Criminal Case | 2° Parte


      Coloquei as luvas descartáveis e entrei no laboratório do legista. Joseph, o legista, estava com a primeira vítima, Sophia. Cheguei perto do corpo que já estava pálido e gelado.

- Estava escrevendo para você. – Ele largou um papel. – Vamos começar?
- Sim.
- Vamos lá. – Ele abriu duas gavetas.
- Sophia Anderson, 36 anos, tradutora oficial do chanceler da Alemanha. Encontrada morta após 14h da morte. Vítima de estrangulamento. Nenhum abuso sexual, mas foi limpa. O contorno do seu corpo foi feito a caneta que encontramos na casa. A segunda vítima, Jade Campbell, engenheira. Foi morta da mesma maneira, a diferença é que não houve banho, mas o contorno em volta do seu corpo era presente na cena do crime. Já a terceira vítima que, na verdade, foi a primeira, Lisa Wapasha, foi morta por estrangulamento, sem abuso sexual e encontrada em sua cama.
- Sem limpeza ou uso de caneta? – Perguntei.
- Não, apenas foi morta. Nenhuma delas sofreram abuso sexual, assim como não encontrei vestígios de dna. - Ele avisou. – Mas pelo método é a mesma pessoa. O que eu posso dizer é que o assassino não tem força. - Ele me levou até Sophia. – As marcas delas são mais fortes, está vendo essas manchas roxas mais fortes aqui e aqui. – Ele apontou para o pescoço e nuca. – Foi onde as mãos do assassino se concentrou, foi onde ele apertou para matá-la. Posso demostrar em você?
- Sim. – Autorizei.

     Joseph se aproximou do meu corpo, colocou meus cabelos para trás e colocou suas mãos em volta do meu pescoço com calma.

- Ele concentrou seus dedos assim. - Ele deu uma pequena apertada nos polegares no pescoço e os outros dedos na nuca. - Mas ele não tinha força, então, ele apertava com força e depois soltava. – Ele demostrou de maneira fraca.
- Certo. – Disse olhando para o teto. – A vítima sofreu?
- As vítimas. - Ele me corrigiu levando para Lisa. – Já com ela é possível ver uma linha grossa no pescoço indicando que ela foi morta por uma corda fina ou cadarço de tênis, com o uso desse objeto, ele ficou mais forte e pôde matá-la rápido. - Ele caminhou até Jade. - Ela foi com as mãos, da mesma forma que Sophia, mas morta na mesma velocidade que Lisa.
- Ele aperfeiçoou seu método. - Disse analisando os corpos.
- Sim, ele está melhorando sua mão. Criando mais força. - Ele complementou.
- Se você achar mais alguma coisa, me chame. - Me despedi.

      Joguei as luvas no lixo e segui em direção ao elevador, entrei e subi até meu escritório. Já estava um caos, a notícia já espalhou: tinha um assassino em série na Capital. Alguns jornalistas convidados estavam na espera de algum depoimento, os parentes da vítima já estavam por perto para dar depoimentos. Fui até minha sala e Connor já montou a lousa com fotos e informações da vítima.

- O que já temos aqui. - Fechei a porta e sentei em minha cadeira.
- Eu fiz o possível. - Ele avisou de início. - Lisa Wapasha, Sophia Anderson e Jade Campbell com idades de 36, 38 e 32 anos respectivamente. Pelo físico, vemos semelhanças: todas são brancas, cabelos castanhos cumpridos e da mesma faixa etária. Também vemos que todas elas eram bem-sucedidas para sua idade, solteiras e independentes. O nosso T.I. já verificou e as três tinham contas ativas no Tinder.
- O que seria isso? - Perguntei seria.
- Serio, senhora? Tinder? - Ele riu. - É um aplicativo para encontros, você vê a foto de uma pessoa e marca um encontro.
- Certo, quero saber com quem as três saíram nos últimos meses, quem demostrou interesse nelas e cruzem uma com a outra. É o mesmo cara, temos que pegar uma brecha. - Levantei e sai da sala.

