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18 de julho de 2026

dancing with the devil | 13° Capítulo.

Aquele dia começou antes mesmo do anterior terminar, pois Taylor passara a noite em claro, o corpo deitado, mas a mente presa na tela do celular, revivendo cada mensagem trocada horas antes como se pudesse encontrar, entre uma linha e outra, algum detalhe que lhe tivesse escapado.

A resposta de Emily havia chegado poucos minutos depois de desligar a ligação com Travis, quando sua mente ainda tentava decidir qual daqueles dois acontecimentos era mais perigoso.

“Quem é você?”

Taylor demorou quase cinco minutos para responder. Escrevia uma frase, apagava. Começava outra. Sabia que qualquer palavra errada faria Emily desaparecer antes mesmo que a conversa começasse.

Por fim, respirou fundo e digitou.

"Meu nome é Taylor. Acredito que não nos conhecemos pessoalmente. Encontrei seu nome por acaso enquanto pesquisava antigas apresentações de balé."

A mensagem foi entregue imediatamente, mas a resposta demorou pouco.

"Como encontrou meu perfil?"

Taylor sentiu que Emily não parecia agressiva, mas cautelosa.

"Foi através de uma fotografia antiga. Você aparecia em uma apresentação."

Alguns segundos.

"Entendi."

Nada mais.

Taylor releu a conversa algumas vezes. Era pouco. Muito pouco. Mas Emily continuava ali, então, tentou aproveitar a brecha.

"Desculpe insistir, mas preciso fazer uma pergunta."

Dessa vez a resposta levou quase um minuto.

"Qual?"

Taylor respirou fundo antes de escrever.

"Você conheceu John Mayer quando fazia balé?"

A mensagem foi entregue.

Os segundos seguintes pareceram longos demais.

O indicador de digitação apareceu. Desapareceu. Voltou. Sumiu novamente.

Taylor sentiu o coração acelerar. Então veio apenas uma resposta.

"Por quê?"

Não havia curiosidade, mas receio e Taylor percebeu isso imediatamente.

"Porque também o conheço."

Outra pausa. Muito maior.

Ela imaginou Emily olhando para a tela, talvez pensando em bloquear aquele número, talvez tentando decidir se responder seria um erro.

Taylor resolveu arriscar um pouco mais.

"Você abandonou o balé por causa dele?"

A mensagem foi enviada. Entregue. Lida. E nada.

Taylor esperou um minuto. Dois. Cinco. Abriu novamente a conversa e nenhuma resposta. Esperou mais alguns minutos e digitou com esperança:

"Não quero te prejudicar. Só preciso entender algumas coisas."

A mensagem permaneceu entregue. Sem leitura. Sem resposta.

Taylor fechou os olhos lentamente porque já não precisava de uma confirmação. O silêncio de Emily dizia mais do que qualquer explicação poderia dizer, pois se mencionar o nome de John era suficiente para fazê-la desaparecer daquela forma, então havia algo ali. E algo grande.

Taylor deixou o celular sobre o colchão, encarando o teto escuro do quarto. Pela primeira vez desde que entrara na casa dos Mayer, sentiu que havia encontrado um fio verdadeiro para puxar.

Não era uma prova. Ainda não.

Mas era a primeira reação que não podia ser explicada por coincidência e isso bastava para mantê-la acordada até o amanhecer.

Quando o despertador finalmente tocou, Taylor teve a sensação de que jamais chegara a dormir de verdade. A noite inteira fora consumida pela mesma conversa interrompida, pelas mesmas poucas mensagens relidas inúmeras vezes, pela última pergunta que permanecia sem resposta e, sobretudo, pelo silêncio de Emily, que agora lhe parecia mais eloquente do que qualquer confissão.

Ela não precisava mais convencer a si mesma de que havia encontrado uma direção. Emily não desaparecera por acaso. Desaparecera quando John deixou de ser apenas um nome.

Enquanto preparava o café, pegou o celular outra vez, quase por impulso. A conversa continuava exatamente como a deixara horas antes.

"Você abandonou o balé por causa dele?"

Abaixo, apenas o horário da leitura.

Nenhuma resposta.

Taylor pensou em escrever novamente, mas desistiu. Insistir poderia significar perder qualquer chance futura. Se Emily realmente carregava algum medo, pressioná-la apenas faria com que erguesse um muro ainda maior.

