer seu nome?
– Alikson. – Responde com a boca seca.
– É ela! – Outra voz diz, mas Alikson não consegue visualizar a pessoa.
– Escute, você vai voltar a dormir, certo? – Saint tenta tranquiliza–la.

O doutor tira uma agulha e perfura a pele de Alikson, deixando ela ainda mais fraca e sonolenta. Ela queria fazer perguntas, mas apagou novamente.
Abrindo os olhos, parecia estar no mesmo lugar que apagou. O que parecia ser segundo atrás, dessa vez, pode ter uma visão mais panorâmica do lugar que a acercava. Uma mulher negra com os cabelos crespos e altos se aproximou do corpo da garota, sentou ao lado da cama e abriu um sorriso – um belo sorriso, Alikson poderia afirmar.

– Sabe quem sou eu? – A mulher pergunta e Alikson nega com a cabeça.
– Meu nome é Viola Davis, mas você pode ter ouvido falar de mim como Gaia.

Alikson paralisa. Ouvirá esse nome diversas vezes saindo da boca de seu pai ou de pessoas mais velhas dentro do quartel que vivia.

– Pelo que vejo, sim, já ouviu esse nome. – Volta a dizer. – E eu sei que você é Atena.

Concorda com a cabeça em silêncio.

– Serei bem direta das minhas intenções com você, Atena. Soube da sua fuga porque tenho um informante dentro do quartel do seu pai, ele não irá sobreviver por muito tempo, mas é uma vitória para nós vermos que estamos com você. Uma herdeira de Urano.

Toda a conversa assustada Alikson, suas mãos estavam algemadas na cama.

– Posso soltar você. – Viola diz ao ver que Alikson tentava erguer as mãos. – Mas quero esclarecer algumas coisas antes: você não tem muita opção e sei que não pensou direito sobre o que sua fuga poderia trazer a sua vida, mas seu pai irá te achar no minuto que sair daqui e ele é uma má pessoa, não sei o que é capaz de fazer, mas se você já ouviu falar de mim, ouviu histórias.... Sabe que eu sou tão forte quanto seu pai e eu posso proteger você se você tornar uma aliada.
– Aliada? – Diz pela primeira vez.
– Sim, aliada. – Viola suspira e abre um sorriso. – Urano vai saber do seu paradeiro, saber que você foi morta brutalmente. Ele terá um corpo, provas e uma história em que acreditar e você virá comigo, ser meu braço direito. Você só tem que dizer sim.

***
14 anos depois....

– Espero que tenha escolhido o alvo certo dessa vez, Joseph. – Edward brinca.
– Escolhi!
– Disse isso na última duas vezes. – Continua com a voz amistosa. – Falo sério!
– Ela é a garota de Urano. – Joseph responde com rispidez.

Limpa o suor de sua testa e coça rapidamente a barba mediana a fazer. Olhando para o céu com um capacete na mão, estava muito calor e a terra de barro não ajudava Joseph a melhorar seu humor, enquanto Edward brincava a milhas dali em uma cena bem ventilada. Isso deixava Joseph aos nervos.

– Posso ir? – Joseph pergunta com um binóculo na mão.
– Sim, ela acabou de chegar. Irei te orientar a partir de agora. – Edward diz. – Quanto quiser!

Sem Edward ao menos ver, Joseph assentiu com a cabeça e manteve–se em silêncio, colocou o capacete e deu partida na estrada em uma grande moto, não demorou muito para chegar no local indicado, mas estacionou um pouco a frente como orientou Edward.

– Ela está no lado de trás da delegacia. Aviso quando deve ir! – Edward.

Arrumou o fone que se comunicava com Edward no ouvido e encostou na parede num pequeno local que tinha sombra, respirando aliviado, Joseph manteve–se com o capacete e aguardou atento por longos vinte minutos.

– Irá sair um perto. Vá pela direita. – Diz Edward.

Assim fez Joseph, foi para direita e continuou encostado.

– Receberam um chamado, ela irá sair com outro homem. É agora, Joseph! Quando ela entrar no carro.

Olhou para trás e viu uma viatura dando partida, Joseph não perdeu tempo ao correr para dentro da delegacia entrando na porta de trás, passou por algumas celas e com uma pequena faca guardada em seu pulso furou dois grandes galões, jogou pela delegacia e ateou fogo com seu isqueiro predileto.
A gritaria começou ao verem o fogo se levantar, Joseph já tinha trancado a porta dos fundos e correu para ser o único a sair pela da frente. Fechou as portas e correu contra a direção da base policial que aos sons de tiros e gritos desesperados explodiu, assim o silêncio se estalou. O carro que dará partida minutos atrás voltou em alta velocidade pela estrada e um corpo pela janela se atirou do carro começando a atirar contra Joseph. O rapaz balançou a cabeça negativamente e arrancou o fone de seu ouvido onde Edward gritava para Joseph agir.
Abaixado próximo a sua moto, Joseph protegia–se de balas, ele parecia tranquilo – como se já esperava aquele tipo de reação. Contra si, foram cerca de vinte balas até ele saber que aqueles policias ficaram sem munições. Com um sorriso no rosto, Joseph levantou–se e atirou uma faca contra o peito de um dos guardas que caiu no chão.

– Policia do Texas! Coloque a mão para cima!
– Está sem munição. – Joseph responde andando em sua direção.
– Mãos para cima!

Joseph apontou uma arma contra cabeça do seu alvo e tirou a arma de sua mão que, de fato, já estava sem munição. O rapaz abaixou seu revolver e respirou fundo com um pequeno sorriso vitorioso nos lábios, sua missão já tinha sido um sucesso.

– Injete isso em cima mesma. De preferência entre os dedos.
– Não irei fazer isso!
– Melhor você fazer do que eu. – Joseph insiste. – Insira.
– Eu sou uma autoridade, você não pod....

Antes que seu alvo completasse a frase, Joseph atirou a seringa no braço do alvo que amoleceu rapidamente. Lutando contra o antibiótico injetado por Joseph, o alvo caiu de joelhos no chão tentando alcançar seu revolver sem balas no chão.

– Fique calma, Demetria. Não irei te machucar!
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