      Quando sai da sala todos estavam me olhando, chamei os parentes de Sophia primeiro. Conversei com eles por alguns minutos. Depois com a família de Lisa e Jade. Acredito que gastei apenas uma hora com todos eles. Muitos choravam, mas deram poucas informações que poderiam ajudar, as respostas eram sempre as mesmas "moravam sozinha, não se interessava em relacionamentos, amavam a carreira".

- Eu me vejo nessas mulheres. - Falei ao beber um gole de café.
- De ponto de vista dele, você faz o papel dele. - Joe falou rindo.
- O que você acha dele? - Perguntei caminhando para minha sala.
- Um sádico sexual e machista. - Joe entrou comigo. - As vítimas mortas do mesmo jeito. Ele tem domínio por isso. Sente tanto prazer em estar no controle. Sou capaz de opinar que ele as segura de um modo que elas não são capazes de ter movimento. Se não, elas buscariam arranhar ou bater.
- Já ouvir falar de Tinder? - Perguntei rindo.
- Sim, uso eles algumas vezes. - Joe respondeu. - Porque? Tem interesse?
- Descobri hoje o que é isso. - Começamos a rir. - Eu estou bem, obrigada, mas as vítimas usavam.
- Mandou cruzar seus perfis?
- Sim! - Falei rápido.
- Demi, eu tive uma ideia, mas eu não sei se vai gostar... - Joe olhou para as fotos das vítimas e depois virou para mim. - Você deveria fazer a conferencia essa tarde.
- Como? - Quase engasguei com o próprio café. - Porque?
- Olha as vítimas, olha você. - Joe falou entusiasmado. - Mesmo perfil. Seria uma provocação.
- Joe, eu entendo que você é especialista em analise psiquiatria de assassinos, mas nós nem temos um ainda para provocar. É um tiro cego.
- Um tiro certeiro. - Ele riu. - Temos que tentar isso, se você permitir.
- Tudo bem... - Autorizei pensativa.

***

- Boa tarde. - Me sentei na cadeira entre Joe e Connor. - Sou a detetive Demetria Devonne Lovato e estou assumindo a série de assassinatos descobertos nos últimos dois dias em Washington D.C. - Arrumei algumas papeladas. - Chegamos à conclusão que todos esses assassinatos voltado as mulheres foram vítimas do mesmo assassino. Ainda estamos apurando o caso e investigando. Não podemos falar nada mais sobre. - Finalizei.
- Senhora, sua blusa. - Connor sussurrou no meu ouvido. - Está aberta.

      De maneira disfarçada, fechei minha blusa e me levantei seguindo para a saída da sala de conferencia. Alguns reportares tentaram chamar minha atenção com perguntas.

- Qualquer notícia, me avise. - Falei e peguei meu casaco.

***

      Entrei dentro de casa e estava tudo escuro. Acendi a luz da cozinha e abri algumas panelas que ainda estavam quentes.

- Wilmer? - Chamei.

     Peguei uma colher da sobremesa de Alexa e subi as escadas, olhei para o quarto de Alexa e ela estava dormindo, fui até nosso quarto e estava vazio. Caminhei de maneira lenta até o escritório do Wilmer e ela estava lendo.

- Não me ouviu? - Perguntei ao entrar.
- Ouvi. - Ele respondeu e não desviou os olhos do seu livro.
- Aconteceu alguma coisa? - Entrei e fechei a porta.
- Você deixou um guarda qualquer levar nossa filha sozinho para escola? Esqueceu de buscá-la! Demi! - Wilmer levantou e veio até mim. - Você ainda me pergunta o que aconteceu?
- Houve um problema e eu não poderia levá-la. Era um policial, ela estava segura. - Tentei acalmá-lo. - De fato, esqueci de ir pegá-la, mas eu não estava desocupada.
- Eu vi, você estava ocupada o bastante falando de mulheres mortas do que sua própria filha.
- Olha bem como fala comigo. - Encarei ele. - Você sabe que não é qualquer coisa. Eu errei, mas eu tenho meu trabalho. - Comecei a me defender.
- Eu também teria o meu. - Wilmer começou a rir. - Eu teria o meu, se eu tivesse espaço para ter porque eu fico fazendo papel de dona de casa, enquanto você quer salvar o dia dos outros e esquece que tem uma família. Eu não consigo parar em um emprego porque todos os dias abro mão dele para ficar com Alexa, ela mal sabe que tem uma mãe porque não para em casa. - Wilmer se afastou.
- Ela tem uma mãe, eu sou sua mãe. - Gritei. – Wilmer, desde o início você sabe que minha carreira era importante demais, você topou fazer isso comigo. Entrar nessa comigo.
- Não estou com cabeça agora, Demi. - Wilmer abriu a porta. - Você acordou Alexa.