Guardou o aparelho no bolso da bolsa e saiu de casa.

O céu londrino permanecia cinzento, embora o calor daquele verão insistisse em atravessar as nuvens. Durante o caminho até a mansão Mayer, percebeu algo que há semanas não sentia:  leveza. Era estranha, quase inadequada diante de tudo o que acontecia, mas existia.

Pela primeira vez desde que entrara naquela casa, sua investigação havia encontrado alguém do lado de fora dos muros da família Mayer. Até então, tudo eram hipóteses, lembranças fragmentadas, olhares, fotografias, suspeitas. Agora havia uma pessoa de carne e osso que, ao ouvir o nome de John, simplesmente desaparecera.

Aquilo significava alguma coisa. Para Taylor, precisava significar.

Ao chegar à mansão, Rachel foi a primeira a correr em sua direção.

— Você chegou!

A menina a abraçou com naturalidade, como se o incidente da piscina tivesse sido finalmente colocado em um lugar distante da memória.

— Achei que hoje você demoraria.

Taylor sorriu.

— Eu também achei.

Rachel segurou sua mão e começou a contar, sem respirar entre uma frase e outra, sobre uma atividade da escola, uma redação elogiada pela professora e uma colega que insistia em dizer que pisaria nos palcos do Royal Ballet um dia.

— Eu também queria dançar... — comentou de repente.

Taylor olhou para ela.

— Balé?

Rachel assentiu.

— Acho bonito.

Quando entraram na casa, Katheryn apenas levantou os olhos da agenda eletrônica sobre a mesa de jantar.

Não sorriu, mas também não fez qualquer comentário. Já era um progresso.

Rachel sentou-se à mesa, onde Katheryn já folheava a agenda do dia enquanto uma xícara de café esfriava lentamente ao seu lado. A mesa estava posta com a mesma elegância de sempre, frutas cuidadosamente cortadas, pães ainda quentes e o jornal aberto ao lado do prato, embora fosse evidente que a atenção de Katheryn permanecia dividida entre o café da manhã e as inúmeras notificações que surgiam na tela do tablet.

Ao ouvir a filha, levantou os olhos.

— Dormiu bem?

Rachel fez que sim com a cabeça antes de se servir. Taylor permaneceu alguns passos atrás, esperando caso fosse necessária, como aprendera a fazer desde que começara a trabalhar ali.

Foi Rachel quem quebrou o silêncio.

— Mamãe...

Katheryn continuou passando os olhos pela agenda.

— Hum?

— Você acha que eu conseguiria fazer balé?

A pergunta fez Katheryn erguer completamente o rosto.

Durante alguns segundos, apenas observou a filha, como se tentasse entender de onde aquele assunto surgira tão de repente.

— Balé? — repetiu.

Rachel assentiu, animada.

— A Emma disse que vai começar este semestre. Ela falou que talvez dance num teatro de verdade na peça de outono.

Katheryn apoiou os talheres sobre o prato.

— E foi isso que te deu vontade?

Rachel balançou a cabeça negativamente.

— Não.

Olhou rapidamente para Taylor antes de voltar a encarar a mãe.

— Eu queria dançar com o papai.

O silêncio que se instalou foi breve, mas suficiente para que Taylor percebesse a expressão de Katheryn mudar discretamente.

Havia surpresa – talvez até um pouco de culpa porque aquela era uma ideia simples demais para jamais ter sido considerada antes.

Katheryn sorriu com delicadeza, embora parecesse escolher cuidadosamente as palavras.

— Seu pai ficaria muito feliz em saber que você tem interesse pelo balé.

Rachel sorriu imediatamente.

— Você acha?

— Tenho certeza.

A menina abriu um sorriso ainda maior.

— Então eu posso participar do espetáculo dele?

Katheryn respirou devagar.

Era uma pergunta inocente, mas resposta, porém, não era.

— Ainda não, querida.

Falou com carinho, procurando não a decepcionar.

— A produção em que seu pai está trabalhando agora é muito importante. Existem bailarinos que ensaiam durante meses, às vezes durante anos, para estarem naquele palco. Não é algo em que alguém simplesmente entra para participar.

