Running – 4° Capítulo.

13 de janeiro de 2018


Demetria tira seu sobretudo lentamente e o joga no sofá, respirando fundo começa a se despir pela casa até seu banheiro – onde já estava completamente nua. Liga o chuveiro e senta no sanitário fitando os azulejos. Seus pensamentos estavam longes que mal se tocou que passará mais de quinze minutos na mesma posição apenas ouvindo o som das pequenas gotas unidas irem ralo abaixo. Ao olhar para o box cheio de vapor, seus pensamentos foram interrompidos por mais memorias. Todas as memorias que ela prometeu trancar a sete chaves, se não, esquecesse-las em algum ponto de sua vida.
Ao deslizar as pontas dos dedos em volta do seu pescoço, Demetria conseguia sentir as mãos pesadas e carregadas de ódio de Wilmer. Essa memória ainda era a mais fresca de sua mente. Como um estalo de dedos em sua mente, Demetria despertou de sua distração e entrou no box permitindo que a agua quente caísse pelo seu corpo cansado.
Suas pernas poderiam ceder ali mesmo a qualquer segundo, mas manteve-se firme, para, pelo menos, um digno banho. Cada vez que fechava seus olhos, ela enxergava Alexa em sua frente. Onde estaria Alexa agora? Demi se condenava cada vez que seu pensamento dizia que Wilmer era incapaz de machucar sua filha, mas ele seria?
Enrolada em uma toalha grossa, Demetria saiu descalço do banheiro e sentou na cama encarando mais uma vez a foto de Alexa em seu criado-mudo. Voltou a se perder em seus pensamentos, dessa vez, o estalo que a despertou veio de seu telefone – que tocava atrás de Demetria na cama.
Na tela do aparelho, o número discado era desconhecido. Sem muito questão de atender, pouco perto de perder a chamada. Ela atende com um alô nitidamente exausto em sua voz.

- Pensei que não iria atender.

A voz que fez Demetria arregalar seus olhos e coração pulsar mais forte. Levantou rapidamente da cama e segurou o celular ainda mais forte. Ela foi incapaz de responder a primeira provocação.
Por longos minutos, os dois ficaram em silencio na linha sendo a respiração de Demetria o único som transmitido.

- Onde está Alexa? – Demetria finalmente conseguiu dizer em um tom ríspido.
- Ela está bem, Demi. – Uma leve risada. – Tinha saudades do pai.
- O que você está pensando em fazer com ela?
- Alexa? Oh, acha que eu machucaria nossa filha?
- Eu não sei do que é capaz, Wilmer. – Seus olhos encheram de lagrimas. – O que quer?
- Passar um endereço. Vá agora até a Rua El Dourado, 1158. Uma fábrica de soja fechada, entre pelo portão C. É vermelho e estará aberto. Terá que ir agora porque é provável que a polícia já foi acionada.
- Outra vítima?
- Você terá que descobrir isso sozinha. Se você fizer a coisa certa.... Até mais, Demi!

Antes que pudesse responder, a chamada já tinha sido encerrada. Respirou fundo e caçou as mesmas peças de roupa espalhada pela casa e prendeu seu cabelo em um coque, puxou sua bolsa com a chave do carro e deu partida ao endereço que não era tão difícil. Já tinha ouvido falar daquele endereço uma vez, mas não se lembrava onde.
Ao chegar no local, Demetria sentiu certo remorso. Estava completamente escuro e um grande breu onde indicava ser o portão C. Ela olhou para seu revolver no banco do passageiro e não excitou de pegar.
Saiu do carro usando a lanterna do seu celular, Demi trancou o carro e com passos largos entrou pelo portão vermelho. A arma em sua mão direita e a lanterna em sua esquerda, Demi manteve-se atenta a cada passo que dava.
Era uma grande fábrica, mas não demorou muito para Demetria ser guiada em direção a uma única lâmpada acessa em todo aquele espaço. Com a arma mais abaixo do peito, Demetria andou às pressas e avistou um corpo atirado no chão. Uma mulher com os cabelos pretos e a boca com um forte batom vermelho com o pescoço inchados. Por alguns segundos, Demetria ficou imóvel e fechou seus olhos. Era para isso que Wilmer a chamou?
Ela olhou em volta quando ouviu um barulho de sirenes aproximando-se. Fechou os olhos da garota e olhou de maneira panorâmica em toda volta dela encontrando um pequeno papel na mão da garota. Os dedos da garota estavam entrelaçados como se segurasse firme demais antes de morrer. Com cuidado, Demi puxou e virou de costas para o corpo.
Abriu o papel meio pardo – o mesmo papel que encontrou na casa da vítima anterior.

 Querida Demi, como está?
Escrevi esse bilhete antes de decidir se deveria ligar para você ou não. Confesso que tenho grande tentação em ligar para você, então, se eu liguei. Ignore todos esses meus pensamentos colocados no papel.
Essa é a Kristen Willzarn, 28 anos e vem da Califórnia. Acho que ela veio participar de uma grande passeata, pelo menos foi o que deduzi no que encontrei em seu carro. A essa altura eu também já terminei de usar seu carro, irei deixa-lo no estacionamento do Washington Mall – Terceiro Andar. No bloco que sempre deixei quando levávamos Alexa ao cinema.
E lá, você encontrará mais. Se você quiser ver Alexa logo, mas para isso nós temos que estabelecer uma confiança. Não posso confiar em você, posso? E eu também não quero colocar Alexa em perigo porque eu sei que tentará me matar.
Depende de você, mas eu irei saber.
W.V.

Pensativa, Demetria amaçou o pequeno papel e colocou no seu bolso de trás quando o galpão foi invadido por policiais, incluindo Joseph que estranhou ao ver Demetria parada perto do corpo.

- O que faz aqui? Não tirou o resto do dia? – Perguntou aproximando-se de Demi.
- Sim, mas recebi o chamado. – Demi abriu um rápido sorriso.
- Você ouviu a ligação? – Joe olhou assustado para Demi. – Não deveria ter vindo sozinha para cá.
- É.... Foi estranho. – Demi deu de ombros. – Acredito que ele não esteja mais aqui.
- Irei fazer a perícia. – Joe beijou a testa de Demi. – Vá para casa agora e descanse.
- Claro. – Ela riu, os dois sabiam que tão pouco dormiria essa noite.
- Demi.... Você não...
- Toquei no corpo? Apenas para saber se estava realmente morta. – Demi respondeu.
- Fico aliviado. Thomas está procurando motivos para tirar você do caso, então, tome cuidado no que faz, tudo bem!? – Joe sorriu e beijou Demetria rapidamente. – Te vejo em casa.
- Não tenha pressa, faça seu melhor.

Joseph segurou nos dedos de Demetria e massageou fazendo com que Demi tomasse partida em separar suas mãos entrelaçadas. Ele virou de costas dando sua atenção a vítima e Demi voltou para seu carro.
Pegou o bilhete novamente do seu bolso e leu o endereço.
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