    Wilmer abriu a porta e saiu, Alexa estava chorando. Limpei o batom da minha boca e me sentei no sofá de Wilmer, alguns minutos depois, Alexa não chorava mais. Esperei Wilmer voltar, mas ele não apareceu. Relaxei no sofá e tentei organizar minha mente. Minha dor de cabeça estava mais forte do que os outros dias.
    Levantei e sai de seu escrito, fui para nosso quarto e Wilmer já estava deitado. Fingia dormir.

- Em partes, você tem razão. - Falei. - Eu tenho que participar mais do mesmo modo que você deve me entender.

    Wilmer não falou nada, comecei a tirar minha roupa e vesti minha camisola. Desliguei meu abajur e arrumei meu lado da cama. Ele estava de costas para mim. Deitei por alguns minutos pensativa. Levantei e dei a volta na cama e tirei seu cobertor, joguei no chão.

- Demi, não quero falar mais sobre is...
- Quem disse que eu quero conversar. - Retruquei.

    Subi no colo de Wilmer e tirei sua camiseta rapidamente. Wilmer me olhou assustado e puxou meu cabelo para trás, inclinei minha coluna e tentei gemer o mínimo possível. Ele apertou meus seios por cima da camisola e rasgou-a de uma vez, estava nua. Ele apertava meus mamilos com uma mão, com a outra ele massageava minha vagina. No seu colo, sentia seu pênis ereto e pulsando.
    Entrei gemidos, Wilmer me jogou no outro lado da cama, tirou sua cueca e penetrou com força. Ele agarra meus cabelos e nuca com força, beijava meus mamilos e dava fortes tapas.

***

    Levantei e Alexa estava dormindo ao meu lado. Reparei que ainda estava sem roupa, mas coberta. Puxei um lençol sem acorda-la e me levantei, olhei no corredor e fui até a cozinha. Tinha um recado em cima da mesa:

Fui chamado para cobrir um plantão na CVV (Centro de Valorização de Vidas). Não quis de acordar por isso. Obrigado pela última noite, te ligo assim que sair. Não esqueça de Lexa.
Wilmer.

    Comecei a rir de maneira boba, guardei o bilhete em cima da geladeira e fui aprontar Alexa.

***

- Ele está agindo rápido. - Falei ao ver o corpo da vítima sendo embalado.
- Não quero apressar, mas o Presidente acabou de responder a comitiva de imprensa na Casa Branca sobre isso. - Connor falou. - E Joe quer ver você em seu laboratório, ele conseguiu alguma coisa.
- Ótimo.

***

 - Joe? - Chamei batendo no vidro. - Abra aqui. - Pedi.

     Joe abriu seu laboratório, peguei as luvas e me vesti de maneira apropriada.

- E então? - Me aproximei.
- Anne Hendrix. - Joe falou. - Ainda não finalizei a autopsia, mas o procedimento é igual,
- Ele já tem um ritual. - Analisei tudo em minha cabeça. - O tipo de mulheres, o ritual de assassinato e a pressa, ele tem pressa.
- Eu te chamei por isso. - Joe pegou um papel embalado. - Na cena tinha uma carta, para você.

      Com um olhar assustado, peguei o papel que já estava embrulhado com etiquetas de provas. Por cima, comecei a ler:

Demetria Devonne Lovato.
Sinto-me excitado ao ouvir seu nome e ao mesmo tempo ódio ao ver seu rosto.
É um belo rosto, ver você e não poder te tocar. Isso também me excita. Tenho vontade de arrumar meus cabelos no chão e tocar no seu pescoço com força. Matá-la de maneira lenta e excitante. Porém, tenho que dizer que sua provocação não funcionou comigo, mas ver seu rosto valeu a pena.
Ainda imagino sua voz implorando por vida assim como Sophia fez. Assim como sei que a aliança no seu dedo não vale nada, misero pedaço de ouro que não vale a um relacionamento destinado a fracassar.