Rachel abaixou um pouco os olhos.

— Ah...

Katheryn inclinou-se na direção da filha e acariciou seus cabelos.

— Mas isso não significa que você não possa aprender.

Rachel voltou a olhá-la.

— Mesmo?

— Claro.

Um sorriso sincero apareceu no rosto de Katheryn.

— Acho, inclusive, que seu pai ficaria muito orgulhoso de saber que você quer seguir um caminho parecido com o dele.

A menina pareceu recuperar o entusiasmo imediatamente.

— Posso contar para ele hoje?

Katheryn consultou rapidamente a agenda aberta sobre a mesa.

— Ele vai passar o dia inteiro no estúdio.

Fez uma pequena pausa antes de continuar.

— Mas depois do almoço podemos ir visitá-lo. Tenho uma reunião rápida por lá e você pode mostrar esse interesse pessoalmente.

Rachel praticamente bateu palmas.

— Sério?

— Sério.

A animação da menina contagiou até o ambiente, fazendo Katheryn sorrir de maneira espontânea, algo que Taylor percebia acontecer cada vez menos.

Foi então que Rachel virou-se para ela.

— Você vai também, Taylor?

A pergunta a pegou desprevenida. Antes que pudesse responder, Katheryn respondeu por ela.

— Claro. Você acompanhará Rachel enquanto trabalho com John.

Taylor apenas assentiu, mas, por dentro, algo havia mudado.

O estúdio.

A palavra bastou para que uma lembrança antiga atravessasse sua memória com a força de um reflexo.

Corredores compridos revestidos de madeira clara. O cheiro constante de resina misturado ao verniz do palco. O som distante de um piano marcando exercícios. Espelhos enormes refletindo dezenas de meninas tentando alcançar uma perfeição que parecia sempre um passo além.

Ela conhecia aquele lugar.

Fazia anos desde a última vez que cruzara aquelas portas, mas bastara ouvir Katheryn mencionar o estúdio para que imagens esquecidas voltassem com uma nitidez desconfortável.

A conversa à mesa terminou pouco depois junto com o café da manhã, mas a ideia de voltar ao estúdio permanecia girando na cabeça de Taylor de um jeito incômodo. Assim que Rachel subiu para escovar os dentes antes das atividades da manhã e Katheryn voltou a mergulhar na agenda eletrônica, ela sentiu que precisava respirar. Pediu licença discretamente e atravessou a cozinha até a porta de vidro que dava acesso aos jardins dos fundos.

O ar quente daquele fim de manhã a envolveu imediatamente. Diferente do interior climatizado da mansão, ali o cheiro de grama recém-aparada, terra úmida e lavandas plantadas ao longo do caminho trazia uma sensação estranha de normalidade. Caminhou sem destino entre os canteiros, deixando que o vento bagunçasse alguns fios soltos do cabelo enquanto tentava organizar os próprios pensamentos.

O estúdio.

A lembrança insistia em voltar.

Ela conseguia quase ouvir o rangido do piso de madeira sob as sapatilhas, o som do piano preenchendo as salas de ensaio, as vozes das meninas repetindo a contagem dos movimentos. Não eram apenas lembranças felizes. Eram fragmentos de uma vida que havia terminado cedo demais.

— Taylor?

Ela virou-se devagar.

Jason vinha pelo caminho de pedras carregando uma pequena caixa de ferramentas. Assim que a viu, diminuiu o passo e franziu discretamente a testa.

— Você está bem?

Taylor forçou um sorriso.

— Estou.

Jason arqueou uma sobrancelha.

— Não parece.

Ela passou uma das mãos pelo próprio braço, como se sentisse frio apesar do calor do verão.

— Só precisava respirar um pouco.

Ele parou ao seu lado, olhando para o jardim antes de voltar a observá-la.

— Você está pálida.

Taylor deu de ombros.

— Acho que dormi pouco.

Jason permaneceu alguns segundos em silêncio, como se avaliasse até onde podia ir naquela conversa.

— Desde... aquele dia da piscina... — começou com cuidado — nós praticamente não conversamos.

Taylor abaixou os olhos – a culpa voltou inteira.

— Eu sei.

O silêncio entre os dois durou alguns instantes.

— Obrigada... — disse ela por fim, a voz baixa. — Por ter salvado a Rachel.

Jason desviou o olhar para a fonte.

— Eu só estava perto.

— Não importa. Você foi.

Ela respirou fundo.

— Eu não consegui.

Jason não respondeu imediatamente. Passou a mão na nuca, claramente desconfortável.

— Às vezes a gente trava.

Taylor sorriu sem humor.

— Nem todo mundo trava.

— Não. — Ele balançou a cabeça. — Mas acontece.

Ela percebeu que ele tentava poupá-la, embora também tivesse visto exatamente o que acontecera.

— Rachel podia ter morrido.

— Mas não morreu.

— Porque você estava lá.

Jason soltou um longo suspiro.

— Escuta... eu não sei exatamente o que aconteceu com você naquele momento e não vou perguntar. Não é da minha conta.

Taylor apenas assentiu.

Ele olhou rapidamente para a casa antes de continuar abaixando um pouco a voz.

— Só toma cuidado.

Ela ergueu os olhos.

— Com o quê?

Jason hesitou. Era um homem acostumado a medir palavras.

— Com o senhor Mayer.

Taylor permaneceu imóvel.

— Ele é um bom patrão — continuou Jason, escolhendo cada sílaba. — Sempre foi correto comigo. Nunca tive motivos para reclamar.

Fez uma pequena pausa.

— Mas isso não significa que eu ache que ele seja... previsível.

Taylor sentiu o estômago apertar.

— Faz muitos anos que trabalho aqui. Aprendi uma coisa.

Ela esperou.

— Quando o senhor Mayer coloca alguma coisa na cabeça... ele dificilmente desiste.

Taylor permaneceu em silêncio.

— E ultimamente... — ele respirou fundo — tenho a impressão de que ele presta atenção em você mais do que um patrão costuma prestar numa funcionária.

A frase foi dita sem julgamento, quase como um conselho.

Taylor tentou manter a expressão neutra.

— Talvez seja impressão sua.

Jason deu um sorriso discreto.

— Espero sinceramente que seja.

O silêncio voltou a se instalar entre eles.

Depois de alguns segundos, ele tornou a falar.

— Só... não confunda educação com interesse e, se perceber que ele está confundindo profissionalismo com outra coisa... mantenha distância.

Taylor observou-o por um instante. Havia honestidade naquele aviso. Parecia apenas alguém que conhecia o patrão havia tempo suficiente para reconhecer certos padrões.

— Obrigada.

Jason fez um pequeno gesto de cabeça.

— Não estou dizendo que vai acontecer alguma coisa.

— Eu sei.

— Só acho que você merece estar preparada.

Taylor respirou lentamente.

— Vou me lembrar disso.

Ele sorriu de maneira discreta, satisfeito por ela não ter levado a conversa para outro lado.

— Bom... acho que já falei demais.

Virou-se para seguir em direção ao galpão de ferramentas, mas parou depois de dois passos.

Olhou novamente para Taylor.

— E, por favor...

Ela ergueu os olhos.

— Não carregue aquele dia sozinha. A Rachel continua correndo atrás de você pela casa inteira. Isso diz alguma coisa.

Taylor sorriu pela primeira vez naquele dia.

Um sorriso pequeno, cansado, mas verdadeiro.

— Obrigada, Jason.

Ele respondeu apenas com um aceno.

Quando passou por ela, diminuiu naturalmente o ritmo e, antes de seguir pelo caminho de pedras, tocou de leve a mão de Taylor, um gesto rápido, quase fraterno, de quem queria transmitir apoio sem chamar atenção de ninguém.

Taylor permaneceu parada por alguns instantes depois que Jason desapareceu entre as árvores do jardim. Ainda sentia o calor discreto do toque dele sobre sua mão, um gesto tão simples que quase a fez esquecer, por um instante, do peso que carregava havia semanas. Soltou o ar lentamente, preparando-se para voltar à rotina, quando ouviu passos suaves atrás de si.

— Então era aqui que você estava.

Taylor virou-se.

Sabrina vinha da varanda com um pequeno cesto de roupas dobradas nos braços. Tinha um sorriso contido, daqueles que denunciavam que já havia observado mais do que deveria.

— Estava te procurando.

— Precisava de um pouco de ar. — respondeu Taylor.