       Coloquei minha mão na boca segurando qualquer nervosismo. Joe me olhava sem fazer nada. Entreguei a carta em sua mão e andei pela sala pensativa.

- Mandei analisar a caligrafia com assinaturas no banco de dados e infelizmente não deu em nada. - Joe falou. - Demi, a provocação funcionou.
- Ele falou diretamente comigo! Comigo! Meu nome, seu desejo doente de me tocar e me matar. - Cuspi as palavras nervosa. - Sua provocação funcionou comigo.

      Joguei toda a roupa do laboratório no chão e sai às pressas para fora do prédio. Arrumei minha maquiagem e sentei em um banco. Pensava em cada palavra naquela carta. Meu celular começou a tocar.

*** 

     Meu telefone começou a tocar, acordei com os olhos doloridos. Fui até minha mesa de leitura e peguei meu celular que estava carregando, era Connor.

- Connor, é duas horas da manhã. O que quer?
- Temos outra vítima. - Ele disse. - Mas ela estava viva.
- Como é? - Pedi para repetir, dessa vez acordei.
- Ela está em cirurgia, estado crítico. Mas ainda está viva, esperamos mais informações. - Connor disse com um tom de felicidade. - Explicarei assim que chegar, tudo que precisa já está no seu GPS.

    Limpei minha boca que parecia suja. Tomei alguns goles de agua que estava no meu criado mudo e fiquei olhando para o nada no escuro. Uma luz saiu do banheiro, Wilmer me olhou e veio até mim.

- Precisa de alguma coisa? - Perguntou preocupado.
- Preciso de uma roupa, uma escova de dente e que cuide da Alexa. - Falei. - Irei sair agora, aconteceu alguma coisa.
- Demi, depois da ameaça, você não deveria... se for isso, não deveria... - Wilmer pediu.
- Pela ameaça que vou, Wil. - Peguei em sua mão. - Não permitirei que um perseguidor e assassino fale daquela maneira comigo. - Disse firme.

***

     Ele olhava as fotos em modelo polaroid e desliza elas entre uma mão e outra. Sua boca salivava encarando as fotos. Sua favorita era de Sophia, ele colocou em cima da mesa as outras e ficou parado encarando a de Sophia, olhou para o lado e pegou a calcinha que tinha levado consigo do corpo de Sophia. Ele a dobrou e passou pelo seu rosto, cheirou com força e reuniu todas as fotos novamente, dedicando seu tempo olhando os detalhes de cada uma. Era excitante para ele ver aquilo, seu pênis pulsava pela calça. Ele abriu sua calça, sorriu e acariciou seu próprio pênis sem desviar o olhar das fotos.

2 comentários:

  1. olá, mirela! finalmente eu arranjei tempo para ler algo daqui! Comecei por essa história por seu mais recente e curtinha e olha eu já to toda envolvida na história. Demi rainha independente, adoro personagens femininas fortes, ela me lembrou a Olivia Benson de law and order (inclusive amo qualquer coisa relacionado ao criminal, só na ficção mesmo).
    Minha suspeita é de que o Wilmer é o assassino pois: os crimes do cara são motivados por misoginia e o Wilmer parece se irritar bastante com o fato da demi ser mais bem sucedida do que ele e tals, então ele meio que é obcecado por ela ao mesmo tempo em que a odeia e sai matando mulheres que se parecem com ela para se vingar?? essa é a minha teoria.
    Os pontos que eu queria falar sobre o primeiro capítulo, você já consertou nesse (tipo vc trocava umas palavras por outras tipo ao invés de sua, tu bota são) ai eu ia falar para tu ficar mais atenta, mas o erro não ocorreu aqui.
    por fim, to gostando dessa minific. atualiza logo <3
    ☼ Intimorato

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    Respostas
    1. Eu amo series e filmes criminais, amo law & order, amo a Olivia.
      Sim, a Demi é maravilhosa nesse curta e eu me inspirei muito na personagem Stella Gibson de The Fall.
      Irei corrigir assim que possível os tais erros do primeiro capitulo e obrigada por avisar.
      Beijos, Métis.

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