Sabrina olhou na direção em que Jason havia acabado de desaparecer.

— Percebi.

Taylor acompanhou seu olhar e entendeu imediatamente o que ela estava pensando.

— Não é o que parece.

Sabrina riu baixinho.

— Engraçado... normalmente quem diz essa frase é porque é exatamente o que parece.

Taylor balançou a cabeça, quase sorrindo.

— Nós só estávamos conversando.

— Eu vi.

— Sobre Rachel.

— Sei.

Taylor cruzou os braços.

— Sabrina...

— Estou brincando.

Ela aproximou-se mais, apoiando o cesto sobre um banco de madeira antes de encarar Taylor com uma expressão mais leve.

— Jason é um bom homem.

— Eu sei.

— Discreto, trabalhador, educado...

Taylor sorriu.

— Mas não existe absolutamente nada entre nós.

— Nem precisa justificar.

— Não estou justificando.

— Está um pouquinho.

As duas riram discretamente, quebrando por alguns segundos a tensão que vinha dominando a casa desde o incidente da piscina.

— Somos bons colegas. — explicou Taylor. — Só isso. Ele veio saber se eu estava bem. Acabamos falando sobre aquele dia... e eu agradeci por ele ter salvado a Rachel.

Sabrina assentiu.

— Faz sentido.

Depois inclinou ligeiramente a cabeça.

— Você leva tudo muito a sério, sabia?

Taylor arqueou uma sobrancelha.

— Talvez.

— Não, não talvez. Com certeza.

Pegou novamente o cesto e continuou falando num tom tranquilo.

— Às vezes duas pessoas podem simplesmente conversar sem transformar isso numa reunião de trabalho.

— Era praticamente uma conversa profissional.

— Até no jardim?

Taylor deu uma pequena risada.

— Você está impossível hoje.

— Alguém precisa deixar essa casa um pouco mais leve.

O sorriso de Taylor diminuiu quando percebeu que Sabrina ainda a observava com atenção.

— Posso te dizer uma coisa?

— Claro.

Sabrina olhou discretamente para a fachada da mansão antes de baixar um pouco a voz.

— Acho que a senhora Mayer dormiria muito mais tranquila se soubesse que você estivesse com outra pessoa.

Taylor franziu o cenho.

— Como assim?

Sabrina demorou um instante para responder.

— Você realmente nunca percebeu?! A casa inteira percebeu.

Ela sentiu um leve aperto no peito.

— Percebeu o quê?

Sabrina respirou fundo, escolhendo cuidadosamente as palavras.

— O senhor Mayer presta atenção demais em você.

Taylor desviou os olhos automaticamente.

— Não é impressão minha, Taylor. Nem da senhora Mayer. Nem dos funcionários.

O jardim pareceu ficar mais silencioso.

— Ele pergunta por você com frequência. Observa demais nos lugares em que . Repara quando muda o cabelo, quando falta, quando está cansada... são detalhes pequenos, mas constantes.

Taylor tentou responder, mas Sabrina levantou delicadamente a mão.

— Não estou dizendo que exista alguma coisa entre vocês.

— Porque não existe. — respondeu incisiva.

— Eu acredito em você.

A resposta veio imediata.

— Mas... — continuou Sabrina — também acredito nos meus olhos.

Taylor permaneceu imóvel.

— E, sinceramente... se a senhora Mayer soubesse que você está conhecendo alguém... um rapaz da sua idade, por exemplo... talvez ela respirasse mais aliviada.

Taylor soltou uma pequena risada incrédula.

— Você está sugerindo que eu arranje um namorado para tranquilizar minha patroa?

Sabrina sorriu.

— Estou dizendo que uma mulher comprometida costuma parecer um problema menor para um homem que insiste em olhar para onde não deveria.

A frase ficou suspensa entre as duas.

— Não estou procurando ninguém. E não tenho ninguém, se é o que quer saber...

— Mas isso é óbvio! — Sabrina riu. — Desculpa, mas você só pensa em trabalho.

Taylor ficou quieta.

— Mas Jason também é solteiro. É bonito também. Enfim, só... tome cuidado para não passar tanto tempo olhando para o perigo que deixe de enxergar as boas oportunidades quando elas aparecem. Só isso.

[CONTINUA]

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